quarta-feira, 2 de maio de 2018

Música e Emoção




Poucas coisas na vida me tocam tanto quanto a música... Em geral, não sou muito de me emocionar com artes, mas a música tem a capacidade de me remeter a determinados sentimentos de uma forma instintiva, mesmo que não haja uma vivência prévia diretamente relacionada a ela.

Um desses exemplos que me vêm logo à cabeça é Forever Young, do Alphaville. Quando eu era pequeno, era comum torcar nas rádios. Eu não sei exatamente por que, mas imediatamente eu sentia algo melancólico, um aperto no coração, e despertava em mim uma crise sobre a minha existência: qual era o sentido da vida e da vida eterna que eu acreditava? Ficava agoniado imaginando que poderia morrer e, ao mesmo tempo, em viver sem fim. Isso tudo sem conhecer a letra, que falava de ser jovem para sempre...


Um dos filmes que mais me levou às lágrimas foi Filadélfia, protagonizado por Tom Hanks. Lembro-me de que assisti na tarde da minha formatura do Ensino Médio. Chorei tanto no final, mas tanto, mas tanto que fui para a festa à noite depressivo. Todo mundo feliz e celebrando... E eu mal, como se algo tivesse acontecido comigo. Meses depois, ouvi a música tema, cantada pelo Bruce Springsteen, Streets of Philadelphia, na rádio. E tive que trocar porque estava começando a chorar novamente...


Uma vez minha mãe deixou um DVD do Diogo Nogueira rodando e eu parei para ver um trecho. Ela ouvia da cozinha, eu deitei no sofá da sala para assistir. Sempre achei meio apelativas canções como Pai, de Fábio Junior. Mas não sabia o que me esperava quando conheci Espelho, que era do pai João Nogueira. Era uma homenagem dele para seu pai, avô de Diogo. Mas Diogo se apropriou e cantou para João. E eu chorei de soluçar com a letra. A ponto de assustar a minha mãe. Até hoje não posso escutar a essa música sem ficar mexido...


Mais recentemente, uma canção que entrou na minha vida foi The Greatest, da Sia. Eu não conhecia, até um dia em que estava bem pra baixo, com medo de perder meu companheiro. E ele me enviou o clipe legendado, que falava justamente de não desistirmos e de estarmos vivos. Aquilo foi um sopro de força incrível. E saber que a letra foi composta como uma homenagem às vítimas do atentado à boate gay em Orlando (crime que ocorreu na noite em que eu comemorava meu aniversário e o dia dos namorados) mexeu ainda mais comigo. Acabou virando o tema do nosso relacionamento.


As razões por ter essas conexões especificamente com a música eu não sei muito bem. Logo eu, que encontrei na arte escrita meu caminho e nunca tive qualquer tino para o meio musical quando era mais novo. Creio que, na verdade, o papel da música seja muito mais falar ao coração do que aos ouvidos.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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