segunda-feira, 4 de junho de 2018

Rotinas





A gente vive ouvindo dicas do que fazer pra quebrar a rotina, pra fugir da mesmice, pra fazer sempre algo novo e diferente. Que o mais do mesmo não é legal e que devemos fugir da obviedade da vida. Mas, me pego pensando, e quando a gente gosta da nossa rotina, de seguir os planos, de manter a calmaria da obviedade?

Eu sou, normalmente, uma pessoa bastante organizada. Sou pontual e gosto de seguir regras. O que me leva a ser alguém que aprecia a rotina. Mesmo assim, manter uma rotina não é algo frugal. Porque até pra seguir uma rotina é necessário organização. Mas, pode ser a chamada maturidade (palavra bem melhor de ser dita que "idade", né?), mas venho me apegando cada vez mais a manter a rotina em dia, o que para mim vem acompanhado apenas de benefícios.

Apenas como um exemplo, desde que transformei em rotina as minhas atividades físicas, parei de sofrer com a ideia de executá-las. Assim, sei que tenho treino na academia três vezes por semana, assim como também tenho corrida no Aterro em outros três, deixando sempre um dia de ócio feliz para mim. E pronto, é uma obrigação, eu tenho que fazer, coloquei na rotina e vamos lá, sem grandes sofrimentos. Mesmo que para correr eu tenha optado por acordar às 6h da manhã às terças e quintas e isso envolva estar morto de sono às 22h nesses mesmos dias. 

O problema é que, para muitos, a palavra rotina vem cheia de negatividade. Envolve o acordar cedo e enfrentar transporte público (de baixa qualidade) para chegar ao trabalho e fazer uma atividade que não é a alegria da maioria de nós, por pelo menos oito horas consecutivas diariamente. É o mais do mesmo, a repetição óbvia e sem graça, a frequência de atos muitas vezes sem sentido. É o preço alto por baixo retorno.

Entretanto, eu aprecio o controle, conhecer os processos e poder fazer planos. E somente uma rotina planejada me permite fazer isso. Então, eu sei a hora que vou acordar, o que realizarei durante o dia, quanto tempo livre eu terei depois que chegar do trabalho.

É também a rotina que me permite fazer programações antecipadas, como projetos grandes (como um particular que estou focado no momento) ou até mesmo o planejamento necessário de uma viagem. Vejam só que interessante, já que é a própria rotina que me permite me programar para quebrar a rotina.

Não estou dizendo que se apegar aos seus atos cotidianos como eu faço seja a única opção válida. Somos humanos e diferentes por natureza e é essa a grande graça da vida. Estou apenas compartilhando que, para mim, a rotina não é uma vilã, muito pelo contrário. E ao fazê-la de minha aliada eu consegui aquela pequena felicidade de ficar bem comigo mesmo e com o que realizo rotineiramente. Ainda bem.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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