sábado, 14 de abril de 2018

Para Não Dizer Que Não Falei de Abraços





No nosso atual momento de debates acalorados, de falta de empatia, de ódio sendo espalhado pelas redes sociais, eu, que normalmente estou sempre no olho do furacão, venho falar de abraços. Logo eu, que não consigo ficar calada, que estou sempre em uma polêmica (e, em minha defesa, preciso deixar claro que a polêmica que me persegue), vim falar de abraços. Esses, que a gente ganha o nosso primeiro assim que nasce.

Perceba que nem falei em amor, falei "apenas" em abraços. Agora, repare que apenas está escrito entre aspas. Porque em meio a tanto caos da nossa vida cotidiana, estamos perdendo velhos hábitos, esquecendo alguns valores e depois não sabemos porque a vida era melhor para nossos avós, mesmo quando os tempos eram mais difíceis.

Voltando ao queridinho da vez, o abraço, quantos você deu hoje? Quantos amigos e amigas você cumprimenta com abraço? Ou só beijinhos, que na verdade são bochechadas, acompanhadas por um smack, mais sem sentido que isso só o "coé cara" com um aperto de mão de quebrar os ossos, sem a menor troca real de energia.

Quando pergunto, falo de um abraço de verdade, de mais de três segundos, o tempo de uma respiração completa, o tempo que você pode melhorar e até salvar o seu ou o dia de alguém.

“Ai, ela é sentimental”. Ainda bem. Morreria se fosse apenas racional.

Mas agora pense na primeira coisa que a gente faz quando encontra alguém que há muito não via e tem a felicidade de reencontrar; por mais durão que seja, cede ao abraço e nesse momento acontece a mágica. Uma troca de energia tão potente que nos traz força, nos faz sentir mais vivos e prontos para os próximos momentos.

Já existem pesquisas sobre as características terapêuticas do abraço, tendo uma publicada na Psychological Science feita pela equipe de pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, que concluiu que os efeitos não são só emocionais, meus caros, mas também físicos! 

Mas, sigamos… Eu queria saber quando paramos de nos abraçar? Porque quando criança somos incentivados a abraçar o todo mundo. "Abraça o tio fulano, abraça a tia sicrana, abraça seu amiguinho para fazer as pazes." Esses casos muitas vezes nem são corretos, mas não vou entrar nesse mérito. Aí, quando chegamos à vida adulta, temos vergonha, temos tantos pudores, talvez adquiridos na difícil fase da adolescência. 

Como cresci no meio teatral desde muito nova, não tive muito problema com isso, com falar o que sinto ou em expressar o mesmo. Abraçar meus amigos e amigas para mim é tão natural como abraçar meus pais e achava até meio estranho a dificuldade de algumas pessoas em retribuir. Tinha que me lembrar de que cada um é cada um, com suas próprias vivências, sempre que via alguém travando.

Dar aulas de teatro me ajudou muito a ver como a história da pessoa faz com que elas sejam de forma “A” ou “B” e, juntos, aprendemos a nos respeitar e acreditem, a nos abraçar.

Então, apesar de ninguém ter pedido, minha dica é essa: por uma vida melhor, ABRACE. Abrace mesmo, mas não só sua esposa, seu marido ou seu filho, mas estenda isso aos seus amigos e amigas no geral! Aqueles que você vê todo dia e os que você vê só às vezes. Os que você conhece há anos e os que você está conhecendo agora. Os que você sente que serão por toda essa vida e os que você sabe que serão apenas por um tempo. Use essa poderosa arma de troca de energia que temos. Para curar e ser curado. Para doar e receber. Para ganhar forças, para, aí sim, seguir nas batalhas. Seguir na militância. Seguir no dia a dia mesmo. Ah! Abrace seus animais! Eles também retribuem!

Porque se soubéssemos mesmo o poder de um abraço, abraçaríamos até mesmo quem não conhecemos! Com cuidado é claro.

Ah! Outra coisa, pelo amor da deusa, não me venha com bochechadas!!! Dá um tchauzinho de longe que prefiro. Vou entender.

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Leandro Faria  
Aninha Prado Guisoli é atriz, professora de teatro, diretora e produtora, porque se formar em artes é assumir que pode ser muitas em uma só. Mineiroca da gema é uma sonhadora em tempo integral. Ama animes, desenhos, filmes, livros, HQs, o sol, o calor, a praia, a natureza, além de baladas e um barzinho pra relaxar. Mas tem um ranço enorme de quem fala "coisa de menino e coisa de menina"...
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