segunda-feira, 9 de abril de 2018

La Dolce Far Niente





La dolce far niente é uma expressão italiana usada para descrever o ideal da ociosidade despreocupada. É o permitir-se relaxar sem maiores preocupações, curtir o momento sem calcular o depois, viver a preguiça sem culpa. É o procrastinar feliz.

Em tempos de vida acelerada, de afazeres mil e de obrigações que nos afogam, pensar em fazer nada pode ser até uma afronta. Afinal, a vida não pára para que você descanse, recarregue as baterias e esteja pronto para o que vem pela frente. Mas, o nosso problema é exatamente esse: deixar que a vida nos atropele, perdendo qualidade e entrando em uma rotina viciada que em algum momento fomos ensinados que era o aceitável. Pois não, não é.

Em um momento de estresse político extremo como o que vivemos, de brigas irracionais na vida real e nas redes sociais, ligar o foda-se e relaxar é mais do que necessário. Acumular estresse, raiva e ódio faz um mal enorme a você mesmo, irradiando-se à sua volta, contaminando todo o ambiente.

Eu, para continuar funcional, preciso dos meus momentos de ócio e procrastinação. Gosto dos meus exercícios físicos, mas aprecio ainda mais o depois, quando me permito fazer nada, curtindo aquele momento de preguiça extrema. Sou (e gosto de ser) uma pessoa super conectada no mundo virtual, mas já experimentaram o prazer de deixar o celular no modo avião, dar o play em uma comédia idiota e esquecer do mundo lá fora? É recompensador.

A nossa geração foi criada para ser relevante, necessária e cheia de opinião. Acabamos formando cidadãos que se julgam mais do que são, obtusos, workaholics e, ao mesmo tempo, cheios de déficits de atenção e com um enorme grau de analfabetismo funcional. Fomos engolidos pelo sistema, e o sistema é foda, parceiro. E se não nos darmos a chance de pelo menos tentar manter a nossa sanidade, o dano será ainda maior e irreversível. E isso não deveria acontecer.

Deitar na cama por quantos minutos você quiser; ouvir o canto dos pássaros largado em um parque só observando a vida passar ao seu redor; deixar-se levar pelo barulho das ondas em um momento despreocupado apenas apreciando o mar, a areia e o sol. São esses os momentos que nos energizam, recarregam as baterias e nos fazem seguir adiante. É o dolce far niente que nos motiva a levar a vida cotidiana e cheia de obrigações chatas, mas necessárias. É o permitir-se que vai deixá-lo saudável em meio ao furacão da vida real.

No fim das contas, o meu conselho é apenas um: relaxe! Ninguém é insubstituível. Se algo acontecer contigo hoje, o trabalho vai ser feito por outra pessoa, suas demandas prioritárias ou serão esquecidas ou absorvidas por terceiros e você vai acabar virando apenas uma lembrança, talvez nem tão boa assim.

Mas, e da vida, o que você terá levado?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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