segunda-feira, 21 de maio de 2018

Relativismo Moral





Começo esse texto deixando bem claro: eu não sou nenhum exemplo de moralidade. Tenho meus princípios e valores e vivo bem com eles; entretanto, sei que cometo meus pecadilhos por aí. E também vivo bem com isso. Poderia melhorar em alguns aspectos da minha vida cotidiana? Certamente. E estamos nessa existência buscando isso e acertando as arestas diariamente. 

Dito o acima, preciso falar sobre algo que me irrita profundamente: relativismo moral. E, em tempos de polarização (principalmente política) essa questão fica ainda mais evidente em nossas relações interpessoais. Todo mundo prega a moralidade à todo custo, sem se dar conta que, sejamos sinceros, vive fazendo merda a torto e a direito por aí.

A gente adora apontar o erro dos outros, não é mesmo? E, apesar do clichê, se esquece dos outros quatro dedos apontados para si enquanto enumera o erro alheio. Fica-se tão cego pelo erro do amiguinho que se esquece que o inferno não acolhe ninguém apenas pelo tamanho do pecado. Sinto dizer e acabar com o seu sonho celestial, mas o Diabo, se existir, abraça todo mundo. E a festa lá há de ser open bar.

Eu acho engraçado quando vejo, por exemplo, discussões políticas. Porque atualmente parece que todo mundo realmente emburreceu totalmente. Esquerda e direita se digladiam, principalmente nas redes sociais, com cada lado apontando o erro alheio e as suas próprias virtudes, mas se esquecendo que nessa seara não existem bandidos e mocinhos e só, perdoem-me a generalização, um bando de filhos da puta que utilizam-se o poder para atingir os próprios objetivos. Muitos políticos, inclusive, transitam lindamente pelos dois espectros da polarização, e cagam e andam para as discussões e seus participantes.

Defesas cegas de políticos diversos são uma coisa que me dão uma preguiça absurda. Acho que só por estar no meio político a pessoa já perdeu um pouco da sua hombridade. É uma opinião bastante particular, mas realmente acredito que são pouquíssimos aqueles que não se corrompem depois de estarem nesse meio; é muita lama para manter-se limpo e ilibado. E, enquanto isso, assistimos à discussões patéticas entre seus fanboys e fangirls, que são incapazes sequer de se dar conta do ridículo que é prestar-se a advogar por pessoas que nem sequer pensam em sua existência. 

É o que vejo muito também em grupos ditos cristãos e evangélicos. Eu, que tomei verdadeiro asco da religião em sua forma organizada, não tenho problema algum em apontar a hipocrisia reinante nesses grupos e pessoas em particular. Os defensores da moral e dos bons costumes são, em sua maioria, o pior que a espécie humana produziu e é esse um dos motivos para que eu, um agnóstico convicto, ore todos os dias pelo arrebatamento: o mundo seria um lugar bem melhor sem essa gente por aqui.

É um assunto espinhoso e que rende inúmeras discussões. Mas que vem pairando sobre as minhas ideias com uma certa frequência ultimamente. O mais engraçado é que ao pensar na moralidade atualmente em vigor, eu quase sempre volto à minha formação religiosa (sim, ela existiu) e me lembre do relato bíblico do livro de João, capítulo 8, dos versículos de 1 a 11, quando Jesus confronta um grupo de judeus que apedrejavam uma adúltera devido ao seu pecado. Você deve conhecer a história e, principalmente, a famosa frase proferida por Jesus e que deu fim ao apedrejamento da mulher:
"Que atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado."
Se fosse hoje em dia, Jesus estaria feito: poderia construir um castelo, dada a abundância de material de construção que seria atirado em sua direção...

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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