segunda-feira, 30 de abril de 2018

...tempo...





Minha família sofreu um baque triste na semana que passou. Uma tia querida que enfrentava um câncer, irmã da minha mãe, faleceu na última quinta-feira. Sei que é o ciclo da vida, que uma hora todos nós vamos acabar morrendo, mas é inevitável lamentar a morte de um ente querido e, nessas horas de luto, pensar em nossa finitude. Ser confrontado com ela da pior forma, ao ter de se despedir de alguém, é um exercício dolorido, mas humano.

E a tristeza de perder minha tia, mais algumas conversas que tive recentemente com amigos próximos, me deixou pensativo sobre a vida, a morte, a finitude e, principalmente, sobre o tempo. Ele que, implacável, vai apenas seguindo seu curso enquanto nós tentamos levar a nossa existência nessa dança chamada vida.

Dias atrás, uma amiga desenterrou uma foto em que ela e outras duas amigas apareciam abraçadas e sorridentes em um momento de descontração em um evento da empresa. Era uma foto de 2011 e, obviamente, há algumas diferenças nelas, principalmente no cabelo, afinal, cabelo é o que mulher mais muda nessa vida.

Mas no que as benditas se pegaram na foto? Na pele, em marcas de expressão. Eu, cartesiano que sou, acho que as três estão praticamente iguais, se não melhores hoje em dia do que na foto, mais bonitas até. Mas elas conseguiram achar mil provas de que o tempo é implacável e de que em apenas sete anos muita coisa mudou. Claro que isso rendeu diversas piadas (como o envio por uma delas da imagem acima), mas fiquei pensando nos motivos que nos levam a nos preocupar tanto com o tempo e com o seu transcorrer.

Eu já tive um relacionamento estável, daqueles de dividir a vida, as contas, os planos. E tinha uma grande convicção de que permaneceria nesse relacionamento até ficar bem velhinho e, enfim, morrer. Mas desde que me separei e passei a morar novamente sozinho, eventualmente me pego pensando nas implicações de ser só e de envelhecer assim. Eu tenho alguns palpites sobre o meu futuro (e ser uma Crazy Cat Lady é uma certeza absoluta) e evito pensar nos grandes problemas que pode ser eventualmente precisar de alguém em determinado momento da vida. Isso deprime a gente demais e eu não gosto de me sentir assim.

Afinal, apenas uma coisa é certa: o tempo não vai parar e, a cada dia, estaremos um pouco mais próximos do fim da nossa existência nesse planeta. Por mais que lutemos contra, as fotos do passado estão aí para nos mostrar que sim, estamos envelhecendo; as linhas de expressão insistem em aparecer em nossos rostos, seja para mostrar experiência ou apenas para marcar a nossa pele um pouco mais. Estamos envelhecendo. Estamos vivendo. Estamos morrendo.

E, a menos que a ciência dê um salto gigantesco, "em breve" cada um de nós dará adeus a esse grande passeio consciente que demos na Terra. E, ao pensar assim, o que você terá deixado para trás? Ou melhor, o que você está fazendo para que a SUA vida seja significativa? 

Eu tenho pensado nisso. Muito. E, enquanto isso, estou por aqui, vivendo. Ou tentando... 

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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