terça-feira, 15 de maio de 2018

Coé, Mãe?

A Leitura dos Gestos de Amor Materno, Pelos Olhos de Seus Filhos




Falar de mães é falar de Deus, pois no coração delas está o verdadeiro sentido do amor. Amor que serve como exemplo. Amor que nos é dado sem pedir recompensa, nem cobrança. Amor sem distinção, sem egoísmo; um amor que não mede esforços nem distância.

Tive o privilégio de, na vida terrena, ter duas mães. Uma, a biológica, infelizmente me deixou aos 43 anos, acometida de um derrame cerebral fulminante, que em menos de três horas a levou para morar no céu.... Na época eu tinha 13 anos e acho que ela instantaneamente virou um anjo da guarda para mim, porque me enviou outra (que ela escolhera para ser minha madrinha) e que a tem substituído de forma extraordinária durante os últimos 25 anos.

Mas, esse texto não é para contar minha história, apesar dessa apresentação breve. É para falar de semelhanças. Qual a mãe que não tem as características (ou algumas delas, pelo menos) da icônica D. Hermínia, personagem vivida no teatro e cinema pelo ator Paulo Gustavo, em Minha Mãe é Uma Peça?

Qualquer semelhança pode ser mera coincidência... Mas que elas existem, certamente existem!

Nada melhor, então, para homenagear todas as mães (que tiveram seu dia comercial comemorado no último domingo – 13/05) do que (re)lembrar as frases que parecem ser as favoritas delas! Sério, com certeza você já ouviu, se não a sua, mas alguma mãe falando pelo menos uma dessas frases.

E parece que o momento eleito para proferir essas mensagens padronizadas pela Organização Internacional de Mães, é quando elas estão “p da vida” com você! Então, resolvi fazer um atrelamento entre aqueles sentimentos simbólicos que sempre que falamos de Mães, eles estão presentes, e uma forma bem-humorada delas colocarem eles em prática.

Leiam, identifiquem-se, divirtam-se, relembrem e amem, amem muito suas véias!

AMOR...
O primeiro e mais emblemático sentimento quando se pensa em mãe. Estão sempre prontas a dizer aos seus filhos o quanto os amam, demonstrando em discursos e gestos de aceitação o acolhimento incondicional.
Minha mãe é uma das mulheres que mais representam o lendário período de TPM! Já conheço só pelo "bom dia" que ela está com os ovários virados... E nesse período a descrição acima, fica interpretada de algumas formas:
“Um dia você vai ter filhos iguais a você, aí vai ver o quanto eu sofro!" 
“Tudo eu nessa casa! No dia que eu sumir, eu quero ver vocês se virarem! ”
“Você quer me matar, é?” (Esta, geralmente vem acompanhada de um pescotapa, após fazermos alguma besteira que lhe cause susto e angústia)
ENSINO...
Sempre dispostas a ensinar seus filhos. Ensinam-nos a fazer o bem, esclarecem as diferenças entre o certo e o errado, a sermos autossuficientes, independentes e capazes de realizar as coisas com excelência, enchendo-as de orgulho. Nos instruem constantemente, nos dando bons exemplos, contudo, permitem-nos que sejamos livres para aprender à nossa maneira.
Ultimamente minha mãe diz que não tem mais TPM (Oi? Não?). Não sei se é pior, mas ela anda dizendo por aí que está com IRA nos momentos de fúria kkkkk. Aí meus amigos... é assim que eu vivo a mensagem acima:
“Você achou isso aqui? Não. Então vai guardar no lugar certo! ” 
“Enquanto estiver no mesmo teto que eu, e eu te sustentar, vai fazer o que eu mandar! 
“Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo! ”
CORREÇÃO AMOROSA...
Nos dão espaço para errar e corrigem nossos erros com firmeza, mas com bondade. Entendem que sempre estamos aprendendo, e que por isso é tempo de errar. Evitam a correção irritante, agressiva ou humilhante para que não produza efeito contrário em nossa autoestima.
Esse item, no dia-a-dia, é o que tem mais ação do que argumento, vejamos:
“Quando você for dono do próprio nariz, você faz o que quiser.” 
“Tá chorando por quê? Pode engolir esse choro agora, senão vou te dar um motivo pra chorar, já, já!” 
“Tá pensando que tá falando com quem? Me respeita que não sou teus amiguinhos da rua, não.”

LIMITES...
Nos ensinam a ter limites para, futuramente, adquirirmos disciplina e sermos confiantes e não termos dificuldades de realização e cumprimento de tarefas. Por outro lado, entendem que se nós sentirmos que elas não podem controlar nosso comportamento, por vezes inadequado, poderemos nos sentir mais fortes que elas e tentarmos, de alguma maneira, manipulá-las.
Sem comentários, né? Diante da expectativa acima, vejamos a realidade:
“Me responde de novo, que eu te quebro os dentes!” 
“Me desacata pra ver se não coloco sua cara nas costas!” 
“Você me respeite, que eu sou sua mãe!” 
“Em casa a gente conversa.” (essa frase, na maioria das vezes vem acompanhada de um olhar fulminante quando fazemos alguma besteira em público)

REALIDADE...
São sempre diretas e realistas conosco. Não criam ilusões para que sejam destruídas mais tarde pelo mundo. São sempre honestas e não tentam ser infalíveis sempre. Tentam sempre ser elas mesmas e nos dão o mesmo espaço de ser quem somos. Nem sempre nos dão tudo o que desejamos evitando encobrir nossos erros, deixando-nos aprender que existem consequências para qualquer ato.
Geralmente representado pelas tradicionais frases de efeito da OIM (Organização Internacional das Mães):
“Quando eu tinha a sua idade eu já ajudava a minha mãe!” 
“Eu avisei, não avisei?” 
“Esqueceu? Bem feito! Só não esquece a cabeça porque tá grudada no pescoço.”

Apesar da leitura bem-humorada, elas sempre nos abraçam e nos beijam. Olham nos nossos olhos, sorriem para nós, brincam conosco e nos protegem quando somos pequenos (e até na fase adulta também!).

Nos lançam olhos de aprovação quando nos sentimos inseguros e permitem que encontremos em seus braços o prazer de um afago de felicidade ou embalo para as lágrimas de tristeza. São psicólogas, cozinheiras, médicas, faxineiras, enfermeiras, fisioterapeutas, rezadeiras. Todas em uma só. Talvez só as mães se entendam. Nós que não somos, não temos capacidade tão grande de decifrá-las. Porque elas pertencem a uma classe muito única. Só delas....

Então mamães, não mudem. Vocês são maravilhosas do jeito que são!

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Leandro Faria  
Julio Britto, carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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