quinta-feira, 5 de abril de 2018

Boa Sorte... Vamos Precisar!




Eu queria ser capaz de fazer um texto verborrágico e cheio de pontos sobre o que anda acontecendo nos setores de Justiça deste país. Mas não sou capaz. Me sinto, desde a morte de Marielle, vivendo em uma realidade paralela. Não sei ao certo, mas acredito que o mundo acabou em 2013 e fomos parar em uma versão alternativa de mundo. E aqui todas as maiores ironias possíveis, são reais. Trump é presidente dos Estados Unidos e Bolsonaro franco candidato na corrida presidencial brasileira. 

É muito distópico imaginar que o fanatismo, antes visto no futebol e por fãs de reality show, chegou com peso na política. E pequenas visões acabam querendo renegar todo um passado comprovado historicamente. É como se todo o mal que já foi realizado em nosso país estivesse justificado. Isso me assusta. 

Tenho 32 anos. Nasci em 1985, então senti um leve gosto do final dos anos 80, mas vivi todo aquele clima de "Brasil é o país do futuro", impregnado nos anos 90. Talvez uma pobre herança das décadas anteriores. Até os anos 1999 eu sentia que éramos, de fato, palhaços em um grande e vasto picadeiro. No início de 2000 senti solta pelo ar, uma energia que quis me dominar. Talvez uma música de Sandy e Junior? Muito provavelmente, mas não foi só isso. O clima de É preciso dar um basta tinha legitimidade... Mas não existiam redes sociais. Talvez, por esse motivo, era mais uma onda de "comum acordo" do que likes em textões no Facebook do amiguinho. 

A mudança veio, Brasil entrou no mapa e já não éramos tão atrasados assim. Ficamos no mapa, a tecnologia chegou e avançamos como nunca antes na história deste país. Foram tempos lindos e de alegria. Rede social para todo lado. Smartfone, iPhone, tuíte... FaceBook. Insatisfação. Roubo. Política. Ladrão. Veio tudo em um mesmo pacote. Alguns foram abertos na mesma leva e outros demoraram mais algum tempo para serem descamados. 

Queria poder acordar desse sonho ruim e tirar, de forma fácil, o gosto amargo da boca. Mas não é simples, muito menos fácil! Acredito que seja hora dessa galera jovem, internética, youtubistica e instagramer vivenciar seu próprio despertar. Cheia de ideias, claro, mas sem tanta confiança de ser o dono da verdade. Isso, amor, ninguém é. Espero que sem tantas fake news disfarçadas em friends do Facebook, seja feita essa leva de jovens sonhadores indefesos, que possuem disposição para reclamar e, em alguns casos, lutar pelo que acreditam. 

Eu só quero que esse filme ruim termine. Não sinto disposição para conversar ou lutar. Só quero que acabe. Ah! E já nem acredito em final feliz. A tela preta, infelizmente, já é um bom prêmio de consolação.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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