sexta-feira, 18 de maio de 2018

Mind the Gap





Enquanto aguardava a chegada do trem na lotada plataforma da estação do metrô de Botafogo, observava o vai-vém frenético das pessoas, com uma certa tristeza no olhar. De um tempo pra cá, passei a prestar mais atenção nelas, sempre ávidas por chegar a um lugar imaginário, conectadas a seus inseparáveis smartphohes, como seus . Por mais que estivessem em grupos, pareciam estar cada vez mais isoladas, aprisionados em uma ansiedade constante. Zygmunt Bauman, o grande pensador da modernidade e o criador do conceito da liquidez presente na sociedade sempre esteve corretíssimo.  

Não temos mais tempo para ouvir a voz dos amigos. O feliz aniversário cada vez mais se resume a congratulações via WhatsApp e daqui a pouquíssimo tempo, imagens paralinguísticas resumirão fins de relacionamento, desejos de um feliz Natal ou Ano Novo. Nos bares, não existirão burburinhos. O eletro-tuntz-tuntz-tuntz reverberado das caixas de saída de um laptop sem DJ ecoarão nos rostos iluminados pelas telas dos celulares. Rostos vazios sintetizados a emoticons.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Anitta Como Técnica do La Voz... Mexico?!





Semana passada foi o fim das inimizades musicais. Tudo começou com Katy Perry e Taylor Swift dando uma trégua na treta fortíssima que rolava; Cardi B e Nicki Minaj aproveitaram o Met Gala e também se entenderam. E para fechar com chave de ouro, Anitta e Maluma voltaram a se seguir no Instagram... Foi ou não uma semana abençoada para música? 

Mas se tem um ditado que aprendi com Larissa, com toda certeza é: ranço, uma vez instalado, não tem volta. Então não aceitei, assim como outras pessoas que conheço, tão de "boa" esse follow back entre a dona do pop brasileiro e o embuste comlombiano. Sabia que teria que existir um motivo para eles se seguirem de volta. Estava até cogitando um single entre Anitta, J.Balvin e Maluma. Mas parece que é muito maior do que isso.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Lembranças Permanentes




Dia das Mães, para quem ama, ainda tem e mora perto da sua, é aquela data de lei de ir visitá-la. Esse ano, minha mãe resolveu passar com a minha avó. A matriarca já está com mais de 86 anos e agora os filhos buscam estar com ela mais tempo possível.

Voltar à casa da minha avó é rever tantas coisas da minha vida... Meus pais já se mudaram duas vezes desde que nasci. Eu já me mudei três vezes depois disso... E minha avó permanece na mesma casa desde muito antes de eu vir ao mundo. Ou seja, talvez residam ali as minhas lembranças mais permanentes até hoje. 

Assistir aos meus sobrinhos brincarem com as filhas da minha prima pelos quintais da casa dela e da minha tia, que fica logo atrás, é quase que um remake da nossa infância. Até porque as crianças são incrivelmente parecidas conosco mais novos. 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Coé, Mãe?

A Leitura dos Gestos de Amor Materno, Pelos Olhos de Seus Filhos




Falar de mães é falar de Deus, pois no coração delas está o verdadeiro sentido do amor. Amor que serve como exemplo. Amor que nos é dado sem pedir recompensa, nem cobrança. Amor sem distinção, sem egoísmo; um amor que não mede esforços nem distância.

Tive o privilégio de, na vida terrena, ter duas mães. Uma, a biológica, infelizmente me deixou aos 43 anos, acometida de um derrame cerebral fulminante, que em menos de três horas a levou para morar no céu.... Na época eu tinha 13 anos e acho que ela instantaneamente virou um anjo da guarda para mim, porque me enviou outra (que ela escolhera para ser minha madrinha) e que a tem substituído de forma extraordinária durante os últimos 25 anos.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Sexo é Bom, Mas Quando é Ruim...




"O amor nos torna patéticos;
Sexo é uma selva de epiléticos..."
(Amor e Sexo - Rita Lee)

Ah, o sexo... Necessidade humana básica, né, mores? Quase sempre envolto por uma aura de prazer e satisfação, o ato sexual serve bem mais do que como forma de preservar a espécie humana, tendo se tornado um dos pilares da sociedade moderna. Ter uma vida sexual satisfatória é sinal de status, de auto-realização e quase uma obrigação. E sexo é bom pra caramba. Ou deveria ser... Deveria...

