segunda-feira, 7 de maio de 2018

Pedra do Telégrafo e Praia da Reserva em Um Dia de Outono Carioca




Nunca fui uma pessoa muito chegada a aventuras no meio do mato. Talvez por ter nascido no interior do Rio, desde que me mudei pra capital eu nunca fui lá muito fã de aventuras, trilhas ou cansaço desnecessário. Lei do menor esforço mesmo, sem sombra de dúvidas. Eu pensava: o Rio já é uma cidade naturalmente linda, com cartões postais ao alcance dos olhos, pra que nome embrenhar no mato pra ver mais coisa? 🤷🏻‍♂️

Mas de um tempo pra cá eu tenho repensado isso e sendo profundamente agraciado pela mudança de atitude. Com amigos que curtem aventuras, já fiz algumas trilhas maravilhosas e, no último sábado, finalmente fui a um dos locais que verdadeiramente tinha vontade de conhecer devido às mil fotos de todo mundo que se arrisca a fazer trilha no Rio: a Pedra do Telégrafo.

Aproveitando que Mey, uma amiga que mora fora do Brasil, está nos visitando, organizamos um grupo de cinco e madrugamos no sábado para chegar ao nosso objetivo. Assim, às 6h30min já estávamos Mey, Thiago, Suzana, Johnny e eu a caminho do nosso objetivo.


Como a Pedra do Telégrafo fica lá pros lados de Guaratiba, naquele lado do Rio que a gente quase esquece que é Rio, preparar-se é necessário. E conhecendo a fama do local de acumular fila de pessoas logo cedo para tirar foto no ponto turístico, não nos arriscamos a ser muito surpreendidos. De carro, a viagem da zona sul até à zona oeste foi bastante tranquila. Pouco trânsito num sábado de manhã, animação dentro do carro e chegamos ao início da trilha por volta das 7h:30min. Depois de estacionar e pegar os itens necessários, partimos, subindo a caminho da Pedra do Telégrafo. 

A trilha tem nível moderado, sendo uma subida bastante íngreme em alguns pontos, mas nada que exija grandes esforços. Conversando, quase não da pra ver o tempo da subida passar. E, um pouco mais no alto, a vista da Restinga da Marambaia é um deleite aos olhos, com praias lindas demais para serem apreciadas. 

Uma vantagem dessa trilha é o fato de ela ser praticamente inteira na sombra, com árvores protegendo o caminho até a chegada na Pedra do Telégrafo. E, em um dia de sol, o frescor dessa sombra foi mais que apreciado. 

Apesar de chegarmos cedo, outras pessoas também foram espertas e chegaram antes da gente. Já havia uma pequena aglomeração esperando seu momento de subir na Pedra e tirar uma foto ali, com um efeito maravilhoso que o ângulo da pedra proporciona, com a ilusão de perigo ao estar na beira de um abismo.  Mas é aí que vem o segredo que, convenhamos, todo mundo deve imaginar: a Pedra possui um platô que permite a todo mundo fingir estar na beira de um penhasco e tirar fotos divertidas sem efetivamente estar correndo risco algum. É uma ótima ilusão que gera fotos maravilhosas como as desses texto, mas extremamente seguro. Mas o que vale é o clique, né? Afinal, todo mundo é feliz e aventureiro no Instagram! 🤣

O chato é realmente esperar. Porque sim, tem gente sem noção no mundo. Mesmo com uma fila de pessoas esperando para tirar fotos, tem gente que se acha realmente dona da Pedra e fica lá por horas tirando mil fotos e atrapalhando todo o processo. Uma família em especial demorou mais de uma hora fotografando, o que foi a parte mais chata do passeio. Só como comparação, meu grupo de cinco pessoas não demorou nem 15 min tirar todas as fotos que queríamos. É empatia que fala, né?


Para descer, fomos um pouco mais devagar. Como o terreno é íngreme e um pouco escorregadio, é bom tomar cuidado. Mas, na companhia dos amigos e com a conversa fluindo divertidamente, tudo é alegria. 

E depois de subir, descer, se exercitar e se cansar, o que faltava para melhorar ainda mais o dia? Praia, companheiros. Essa região da zona oeste possui praias lindas, bem menos movimentadas que as da zona sul, e que eu não frequento muito por motivos de estarem um tantinho longe de mim. Mas uma vez lá e com um dia exuberante, parar na Praia da Reserva seria inevitável. 

O dia de outono no Rio estava maravilhoso. Céu azul, sol brilhando, um espetáculo visual e uma água gelada à primeira vista. Mas encaramos e, depois do primeiro mergulho, que delícia foi ficar curtindo o mar. Não sei se é impressão, mas o mar na Reserva me pareceu mais limpo e a água mais cristalina que as das praias que frequento (normalmente Leme ou Ipanema/Leblon). E ter a praia quase que exclusivamente pra gente, com um salva vidas do lado curtindo preguiçosamente seu dia de trabalho e apenas uns poucos gatos pingados à nossa volta foi a cereja do bolo. 

Na volta pra casa, já no fim do dia, a cantoria dominou o carro e fui apresentando pros meus amigos por fora da breguice os hinos do momento. Cantamos Simone & Simaria, Anitta, Pabllo Vittar, Gloria Groove e, é claro, rimos bastante. 

Aos meus companheiros de aventura, os meus agradecimentos. Mey, Su, Thiago e Johnny, o dia foi especialmente maravilhoso.


Aos meus possíveis leitores, fica a dica: estique as canelas, divirta-se numa trilha, aproveite as paisagens que o Rio nos oferece. E, se optarem por ir até a Pedra do Telégrafo, saiam cedo e deslumbrem-se com a paisagem e com a aventura. Vale muito a pena!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Eduardo Carvalho disse...

Na verdade, estaé a pedra da bigorna, pois a pedra do telégrafo fica no cume desta montanha.