quinta-feira, 10 de maio de 2018

"As Gays Estão Salvando a Espelunca Deste País"




Foi exatamente o que li em um comentário de um vídeo musical no Youtube. Na hora, sem dúvida nenhuma, concordei com essa afirmação. Só olhar, por exemplo, o quanto as drags cantoras (Pabllo, Aretuza, Lia Clark, Glória Groove - ganhando mais evidências a cada dia) e as trans (Danna Lisboa, Linn da Quebrada e Assucena Assucena e Raquel Virgínia - vocalistas do grupo A Bahia e a Cozinha Mineira) estão conquistando espaço na cena musical brasileira. 

São músicas estourando nos streamings e festas de toda parte. Inevitavelmente esse é sim o certificado de sucesso na época de redes sociais e músicas online. Não somos mais reféns do que toca só na "rádio", mas do que viraliza musicalmente rede a fora. 

E vamos ser bem honestos que depois de Anitta, drag é a única "instituição" que anda funcionando neste país. Tanto que Glória Groove já anda ficando beeem pop a cada dia que passa. A diva acabou de gravar mais um feat para sua lista e, desta vez, com Léo Santana. Muito provavelmente essa nova parceria será lançada no final deste mês, e o nome da faixa é Arrasta. A cantora também está presente em uma canção do primeiro álbum da Iza. É drag dominando sim o mundo da música, meu amor. 

Mas foi meio que no susto que descobri uma nova cantora que tem tudo para causar. Urías, melhor amiga de Pabllo Vittar, lançou na semana passada sua versão para uma música do grupo O Rappa, Meu Mundo é Barro. A canção ficou com uma pegada mais reggae que a original. O que valorizou e muito a voz da cantora e que recomendo bastante que você pare o que está fazendo e ouça. 


Não sei se foi a voz, o clipe ou a coragem de jogar esse trabalho no mundo, mas fui impactado por esse primeiro contato de Urías com a música. Vindo em uma pegada mais Rihanna e menos diva, ela já consegue ter um espaço que ainda não estava sendo explorado musicalmente nos últimos tempos e que deve atrair muitos olhares e comentários positivos. 

Se em tempos que a liberdade anda sendo questionada, usar a música para se firmar é mais do que um "ato" político, é um statement de pura coragem e empoderamento. E isso que precisamos cada vez mais.... e mais!

Leia Também: 
Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
FacebookInstagram


3 comentários:

Joao Lacerda disse...

Espelunca é o que esse pai esta virando!!!! Cultura do lixo artístico.

claudio sena disse...

Não acredito no que leio, não pela orientação sexual, mas pela qualidade musical. Tenho pena de meus filhos, pois eu pelo menos vivi a decada de 80 onde a musica teve o auge e o fim.

Joao Lacerda disse...

nao saberia como me expressar melhor a respeito Claudio! Comentário perfeito!