Porque tem o sexo ruim. Ou a falta de bom sexo. Ou aquela experiência BI-ZAR-RA que todo mundo já encarou um dia e ficou pensando: "OMFG, por que logo comigo?". Mas, fique tranquilo(a), você não está sozinho(a) no mundo de frustração.

Conversando com um amigo sobre uma situação sexual nada agradável onde ele se viu transando com alguém que ele denominou como o Galvão Bueno do Sexo, que narrava com detalhes o passo a passo do que estava acontecendo com os dois (Pode isso, Arnaldo?), eu tive a ideia da coluna de hoje. E, apesar de ter a minha cota de histórias um tanto quanto... peculiares, eu resolvi pedir ajuda pra galera que conheço e fiz uma postagem no Facebook pedindo ajuda. #SouDesses

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Chineladas




Qual o problema em ir ao shopping de chinelos? Eu não acho nada demais. Mas, acreditem: eu já fui muito criticado por isso. Uma vez um amigo me deu o maior esporro quando me encontrou de camiseta, bermuda e minhas inseparáveis Havaianas o aguardando na porta de um shopping, no Rio. Você vai entrar aqui assim? Óbvio que gargalhei na cara dele, segurei os chinelos na mão e entrei descalço, só para provocar ainda mais.

Essa semana o pessoal do Buzzfeed reacendeu essa polêmica. Alguém iniciou essa discussão no Twitter e Facebook dizendo que seria ridículo alguém entrar nos shoppings usando chinelos. Alguns defenderam, mas a grande maioria criticou, dizendo que era realmente muito vergonhoso. Não tem nada mais ridículo do que ir ao shopping de chinelo, puta que pariu, dizia um comentário. Juro que eu não consegui entender o porquê. Afinal, qual o problema nisso?

quinta-feira, 10 de maio de 2018

"As Gays Estão Salvando a Espelunca Deste País"




Foi exatamente o que li em um comentário de um vídeo musical no Youtube. Na hora, sem dúvida nenhuma, concordei com essa afirmação. Só olhar, por exemplo, o quanto as drags cantoras (Pabllo, Aretuza, Lia Clark, Glória Groove - ganhando mais evidências a cada dia) e as trans (Danna Lisboa, Linn da Quebrada e Assucena Assucena e Raquel Virgínia - vocalistas do grupo A Bahia e a Cozinha Mineira) estão conquistando espaço na cena musical brasileira. 

São músicas estourando nos streamings e festas de toda parte. Inevitavelmente esse é sim o certificado de sucesso na época de redes sociais e músicas online. Não somos mais reféns do que toca só na "rádio", mas do que viraliza musicalmente rede a fora. 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sobre Heróis e Humanos




Lá fomos nós ver Vingadores: Guerra Infinita. Sim, um filmaço, principalmente para quem é fã do universo Marvel e vinha acompanhando as histórias anteriores (admito que sempre fui mais afeito à DC Comics e cheguei a ter uma pequena coleção em casa de revistinhas muitos anos atrás). Um filme que trouxe um vilão cheio de complexidades e explicações e que amarra bem tudo o que se passou anteriormente. Mas, mais do que falar sobre a película, vim falar de heróis. Por que damos tanta audiência para eles?

O Super-Homem completou 80 anos recentemente. Lembro-me que, quando fui ao Museu da História Americana, em Washington DC, havia um capítulo para falar dele. Era um momento entre guerras mundiais, a Bolsa de Nova York havia quebrado tinha pouco tempo, os americanos ainda estavam se recuperando de vários baques e estavam prestes a enfrentar outro... Quando surge um ser meio humano, com o uniforme nas cores da bandeira estadunidense, para salvar o planeta Terra. Quem não queria, àquela altura, acreditar nisso?

terça-feira, 8 de maio de 2018

Ensaio Sobre Um Casamento Duradouro: Uma Dissertação Sem Fórmulas




Na última semana de abril, completei dez anos de casado. E esse tema tem me inspirado a escrever muitas coisas nos últimos dias. Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que seriam desaconselháveis os conselhos que queria dar, precisei reconhecer que, quase de certeza, só funcionariam na minha relação. 

Então, preferi dissertar sobre a instituição casamento à luz do meu olhar e da minha própria experiência e não expor uma receita de como conduzir uma relação. Afinal, as relações são unas em suas particularidades.

