terça-feira, 31 de julho de 2018

Reflexões De Mais Uma Primavera



Mais um aniversário. No último 29 de julho completei meus 38 anos de idade. E a partir de agora, um novo ciclo se apresenta com toda a sua imponência querendo que os próximos 365 dias sejam de muita força e fé. 

Este ano resolvi fazer diferente. Não produzi um tradicional videoclipe que publicava em minhas redes sociais, mas eis minha mensagem, aqui pelo Barba, retratada na imagem que ilustra a coluna de hoje. 

Então vamos lá! Primeiro olhem essa foto. Olharam? Agora olhem de novo! Ela foi tirada e produzida pelo badalado fotógrafo das estrelas Sérgio Santoian. Ela simboliza apenas mais um anônimo que sucumbiu à arte desse brilhante profissional. Para mim, ela representa os inúmeros gritos que dei, de inúmeras formas, nesses anos que se passaram. Foram sentimentos de alegria, tristeza, mágoas, decepções, realizações, “tapas com luva de pelica”, vingança, renascimento, introspecção, raiva, amor por mim e amor pela vitória dos meus. Sim, eu vivi tudo e acho que até mais um pouco nestes meus 38 anos de vida.

Alguns projetos tive que deixar no meio do caminho, como o conto da minha história, no meu blog pessoal, que muitos ainda acompanham. Tive que parar no capítulo 7 dos 10 que me propus a escrever, por algumas situações particulares que vivi e me fizeram deixá-lo de standy by. Porém, estou voltando com tudo (na verdade, eu acho que sempre volto). Neste projeto e em outros que estão escritos em um pedaço de papel, mas que só dizem respeito a mim e são minhas metas a serem realizadas. Quando realizados, vou divulgar. Com esse mesmo grito da foto. Visceral. Intenso. 

Ao longo destes anos de vida, perdi pessoas muito importantes para mim. E com essas perdas aprendi que, cada vez mais, tenho que ser eu mesmo. Enquanto há tempo. Enquanto tenho tempo. Gosto e quero ficar nu (acho que já disse isso antes, não?). Ser admirado e mostrar meus tantos defeitos. E qualidades também. Expor minhas manchas do corpo e cicatrizes, sem me preocupar se vão me olhar torto, com desdém, com deboche ou mesmo com desejo. Só quero ser eu mesmo. Amanhã, poderei estar com essas pessoas que perdi “do outro lado”, e terei deixado de viver minhas concepções em nome de uma máscara. De uma capa. Não vou ser inconsequente, nem inconveniente. Mas quero ser livre. Ser feliz, simplesmente. Vou me desapegar, literalmente, de coisas mesquinhas e tacanhas que não me levam a lugar nenhum. Não quero ser um senhor de idade frustrado. Quero mostrar através dos meus registros fotográficos e das minhas rugas, tudo que vivi. Sim, rugas, pois não quero viver menos de 90 anos. 

Mas hoje, aos quase 40, já me considero um pouco maduro. Na verdade, eu nunca pensei que o amadurecimento e a idade mais avançada fossem capazes de me trazer novidades. Tinha medo de envelhecer. Mas está sendo bom. Está sendo positivo, até. Tenho aprendido, aos poucos, a ouvir mais e falar menos. Ter humildade de reconhecer a minha incapacidade de realizar algo ou de assumir que não fiz alguma coisa, ou porque não deu, ou porque não tive tempo, ou mesmo porque não sabia. Melhor: aprendi a dizer “não”, sem aquele tom pejorativo de ofensa. Escrevo isso com total firmeza e nem um pouco preocupado em ficar piegas ou clichê. É o amadurecimento que me permite isso. Ele se dá quando a gente menos espera. E eu tenho considerado esse caminhar uma verdadeira conquista. Sei que é muito pouco ainda, mas já é um começo. Um bom começo para escrever mais um capítulo da minha trajetória. Quero brincar com o tempo. A cada ano que passar, me renovar. E quando muitos acharem que estou sem fazer nada, esquecido, eu renasço das cinzas como a ave mitológica Fênix. Quando menos se esperar, me reinvento e volto a escrever meu blog. Volto a me tatuar. Emagreço. Engordo. Raspo a cabeça de novo. Deixo minha barba crescer igual às dos muçulmanos. Raspo a barba de novo. Publico fotos nu. Estudo. Mudo de emprego. Mudo de casa. Viajo. Pulo de asa delta. Mergulho novamente com tubarões ou entro nas jaulas de leões e tigres e os acarinho como se fossem felinos indefesos. Desfilo pelado no carnaval. Vivo. Simplesmente...

E como o tempo passa rápido sem que percebamos, é hora de deixar a tristeza de lado e seguir em frente. Aos entes queridos que se foram, minha admiração e minhas saudades eternas. Aos que ficam, minha presença, meu amor e minha ajuda. Aprendi que tenho que perder tempo com os que estão aqui ainda, neste plano terreno, precisando de mim, e não com os que descansam ao lado do Pai. À eles, à noite, ou em outro momento qualquer, dedico minhas orações. Não quero curtir infelicidade e só acordar para o mundo quando tudo estiver estragado ou estragando. Ainda tenho muito a viver e não quero desperdiçar tempo. Então pessoal, é hora de começar a fazer! Por a mão na massa, colocar a saúde em dia e ser feliz a partir de agora para viver os próximos 52 anos mais felizes da minha vida (sim, porque vou viver, no mínimo, até os 90, lembram-se?). 

Pensem nisso. Ainda temos tempo para mostrar e provar a nós mesmos que não desperdiçamos a nossa vida trancafiados, imersos, escondidos nas tais capas. Ainda há muito o que se fazer e viver, acertando com base no que já erramos. Então, deixe-me ir, escrever minhas promessas para o próximo ano porque o “tempo ruge e a Sapucaí é grande!”.

Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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