quarta-feira, 16 de maio de 2018

Lembranças Permanentes




Dia das Mães, para quem ama, ainda tem e mora perto da sua, é aquela data de lei de ir visitá-la. Esse ano, minha mãe resolveu passar com a minha avó. A matriarca já está com mais de 86 anos e agora os filhos buscam estar com ela mais tempo possível.

Voltar à casa da minha avó é rever tantas coisas da minha vida... Meus pais já se mudaram duas vezes desde que nasci. Eu já me mudei três vezes depois disso... E minha avó permanece na mesma casa desde muito antes de eu vir ao mundo. Ou seja, talvez residam ali as minhas lembranças mais permanentes até hoje. 

Assistir aos meus sobrinhos brincarem com as filhas da minha prima pelos quintais da casa dela e da minha tia, que fica logo atrás, é quase que um remake da nossa infância. Até porque as crianças são incrivelmente parecidas conosco mais novos. 

Eu, minha irmã e meus primos sempre fomos muito grudados e tínhamos a imensa capacidade de brincarmos horas a fio juntos, numa era pré-computador. Estar na casa da avó era a certeza de poder passar um dia inteiro de brincadeiras, incluindo tentar invocar o espírito do meu avô através de uma amendoeira que ele plantou.

Lembro-me de tantas coisas de lá: de comer macarrão passado no alho e na manteiga; de ter vergonha de pedir pra minha avó pra não preparar café com leite porque eu não gostava; de contar caracóis no limo do quintal; de tentar encontrar mel na colmeia de abelhas que tinha no muro (e incrivelmente não ser picado); de comer a baguete que meu avô comprava religiosamente no fim do expediente; de tomar banho num chuveiro totalmente excêntrico para esquentar a água; de preparar perfume com flores do jardim pra dar de presente pra tia... Tantas coisas...

É engraçado estarmos no mesmo lugar, sermos as mesmas pessoas e, ao mesmo tempo, não sermos mais. Olhar para a minha avó com o amor de sempre e ser retribuído, mesmo que tenhamos nos tornado tão diferentes ao longo dos anos. Estar naquela casa e revisitar a criança que eu fui, numa época em que nem sonhava trilhar pelos caminhos onde passei, dá quase uma vontade de pedir pro tempo: "ei, psiu, seja menas".

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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