segunda-feira, 11 de junho de 2018

As Eleições 2018 e a Ameaça Ultraconservadora




"Por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina:
Eles venceram e o sinal está fechado para nós que somos jovens...

Junho de 2018. Faltando quatro meses para as eleições presidenciais, ainda não há candidaturas "oficiais" ao cargo mais importante do país e o resultado de pesquisas de intenção de voto são alarmantes. Motivados por uma série de questões, os eleitores parecem divididos entre um pré-candidato preso (Lula) e outro que, além de tremendamente conservador, agrega bastante polêmica ao seu nome (Jair Bolsonaro). 

Na última semana de maio, dois institutos de pesquisa tradicionais liberaram seus resultados sobre as intenções de voto para as eleições 2018. De acordo com o Ibope, Bolsonaro, pré-candidato pelo PSL, aparece tecnicamente empatado com Lula, do PT. Já pelo Vox Populi, Lula mantém uma ligeira vantagem contra qualquer candidato, mesmo estando preso há dois meses em Curitiba.

Mas não é preciso nenhuma pesquisa ~oficial~ para nos depararmos com esse tipo de resultado. Experimente, por exemplo, prestar atenção aos comentários durante o seu cafezinho em seu local de trabalho, ou ouvir um motorista de táxi. A polarização política que toma conta do país desde as eleições de 2014 e que se agravaram com o impeachment de Dilma está borbulhando nas ruas e, principalmente, nas redes sociais. E eu tenho medo, muito medo, do que está por vir. 

É importante lembrar que essa """nova""" onda política não é uma exclusividade brasileira. O mundo parece engolido por um avanço da direita ultraconservadora, sendo a eleição de Donald Trump, nos EUA, o maior exemplo disso, mas não o único. Parece que uma geração inteira se opõe a tudo, principalmente à direitos conquistados e avanços conseguidos anteriormente, e buscam por um retrocesso, sem se dar conta de que o que desejam é, na verdade, um tiro que pode atingí-los mortalmente.

Uma reportagem da Época de dias atrás fala sobre os paneleiros arrependidos, devido aos acontecimentos que se seguiram ao impeachment de Dilma, culminando no desastre que presenciamos hoje. Entretanto, o que mais vemos à nossa volta são fantoches em mãos desconhecidas e sendo usados ao bel prazer de interesses maiores e sem se dar conta disso. Já não causa surpresa vermos negros reproduzindo racismo, gays reproduzindo homofobia e mulheres reproduzindo misogenia. É o oprimido, que continuará cada vez mais oprimido, reproduzindo o discurso do opressor sem se dar conta da própria ignorância.

Eu chamo esse comportamento carinhosamente de burrice. E sim, tem MUITA gente burra ao nosso redor, na vida, nas timelines. E eu não consigo entender o que se passa. Porque conheço muita gente que, por exemplo, leu e viu todos os filmes de Harry Potter, se encantou com tudo ali, principalmente com a luta do sistema contra uma ditadura (sim, a história é uma alegoria sobre isso, não seja imbecil ao não perceber) e que cresceu e hoje declara voto em Bolsonaro, como um verdadeiro bolsominion

Tá faltando inteligência, de verdade. Parece que uma grande maioria faltou às aulas de História e não sabe o que uma ditadura (ou intervenção militar, como preferem alguns) significa. E, além dos burros e dos fantoches, existem os mal intencionados mesmo. São esses que alimentam as fake news (ou caôs, em bom carioquês), alardeando os mais sugestionáveis e ignorantes. São esses os mensageiros do caos e do medo.

A todo mundo que acha que uma intervenção ou um governo de um imbecil como Bolsonaro é "necessário" para consertar a bagunça generalizada que estamos vivendo, eu tenho uma sugestão. Sei que é perda de tempo, pois uma coisa que falta à sociedade atual é interpretação de texto, mas não custa tentar. A série The Handmaid's Tale pode ser um tapa na cara e sádica para muitos, mas é aquele tipo de história que pode ilustrar para onde estamos caminhando, ao apresentar um futuro tenebroso graças à ideias aparentemente salvadoras que parecem ganhar raízes em nosso presente. 

Eu já disse e volto a repetir, sem vergonha de admitir: eu tenho medo do que nos espera. Mas também tenho esperança. A onda ultraconservadora existe e está ganhando impulso. Mas que ela seja apenas uma onda, que perca sua força e torne-se  novamente uma marola.

Tomara!
(...) mas é você que ama o passado e que não vê 
que o novo sempre vem..."
Como Nossos Pais (Elis Regina)
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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

2 comentários:

TheQuedolaomer disse...

É MELHOR JAIR SE ACOSTUMANDO!!!!

Galvam disse...

Interessante! Depois de 13 anos de destruição econômica, social, do país você tem a coragem de dizer "Ameaça ultraconservadora?" Um pouco sem noção não é? Ou não reconheces a tremenda presepada que fizeram! E sem essa de tirar a Dilma e puseram o Temer que piorou! Oras, o governo petista tinha maioria no congresso apoiado por todo o restolho esquerdista mais os mercenários do centrão! Ao governo atual (não que eu o aprove!) restou o próprio partido e novamente os mercenários que não foram suficientes para aprovar medidas essenciais ao país! Os mesmos partidos de esquerda juntaram-se para obstruir tudo de coerente e necessário que este governo tentou fazer! Eles preferem o país sangrar do que alguém consertar a merda que fizeram! Interesse no povo nenhum! Querem é poder! Sai dessa vibe de esquerda e olhe para o país antes de tudo!