quarta-feira, 18 de julho de 2018

Oito Coisas Para Morrer Antes de Fazer





Não, caro leitor, você não leu errado. Não são coisas para se fazer antes de morrer, até porque eu seria pretensioso demais em uma lista que tornaria meus objetivos nessa vida finitos. Talvez falar em morte possa até ser exagerado, mas o fato é: resolvi frisar oito coisas que, nem morto, eu gostaria de fazer.

1) Serviço militar: nossa, como eu fugi do alistamento militar obrigatório! Fugi tanto que tive que me apresentar mais de uma vez, uma no ano em que fazia 18, e outra no que fazia 19 (porque me apresentei fora do prazo na primeira vez). Mas caí no excesso de contingente por conta do meu alto grau de astigmatismo. Pela primeira vez na vida, os óculos me salvaram.

2) Viver no frio: sério, essas pessoas que exaltam o frio merecem todas virarem picolé! Adoro viajar e passar alguns dias no frio. Ponto. Somente o tempo do Rio de Janeiro no inverno já me dá rinite, sinusite, queima a minha pele, me deixa com mãos e pés que NUNCA esquentam... Não nasci para o frio!

3) Ter na vida simplesmente um lugar de mato verde pra plantar e pra colher: acho o máximo essa ideia sustentável e de contato com a natureza... para os outros. Vivi durante 15 anos da minha vida (minha adolescência inteira e grande parte da juventude) em um bairro bucólico e isolado de Niterói. Quando me mudei para a Tijuca, no Rio de Janeiro, vi o que é viver com tudo por perto e fiquei tão mal acostumado... Não consigo me ver novamente morando no meio do mato.

4) Parar de viajar: que morte horrível a de quem não viaja... Eu já estou agoniado que tem um tempo que não faço uma viagem internacional. Mas, ainda que dentro do Brasil (e tem muita coisa boa aqui), viajar é trocar a roupa da alma, como já disse o poeta. Depois que a gente começa com o hábito, vira um dependente químico das boas coisas que nosso cérebro libera.

5) Fumar: olha, se tem uma coisa nessa vida que eu sou mais convicto do que qualquer outra é que eu sou antitabagista. Fiz de tudo para a minha mãe largar o cigarro anos a fio, nunca tive vontade de colocar um cigarro na boca mesmo a vendo fumar e ainda tive a oportunidade de fazer a comunicação da Comissão Nacional para Controle do Tabaco (Conicq). E quando conheci o Cristiano, meu companheiro há mais de 13 anos, ainda tivemos alguns arranca-rabos porque ele fumava escondido de vez em quando... Odeio cigarro!

6) Beber cerveja: outra coisa que eu via meus pais fazendo todo santo fim de semana e nunca tive vontade de reproduzir. Da cerveja odeio até o cheiro (quer me deixar de mau humor, basta derramar em mim... fica aquele futum me incomodando até a hora de conseguir tomar um banho e trocar de roupa). Houve uma época em que o Cristiano, para me beijar após beber cerveja, tinha que escovar os dentes ou mascar chiclete. 

7) Só comer comida ruim: Ok, o conceito de comida ruim é relativo. Mas tempero e harmonizações são coisas com as quais me importo muito. Não aguentaria comer nada insosso ou mal temperado a vida toda. Ou mesmo coisas às quais o meu paladar definitivamente não se adapta, como salsa crua, dobradinha, miúdos e etc. Para quem é cristão é um grande pecado isso e, tenho plena consciência de que, se estivesse passando fome, não recusaria muitas dessas coisas. Mas estamos trabalhando nas CNTP da vida nessa lista hipotética...

8) Andar de monomotor novamente: pode ser que um dia eu precise, mas prefiro nunca mais ter que passar por isso. Foi uma das piores sensações da minha vida voar num teco-teco menor que uma van, cheia de pressões estranhas e turbulências horrorosas. Que mal estar absurdo! Eu fiquei tão mal que, quando finalmente tirei as mãos de onde segurava, no assento da frente, havia um rio de suor de nervoso e medo.

Certamente, daqui a algum tempo, outras coisas mais podem ser incluídas nessa singela relação. Afinal, experiência de vida sempre traz mais coisas que a gente quer e que a gente não quer. E você, leitor: já parou para pensar no que você preferia morrer antes de fazer?

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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