quinta-feira, 5 de julho de 2018

A Morte Te Dá Parabéns: Sustos e Um Roteiro Espertinho





Se existe um filme que marcou minha pré-adolescência, com toda certeza ele foi Pânico (Scream, no original). Me identificava com os diálogos "espertinhos" e cheios de referência, além de gostar bastante da dose de jogo de detetive que existia na trama: quem está matando e quem será a próxima vítima? 

O filme trouxe um novo boom de películas do gênero, mas a fórmula de adolescentes morrendo e desvendando crimes foi ficando cansativa e, já na metade dos anos 2000, insustentável. Depois veio Jigsaw e Jogos Mortais reverteu o jogo outra vez, mas de uma nova maneira para a indústria cinematográfica.

Mas nos dias de hoje, será que Pânico faria o mesmo sucesso que no final dos anos 90? A própria franquia brincou com isso quando tentou ver a luz de uma nova trilogia em Scream 4. Facebook killer? Twitter killer? Um filme dentro do filme? É pensar demais quando o foco é dar "medo" e também fazer rir, de um modo inteligente, claro. 

Você percebe que está velho quando faz toda um introdução para falar de um simples filme de "terror". Quando vi o trailer de Happy Death Day (A Morte Te Dá Parabéns, no Brasil), me vi intrigado. Fiquei com vontade de assistir, mas não posso negar que também tive muito receio. A ideia de alguém que é assassinada voltar no dia do seu crime, inúmeras vezes, até descobrir quem é o seu assassino é muito boa e interessante, mas será que o filme como um todo também seria? Não é exatamente no trailer que destacam só os bons momentos para atrair o público? 

Por via das dúvidas, deixei o filme de lado por alguns meses. E na semana passada resolvi dar uma chance e ver se ia conseguir embarcar nessa ideia. Posso adiantar que não me arrependi de dar o beneficio da dúvida. A Morte Te Dá Parabéns cumpre o seu papel e diverte dentro da sua proposta. 

A trama começa com uma universitária chamada Tree acordando em um dormitório de um completo desconhecido, no dia do seu aniversário. Não é preciso muito tempo para perceber que a moça não é muito querida pelas pessoas que compõe o seu ciclo de convívio social. A personagem mora em uma irmandade e é do tipo que não come carboidratos, dorme com o professor casado e ainda é escrota nas horas vagas. Ou seja, quem não sentiria vontade de dar um "fim" em alguém como ela? 

Pois é! Após a primeira vez em que vemos Tree morrer, voltamos ao mesmo início do dia. O rapaz do dormitório em que ela acorda, descobrimos se chamar Carter, e tenta impressionar sua "convidada" com o pouco tempo que possuem juntos, mas a aniversariante não está "entendendo" muito bem o que se passa ainda, é tudo muito parecido com algo que ela já viu/viveu. Ela chega até a questionar se não é um grande déjà vu que está vivendo... Isso até sua próxima morte....

Tree é uma personagem que começamos odiando com todas as forças e vamos entendendo quem ela é como pessoa conforme vai morrendo. Compreendemos cada "erro" que comete e o que ela pode fazer para mudar o tipo de pessoa que estava sendo. O que é uma jornada muito legal de acompanhar. E você lembra o que disse dos diálogos engraçadinhos e cheios de referência que eu curtia lá em Pânico? Aqui também tem aos montes. Scream, além da verdade, foi um referencial para o roteirista e produtor de Happy Death Day. E se em um momento levamos um susto, mesmo que pequeno, na cena seguintes estamos rindo ou até um pouco emocionados pelos acontecimentos. 

A Morte Te Dá Parabéns é um filme que possui um título que não é dos melhores em português, mas que não pode ofuscar todo o seu potencial de entreter e divertir. E se você gosta de uma trama interessante e com reviravoltas que fazem sentido, além de rir, esse filme é para você.



Caso tenha ficado curioso, segura esse trailer, meu amor!


Obs: Se você já viu o filme, saiba que assim como aconteceu com Pânico, teremos uma segunda parte dessa história e com os mesmos atores... Já quero saber como anda a vida de Tree depois dos acontecimentos do dia do seu aniversário.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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