segunda-feira, 25 de junho de 2018

Além do Homem: Quando a Pretensão Encontra a Chatice





Há muito que o cinema brasileiro vem explorando outras possibilidades narrativas e criativas. E, apesar de vivermos ondas em que determinados gêneros dominam as telas (favelas movies, comédias escrachadas), a produção nacional tem se mantido produtiva, explorando gêneros diversos. Pena que, muitas vezes, não sendo bem sucedida no básico, seja em qual gênero se aventure: entregar um bom filme aos espectadores.

Fui para a sessão para críticos de Além do Homem sem nenhuma expectativa. Eu não tinha lido nada sobre a produção e vi apenas os nomes do elenco. Logo, fui de peito aberto, sem qualquer pré-julgamento para com a história. Mas, depois de menos de meia hora de filme eu já estava completamente entediado e quase implorando para que a sessão (de tortura) acabasse.

Estrelado por Sergio Guizé, Fabrício Boliveira e Débora Nascimento, o filme conta a história Alberto Luppo, um brasileiro radicado há anos em Paris, sem vontade alguma de voltar ao seu país natal. Escritor tentando vender a ideia de um livro, é convidado a voltar ao Brasil para investigar o mistério da morte do antropólogo francês Marcel Lafavre, supostamente devorado por canibais em uma expedição pelo interior brasileiro. Uma vez no Brasil, recebe a ajuda do taxista Tião e se encanta com a brasileira Bethânia, enquanto entra em uma verdadeira viagem transcendental de autoconhecimento. 

Gostou da sinopse? Pois então, ela engana bastante,  já que dá a entender que trata-se de um filme minimamente interessante. Não é. O filme tem um começo promissor quando conhecemos Alberto, personagem de Sergio Guizé, em Paris, mas quando a história atravessa o Atlântico, nossa, quanta chatice. O personagem parece mergulhado em um grande sonho e o filme não se decide se estamos acompanhando uma história de terror, uma alucinação ou um drama filosófico. E, entre personagens bizarros, situações absurdas e muitas paisagens e frases feitas e clichês, a gente só sente sono. 

Com uma duração de 1h34min, o filme parece muito mais longo do que efetivamente é. Me peguei diversas vezes olhando o relógio e implorando para que aquilo acabasse. É um longa tão pretensioso e que parece levar tão a sério seu objetivo de contar aquela história-fábula-sonho-conto, que não acerta em nada, sendo apenas tedioso. 

Chegando aos cinemas na próxima quinta, 28/06, fica a dica: passe longe. A menos que você seja um apreciador de uma boa soneca na sala escura do cinema.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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