sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A Coisa





Tem gente que diz que não se pode escrever o nome dele nas redes sociais, pois dizem que o algoritmo do Facebook dá mais visibilidade a ele.   E também tem gente que, para evitar pronunciar o nome do diabo, o substitui por outros sinônimos como cramulhão, coisa ruim, chifrudo e cão. 

Em 1988, um filme de humor negro dirigido por Tim Burton e estrelado por Alec Baldwin, Geena Davis, Winona Ryder e Michael Keaton chamado Os Fantasmas Se Divertem revelava um monstro charlatão que surgia depois que pronunciavam o seu nome três vezes, assim como a velha história da invocação dos demônios nos filmes de terror.  Outro filme, Gremlins, de 1984, produzido por Steven Spielberg, mostrava monstrinhos endiabrados que se autoprocriavam se o dono do animalzinho aparentemente inofensivo não respeitasse certas regras.  A palavra Gremlin vem do inglês antigo grëmian, significa “irritar”, “criar confusão” ou “incomodar”.  Se eles fossem alimentados após a meia-noite ou caíssem dentro da água, se multiplicavam.  E com sua inteligência, sabotavam e aterrorizavam uma cidade inteira.  

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Moléstia: Uma Experiência Teatral Inquietante





Não vou tanto ao teatro quanto gostaria. Sei que é uma falha grave e, de tempos em tempos acabo "tentando" reparar com algum espetáculo que me tire da zona de conforto. O teatro, diferente da televisão e do cinema, possui esse poder supremo. Afinal, não tem como fugir de uma peça. Tá... existem aquelas pessoas que podem, simplesmente, levantar e ir embora. Mas essas considero covardes! No fim das contas, essa não é a função primordial da arte? Mexer com a gente, gerar um incomodo e até um questionamento? 

E foi isso que Moléstia, peça em cartaz no Reduto (Rua Visconde de Irajá, 90 - Botafogo), provocou em mim. A história, escrita por Herton Gustavo Gratto, foi feita para despertar uma semente de dúvida na gente. Mas a precisa direção de Marcéu Pierrotti, em que vamos acompanhando cada ponto de vista do "possível responsável" pela atitude horrenda, é o que permite o enredo fluir tão bem ao longo de uma hora. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A Sofrida e Brilhante Isaura Garcia




Vocês conhecem Isaura Garcia? Pois bem, admito que não conhecia NADA sobre ela. E fui convidado para assistir a uma peça sobre a sua vida e carreira no teatro Oi Casa Grande na última sexta-feira. O espetáculo tem no elenco duas brilhantes e renomadas atrizes de musicais: Kiara Sasso e Soraya Ravenle; e outra atriz decana da TV brasileira, mas muito fadada a trabalhos coadjuvantes: Rosamaria Murtinho. As três dão vida à homenageada em fases diferentes da vida e, ainda assim, contracenam em alguns momentos – nos quais a “Isaurinha” mais madura dialoga com as suas versões mais jovens e aprendizes da vida. 

Para quem não conhecia a sua história, durante o musical fica evidente que Isaura Garcia era uma mulher à frente de seu tempo. Vinda de uma família humilde do Brás, ela falava palavrões como se fossem conjunções. Foi descoberta para a música em um programa de calouros da Rádio Record aos 14 anos e teve que enfrentar o pai violento e machista, que batia em sua boca para que ela não pudesse cantar. A “Personalíssima”, como era chamada, tornou-se uma das grandes divas do rádio, na transição da Era de Ouro para a chegada da Bossa Nova e da Jovem Guarda. Casou-se de fato com um homem quase dez anos mais novo, o organista Walter Wanderley – também violento e machista – que alcançou fama internacional na época da Bossa Nova. Aliás, violência e machismo foi algo que não faltou em sua vida.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

#BeeeeemBlogueirinho





E aí galerinha, tutupom?

Vocês sabiam que nesta sexta-feira, 31 de agosto, comemora-se o Dia do Blog? E que no dia 20 de março é comemorado o Dia do Blogueiro? E como as datas comemorativas são sempre fontes de inspiração para meus textos, eis que trouxe esse tema tão atual e tão controverso para nós, belê? Mas quem são os blogueirinhos? Onde habitam? O que comem? O que fazem?

Ultimamente (beeeem ultimamente mesmo), temos visto e ouvido com frequência legendas do tipo “Estou bem blogueirinho (a) hoje”. E você? Nunca foi chamado ou se intitulou blogueirinho pelos amigos por gostar de moda em geral e assuntos afins? Se não, atire a primeira pedra! 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Fé, Deus e Uma Grande Porção de Intolerância





Já tem algum tempo que eu planejo falar sobre o assunto, mas sempre paro e penso: será que vale a pena a polêmica? Porque, tipo, eu sei que posso ser polêmico e que isso faz parte da minha natureza. Mas, sério, ando com preguiça do mundo, principalmente de burrice. Entretanto, se a gente não fala e cala, dá margem para que alguns pensamentos se espalhem sem que todos reflitam sobre absurdos ditos a torto e a direito por aí. Por isso, apesar dos pesares, cheguei a uma simples conclusão: foda-se, isso é liberdade de expressão! Se eles tem, eu também! Dois beijos pra quem não gostar!

Por isso, vou falar pra vocês uma coisa muito séria e que realmente ocupa a minha mente: eu tento não ter preconceito com evangélico, porque, para mim, se todo mundo seguisse o que Cristo pregava, principalmente o amor ao próximo e a Deus sobre todas as coisas, o mundo seria um lugar bem melhor. Do que eu efetivamente tenho preconceito é com gente burra, que não pensa e se deixa guiar pelo que outras pessoas dizem, sem usar a massa que tem dentro da cabeça e que não serve somente para fazer peso. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Ainda Precisamos Romper Muitos Grilhões





Hoje eu queria fazer um pequeno desabafo com um certo pesar e queria deixar no ar um questionamento para todos vocês, meus leitores: afinal, até onde vai nosso preconceito? 

