quarta-feira, 13 de junho de 2018

O Aniversário e o Reencontro




Essa semana é aquela em que eu comemoro o meu aniversário e o Dia dos Namorados. Com a diferença de que, pela primeira vez, resolvi pegar férias nesse período e viajar. Escolher um lugar para ir em junho no Brasil tem que se pensar bem no tipo de turismo que se quer... No meu caso, queria voltar a aproveitar um pouco de praia e sol e conhecer algum lugar novo. Foi quando tive o estalo de ir para a Paraíba.

A Paraíba não era exatamente uma novidade completa para mim, embora recheada de experiências novas. Meu pai é nascido no Estado, mais precisamente em Mogeiro, na entrada do Agreste, entre João Pessoa e Campina Grande. Mas a última vez que estive nessas bandas foi há 27 anos e lembrava de coisas muito pontuais, além de nunca ter ido à capital. 

No roteiro que tracei, começamos a viagem por Pernambuco, passando um dia entre Recife e Olinda com meus primos que moram lá. Eu não ia a essas cidades havia 10 anos também... Depois disso, partimos para Campina Grande, onde presenciamos a festa do maior São João do mundo.

Realmente, os festejos por lá são dos maiores que já vi, lembrando um Rock in Rio de arraiá. Uma decoração linda e uma festa efetivamente montada para o povo, que evidencia as diferenças regionais em nosso país: por lá são tratados como celebridades cantores que sequer fazem grande sucesso nas grandes cidades do Sudeste. 

No caminho de Campina Grande para o litoral, fiz questão de passar em Mogeiro. Exatamente no dia do meu aniversário. A cidade não tem nada: algumas ruas simples e uma economia que gira em torno da fábrica da Alpargatas e da própria Prefeitura, além daquelas que vivem da agricultura de subsistência. Foi de lá que meu pai saiu aos 14 anos, em 1972, pra tentar a vida no Rio de Janeiro, no que deu origem à minha família e a mim. 

Eu não ia a Mogeiro havia 27 anos. A última vez que fui lá eu estava perdendo dente de leite ainda (lembro-me de ter engolido um incisivo sem querer). Tinha na memória alguns episódios na cidade das três vezes em que estive lá, mas muito do que eu trazia comigo eram narrativas do meu pai e dos meus tios, que chegaram a resultar em um livro fabulesco que eu comecei a escrever anos atrás, mas parei. 

Pude ir à antiga casa dos meus avós, já falecidos, na via principal da cidade. Hoje restam apenas paredes: a casa está abandonada e o telhado desabou. Porém, através da grade da entrada, revivi aquela casa ainda de pé, quando eu dormia no chão e usava água estocada em barris de barro, nas vezes em que fui visitar meus avós. Começar meu novo ciclo dessa forma teve um grande significado para mim, depois de tantos anos sem me deparar com aquele local e aquelas memórias.

Ir à Paraíba é também uma ótima oportunidade para quebrar preconceitos daqueles que acham que tudo se parece com o que vimos em O Auto da Compadecida. Sim, ainda há muito disso nas cidadezinhas (como em Mogeiro, que continua parada no tempo, brejeira, pequena, pacata e pobre). Mas há grandes cidades e muitas experiências no estado de onde 50% do meu DNA vieram. Além da visita afetiva, no meu caso, a Paraíba merece ser conhecida ainda por muita gente.


Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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