terça-feira, 17 de julho de 2018

Um Sonho (ou Meta?) Parisiense




Tendo como inspiração a seleção campeã do Mundial de Futebol 2018 (mais uma vez a Copa...rs), resolvi, hoje, falar sobre sonhos... E um dos meus maiores, tem idioma francês, coincidentemente.

Na verdade, falar de todos os meus sonhos em um único artigo é dificílimo, pois sou uma pessoa recheada deles. Muitos, inclusive, passaram a ter como sinônimo para mim, a palavra meta. Nunca escondi (e tenho até muito orgulho) de dizer que passei muitas dificuldades na minha vida, mas isso é um outro capítulo, que talvez um dia conte aqui. Pensei durante um bom tempo que sonhos eram aqueles desejos que ficavam no mundo do imaginário, que era algo que queríamos muito e dificilmente conseguíamos realizar. Do tipo “eu sonho ter uma casa”, “eu sonho um dia ser funcionário público”, “eu sonho um dia viajar para o lugar tal”... Resolvi então mudar meu mantra e passei a ter propósitos: “eu tenho a meta de ter minha casa própria”, “eu vou ser funcionário público”, “eu quero viajar e conhecer o local tal”. E assim fui conquistando meus desejos, que de sonhos se transformaram em realidade.

Falemos no meu desejo francês então, mon cher lecteur. Há 16 anos, no meu primeiro período da faculdade, exatamente na primeira aula de História do Direito, onde o professor falava apaixonadamente sobre a primeira codificação jurídica do mundo, o Código de Hammurabi, comecei a pensar em conhecer Paris. O tal código refere-se a uma obra-prima da civilização mesopotâmica, considerada o primeiro conteúdo legislativo formal da humanidade (1.700 anos a.C.). Na verdade, é uma simples placa de basalto preto (que os mais assanhadinhos diriam ter formato fálico) e contém 282 leis que o rei Hammurabi da Babilônia recebeu de Samash, Deus do Sol e da Justiça, e foi encontrada em 1901 em Susa (Irã).

Detalhes históricos à parte, naquela aula eu instituía uma das minhas metas de vida: conhecer o Museu do Louvre, onde a tal legislação estaria exposta. Não tinha vontade de ir ao famoso museu para ver sua estrela mais famosa: La Gioconde (ou, simplesmente Mona lisa), a mais notável e conhecida obra de Leonardo da Vinci. Queria mesmo era ver a tal lei de perto.

Anos depois, mais precisamente em 2006, foi lançada uma adaptação cinematográfica do bestseller literário The Devil Wears Prada (título em português: O Diabo Veste Prada) de 2003, de Lauren Weisberger, com o mesmo título. Além de eu ter visto esse filme mais de 17 vezes (sem exagero, essa foi a quantidade que parei de contar), a ponto de gravar algumas cenas e falas, Paris voltava a flertar no meu imaginário. Sempre fui muito interessado em moda (uma das causas também está ligada ao meu passado tão escasso de roupas e sapatos) e uma cena que povoava meu imaginário era a da personagem Andy Sachs (Anne Hathaway) quando chegava para a Semana de Moda em Paris acompanhando Miranda Priestly (Merryl Streep – para variar maravilhosa!), a toda-poderosa editora-chefe da revista Runway. A assistente olhava deslumbrada uma avenida Champs Elyseès, ao som da deliciosa trilha sonora do U2 - City Of Blinding Lights. Minha outra meta: repetir aquela cena.

Dezesseis anos depois estava eu ali, tirando fotos ao lado daquela legislação que me fez criar laços eternos com a formação acadêmica que carrego tatuada em meu corpo. Ao olhá-la de perto, não tive como me conter. Me senti uma personagem das novelas e filmes que tanto amo e me fazem, literalmente, viajar para dentro dos folhetins. Completamente indiferente aos visitantes do museu, senti como se as trilhas sonoras soassem em meu imaginário e me via em meio a câmeras que davam voltas sobre meu eixo e lágrimas teimaram em rolar do meu rosto. Pensei nas perdas pessoais, sentimentais e financeiras ao longo da minha vida até ali. Nas minhas dificuldades e nos inúmeros planos em chegar naquele lugar. E diante da primeira escultura sacra do museu (que a essa altura já não me interessava o nome ou o autor da obra) agradeci. Por tudo.

Mas ainda tinha a cena do filme... E vocês pensam que eu não fiz? Acompanhado do meu fiel “escudeiro-companheiro-da-vida-toda”, Marcos, desfilei na famosa avenida parisiense com ele me filmando e me sentindo como um ator hollywoodiano.

Um take, dois, três. E em meio aos olhares curiosos dos transeuntes e ao discurso saturado dele sobre as minhas loucuras, fizemos o tão sonhado vídeo, que depois foi editado, claro, com a trilha sonora do filme.

Lembrei do meme que ilustra o início da coluna de hoje, e que eu muito usava com uma amiga do trabalho, quando estava saturado de algumas questões da vida: 
“Um dia vou estar rindo disso tudo em Paris. Aguardem!” 
E ri. E sorri. E vibrei. E acreditei que meus sonhos, se não fossem um dia encarados como metas, para transformá-los em realidade, iriam continuar sendo somente sonhos...

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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