quinta-feira, 14 de junho de 2018

Stalker, de Tarryn Fisher




Se existe algo que arruina a vida de qualquer leitor, com toda certeza ela se chama ressaca literária. Acaba acontecendo sempre quando se enfrenta um livro que é longo demais ou tedioso. Acredito que ainda estou com alguns desses vestígios desde que finalizei Piano Vermelho, de Josh Malerman, autor do viciante e mega recomendado Caixa de Pássaros, mas que não repetiu sua boa performance nesse segundo livro. Que, sério, fuja o quanto for possível. 

Tudo bem que consegui ler uma segunda obra este ano, mas FlashForward foi um daqueles livros que eu olhei para ele e ele me olhou e rendeu uma boa leitura. Depois me aventurei com um bom HQ e mais nada. NADA! Isso até receber a segunda caixa da TAG Inéditos com o livro Stalker, da Tattyn Fisher. O livro apresenta elementos que me cativam. É de mistério e possui uma personagem que é completamente desequilibrada. Quando dei uma leve folheada, percebi que a escrita da autora é das mais interessantes, assim como o enredo que ela montou. O resultado? Viciado em cada página dessa história intrigante. 

O livro nos apresenta Fig, uma mulher que tenta seguir sua vida após sofrer um aborto. Mas um belo dia, enquanto passeava por um parque, ela acaba se encantando com uma menininha que teria a idade de sua filha. Você já sentiu o cheiro de tragédia no ar, não é mesmo? Esse fio condutor da história é meio que batido. Já vimos em outros livros e filmes que mostram a obsessão de uma pessoa por uma criança e todo o drama que isso traz. Mas aqui existe uma reviravolta no enredo, acredite em mim. 

Fig possui uma terapeuta e conta para ela dessa fixação na criança. Admite que acabou seguindo a garota e sua mãe até em casa, mais por curiosidade do que qualquer outra coisa. Ela ainda assume que ficou um tempo olhando a casa na espera do pai. Ela tinha a necessidade de saber se a menina havia puxado mais ele do que mãe. Após ouvir de sua terapeuta que essa conduta não seria muito saudável e revelaria um alto grau de ideia fixa, Fig decide desistir da terapeuta (lógico) e acaba se mudando para a casa ao lado da família que passou a observar com tanto afinco. 

A curiosidade pela vida daquela família acaba aproximando a nova vizinha de Jolene, a mãe, que não tem ideia das intenções da moradora da casa ao lado. Aos poucos elas ficam próximas, melhores amigas... Fig passa a conviver não só com Jolene e a filha, mas também com o marido, Darius, que acaba por se tornar uma nova peça desse jogo. 

Se de início sabemos que Fig possui um parafuso a menos, aos poucos essa certeza vai mudando. Vemos uma opinião sensata aqui. Concordamos com ela ali... E fica claro que existe muito mais acontecendo na vida daquela família do que poderíamos supor no início. Darius não é só o bom e dedicado marido. Ele pode ter um outro lado que só Fig consegue ver. 

O livro é divido em três atos e cada um é narrado por um ponto de vista: Fig, Darius e Jolene. A minha única crítica fica por conta de alguns acontecimentos. A autora não parou em um ponto e foi narrando toda a trama pelo ponto de vista dos outros personagens. Vamos até um certo momento da história com a narração de Fig. Depois, Darius, é quem vai nos dizendo o que vem se passando na vida de todos. Por fim, Jolene é quem nos entrega o desfecho de toda trama. 

No fim, Terryn acaba mostrando um pouco de cada um desses três personagens e tudo isso em uma escrita das mais viciantes, acredite em mim. Espero que muito em breve a obra esteja disponível para todo o público, por enquanto ela foi disponibilizada na caixinha da TAG Inéditos.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Blog do patrick disse...

Essa ressaca literária veio a mim após ler Caixa de Pássaros. Gostei tanto desse, que li em umas 5 horas, sem interrupções. Agora tô com uma dificuldade tremenda pra começar outro livro. Agora sobre esse Stalker, achei bem interessante essa narrativa vinda de diferentes personagens, que aliás foi o que me chamou atenção no Caixa de Pássaros, a narrativa em contraste com presente e passado e também com os pensamentos da protagonista. Fiquei curioso pra saber se vai ser uma pegada mais A Usurpadora ou talvez como A Invasora.