terça-feira, 29 de maio de 2018

Ser Aceito ou Rejeitado? Qual o Preço Você Está Disposto a Pagar?





“Escrever sobre comportamento, sem parecer tendencioso ou presunçoso em fazer com que as pessoas pensem como você, é algo bastante desafiador”. Essa era uma das frases que figuravam em meu primeiro texto escrito aqui no Barba Feita (Sobre Estreias e Protagonismos – 01/05/2018).

Na verdade, a coluna de hoje pode ser considerada uma resposta ou um complemento à que escrevi na semana passada (Abaixo à Chatice dos Politicamente Corretos! – 22/05/2018), quando muitos concordaram e tantos outros discordaram. Que bom! “Às vezes, levantar discussões com suas ideias é muito mais produtivo do que simplesmente submetê-las à aceitação do outro”, também dizia o texto.

Penso então que o diferente (personalidade, aparência, ideias) causaria o estranhamento? Nem sempre, pois quando você se propõe a ser diferente do comportamento ou ideias de um determinado grupo, mais se aproxima e se torna igual a outro. Todavia, assim você se encaixa por opção e não por imposição.

E diante de considerável rejeição e críticas ao meu texto (que não me fizeram mudar o pensamento), paro para refletir sobre o que nos faz desejar a aceitação? Talvez seja o medo do não-encaixe, da rejeição.

Onde ser diferente, ter sua própria identidade pode não ser encarado pelo outro como uma coisa boa, as pessoas buscam cada vez mais serem iguais umas às outras. Consciente ou inconscientemente. Essa busca por este bom, é monótona, árida, a ponto de me incomodar.

Nesta padronização, a meu ver, existe uma ausência de criatividade e de impressão pessoal. Neste caso, apenas aperfeiçoamos o discurso do outro, com elementos nossos, para que sejamos aceitos com as ideias deles mesmos. O que não quer dizer, que muitas das vezes, de fato, não condescendamos com elas e as aceitemos de verdade. Mas como diz aquele meme: eu não sou obrigado!

Todos, em maior ou menor grau, precisam de uma dose de aprovação externa. Como disse Steve Jobs “não permita que o ruído das opiniões dos outros abafe sua voz interior”. Uma frase sábia que é fácil de entender, mas difícil de colocar em prática. Todo ser humano deseja agradar, se sentir lisonjeado. O que não é algo necessariamente negativo, desde que não seja excessivo e o bem-estar pessoal não dependa disso.

Mas não acho que agradar aos outros seja um defeito, pelo contrário. Indivíduos que agradam tendem a se tornar queridos pelas pessoas à sua volta. O agrado traz retorno, seja pela felicidade do outro, seja pela satisfação pessoal de se fazer o bem. É claro que, às vezes, é preciso fazer o que não se gosta em benefício do grupo (isso acontece a todo tempo no trabalho, por exemplo), mas ninguém deve se tornar escravo desse comportamento.

Toda vez que tivermos que tomar uma decisão deveríamos nos fazer estas perguntas: “Com base em que estamos tomando esta decisão? A opinião e o desejo dos outros influencia e impacta em que grau da nossa vida particular? O que nós desejamos, deixando de lado a opinião social? ”

Não valemos menos nem mais que os outros. Todos somos iguais enquanto cidadãos (mesmo diferentes), não importam os êxitos conseguidos, nem as posses, nem a autoconfiança. O que importa é quem você é como pessoa, os valores humanos que definem sua conduta dentro do que você acredita como bom (ou não).

As reprovações não significam uma rejeição a nós, necessariamente. E não posso - nem devo - me sentir mal por isso. Ultimamente, qualquer crítica é tomada como algo pessoal, quando na verdade pode ser uma rejeição a um gosto, estilo de vida, opinião, etc. Por exemplo, alguém poderia desaprovar suas atitudes por um gosto musical (eu por exemplo, amo a Gretchen) ou por contradições políticas (Fora Temer, e Crivella também!). Isso não significa que estamos sendo rejeitados como pessoa, é somente uma questão de gostos incompatíveis.

Arrisco-me a concluir que, paradoxalmente, as pessoas que não pensam em aprovação o tempo todo, costumam ser mais aceitas do que aquelas que a procuram. Talvez a explicação seria que o diferente às vezes agrada mais do que o concordante, pela contundência de levantar discussões e reflexões. Então, seja você mesmo sem buscar essa aprovação que vá contra seus pensamentos e crenças ou, o que simplesmente seja em função do que define a sociedade como comportamento recomendável. Eu escolhi manter minha opinião, mesmo sendo polêmico ou desaprovado em algumas delas.

Então, caro leitor, seja você quem for, de qualquer sexo, credo, etnia, nacionalidade, tenha as virtudes que tiver, você nunca vai agradar todo mundo. Alguém sempre irá nos criticar e reprovar, e isso acontecerá a todo ser humano neste planeta. Basta você estar preparado para encarar isso como um comportamento humano normal sem maiores frustrações. É a vida!

Leandro Faria  
Julio Britto, carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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