O casamento feliz não é nem um contrato nem uma relação. Relações, nós temos com toda a gente. Casamento é uma criação. É criado por duas pessoas que se amam. 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Pedra do Telégrafo e Praia da Reserva em Um Dia de Outono Carioca




Nunca fui uma pessoa muito chegada a aventuras no meio do mato. Talvez por ter nascido no interior do Rio, desde que me mudei pra capital eu nunca fui lá muito fã de aventuras, trilhas ou cansaço desnecessário. Lei do menor esforço mesmo, sem sombra de dúvidas. Eu pensava: o Rio já é uma cidade naturalmente linda, com cartões postais ao alcance dos olhos, pra que nome embrenhar no mato pra ver mais coisa? 🤷🏻‍♂️

Mas de um tempo pra cá eu tenho repensado isso e sendo profundamente agraciado pela mudança de atitude. Com amigos que curtem aventuras, já fiz algumas trilhas maravilhosas e, no último sábado, finalmente fui a um dos locais que verdadeiramente tinha vontade de conhecer devido às mil fotos de todo mundo que se arrisca a fazer trilha no Rio: a Pedra do Telégrafo.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Reflexões Sobre o Eterno Aprendizado




Hoje eu queria falar um pouco sobre internet e tecnologia.  Sempre achei que não fosse capaz de aprender a ligar um computador.  Minha geração foi aquela que nasceu após o baby boom pós-Segunda Guerra, a tão conhecida Geração X, que teve que enfrentar aquele futuro incerto e hostil, a ameaça nuclear e a epidemia da AIDS, exatamente quando estávamos com os hormônios à flor da pele.  Sempre digo que a Geração X é uma sobrevivente.

Fiz cursinho de datilografia e o máximo que eu vivi de tecnologia era poder jogar Enduro e Pitfall no velho Atari de guerra.  Não me recordo muito bem quando ouvi falar sobre internet pela primeira vez.  Mas lembro muito bem onde foi:  estava passando férias em Araguari, uma cidade do interior de Minas Gerais, onde parte de minha família reside até hoje.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Pra Quê Tanta Coisa?




Mudança. Estou iniciando mais uma de apartamento, depois de morar por dez anos em um mesmo local. E nessa fase de preparação de mudança é que vamos redescobrindo o que temos de objetos guardados e/ou acumulados em gavetas que não abrimos com tanta frequência. 

Por exemplo, no início dos anos 2000 eu tive minha descoberta musical. Entendi o estilo do que gostava de ouvir e que me ajudava a entender quem eu era naquele momento. Aproveitando também das promoções de R$ 9,90 das Lojas Americanas, acabei comprando muitos CDs. Alguns escuto até hoje, mas online. No Spotify, Youtube ou baixados em meu computador e transferidos para meu iPod. Mas já tem um bom tempo que não sei o que é colocar um CD em um aparelho de som. 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Música e Emoção




Poucas coisas na vida me tocam tanto quanto a música... Em geral, não sou muito de me emocionar com artes, mas a música tem a capacidade de me remeter a determinados sentimentos de uma forma instintiva, mesmo que não haja uma vivência prévia diretamente relacionada a ela.

Um desses exemplos que me vêm logo à cabeça é Forever Young, do Alphaville. Quando eu era pequeno, era comum torcar nas rádios. Eu não sei exatamente por que, mas imediatamente eu sentia algo melancólico, um aperto no coração, e despertava em mim uma crise sobre a minha existência: qual era o sentido da vida e da vida eterna que eu acreditava? Ficava agoniado imaginando que poderia morrer e, ao mesmo tempo, em viver sem fim. Isso tudo sem conhecer a letra, que falava de ser jovem para sempre...

terça-feira, 1 de maio de 2018

Sobre Estreias e Protagonismos





Quando recebi o convite para fazer parte da equipe do Barba Feita, imediatamente me veio o temor. Afinal, é um grupo de caras super descolados e inteligentes que, mesmo com estilos próprios, conseguem me encantar ao explorar assuntos tão diversos em um único local, sendo tão individuais na habilidade da escrita.

Essa então foi a chave para desenvolver meu texto: individualidade e encantamento. Sempre gostei de ler textos que me remetessem a uma viagem. Sim, gosto de me transportar para aquele imaginário que a leitura nos proporciona, viajando pelos lugares descritos pelos autores como uma espécie de transe. E gosto de escrever da mesma forma.

Sou leonino, noveleiro e, nas horas vagas, ator. Escrever sobre uma estreia, mas que tem gostinho de participação especial, tem todos os elementos que precisaria para desenvolver meu texto.