Vivi uma situação muito constrangedora essa semana e gostaria de compartilhar aqui com vocês. Por um acaso, encontrei um amigo que tenho muito carinho, em Botafogo. Há algum tempo não o via e o chamei para tomar um café e colocarmos o papo em dia. Eu tinha acabado de sair do trabalho e, mesmo cansado, conversamos bastante. Esse meu amigo é um daqueles jovens superdotados: tem um QI elevadíssimo, fala várias línguas, discute filosofia, história da arte, antropologia, é ator, superdescolado e com uma conversa agradabilíssima.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A Vendedora de Livros: o Tipo de Literatura Que Não Sai da Sua Cabeça




Acabei de terminar A Vendedora de Livros, da autora estreante Cynthia Swanson. E me encontro naquele estado reflexivo de pós-leitura. Nesse caso especial, não consigo nem definir os meus sentimentos com essa obra e isso é angustiante. 

Posso afirmar que o enredo é envolvente, se liga só: uma mulher, Kitty Miller, possui sociedade em uma livraria com sua melhor amiga da época de colégio, Frieda. O ano é 1960 e a moça está na casa dos trinta e poucos anos, mas não é noiva e tão pouco pensa em se casar. Na verdade, teve um longo namoro com um término traumático, o que acabou não resultando em casamento e a moça optou por continuar assim... Só que algo estranho acontece certa noite. Ao ir dormir, Kitty acorda em outra casa e ao lado de um homem, que descobre ser seu marido. Indo direto ao espelho, ela percebe que é a mesma mulher, mas descobre que tem uma vida completamente diferente. Se chama Katharyn Andersson e possui três filhos! E agora, qual dessas duas vidas é a real? 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O Jogo dos Tronos: Fantasia e Realidade Cruel




Já expliquei aqui no Barba Feita que sou um retardatário quanto a séries. Tenho recuperado meu tempo perdido nas horinhas que me restam de lazer durante a semana – ainda assim tem uma infinidade de outras na fila para serem vistas. A mais recente a que assisti do início ao fim foi Game of Thrones. Fomos da primeira à sétima temporada em poucos meses, numa maratona dia após dia, que passou por muito amor, mas também muito ódio com a série. Ao menos da minha parte. Mas você pode ler tranquilo que aqui não tem spoilers, tá?

Demorei para engrenar em GoT: não sou fã de histórias com estilo medieval, muito menos com fantasia (uma das poucas sagas fantasiosas que eu gosto muito é Harry Potter e também demorei a me afeiçoar a Star Wars). A banalização da morte e o desprendimento com personagens com certo protagonismo, somados ao fato de que eu sabia de alguns spoilers que havia visto no Facebook à época em que as temporadas eram transmitidas, me causaram também certa rejeição. Mas perseverei e acabei sendo fisgado de vez – tudo bem que após o episódio mais chocante e quase ultrajante (ao fim da terceira temporada, no qual ocorreu o famigerado “Casamento Vermelho”), eu quase pensei em desistir... 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

As Flores de Plástico Não Morrem. Mas Será Que São Felizes?





Na última semana que passou, vários conflitos permearam a minha cabeça sobre as escolhas que temos que fazer em nossas vidas. Seja abdicar de algo para mantermo-nos em um emprego bacana e consolidar a nossa carreira, seja para vivermos em harmonia numa sociedade que dita as regras do que é certo e errado para nós, ou simplesmente para vivermos felizes dentro das nossas convicções de crença e felicidade.

Esses temas fervilharam a minha cabeça e me trouxeram várias ideias de texto, que talvez no decorrer das próximas semanas eu desenvolva de forma diferente, mas abordando com o mesmo cerne.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Dez Produções Recentes (e Imperdíveis!) Com Temática LGBT





Eu sei que o termo mais atual para definir toda a ampla e diferente comunidade não heterossexual é LGBTQ+. Entretanto, eu sou mais como o Marcos Araújo, nosso colunista das sextas-feiras aqui do Barba Feita: para mim, será sempre LGBT, combinados? Se sim ou se não, tanto faz, segue o baile.

O legal, entretanto, é que com ou sem novos rótulos, essa população, que por tanto tempo foi marginalizada na vida real e nas obras da cultura pop, estão vindo à luz, mostrando-se ao mundo como efetivamente são, fugindo de estigmas e preconceitos. E um reflexo disso é que há muito que os personagens gays tem sido mais aprofundados, ganhando plots interessantes em produções para o grande público, como filmes, séries e novelas. Isso quando não são eles os protagonistas de boas tramas.

A coluna de hoje é um pequeno apanhado de produções mais recentes (a mais antiga teve início em 2009, mas continua no ar até hoje, com fôlego para muito mais tempo ainda) que tem a temática LGBT em sua gênese. São filmes, séries e dois realities que nos brindam com esse mundo vasto, dramático e colorido, sem apelar para fórmulas fáceis, resultando em obras interessantes e que merecem ser conhecidas e conferidas.

sábado, 18 de agosto de 2018

Madonna: Os 60 Anos do Ícone LGBT Que Quebrou Barreiras





Madonna, o maior ícone pop global da comunidade LGBT – e a cantora mais bem sucedida de todos os tempos – completou 60 anos dia 16 de agosto. Em seus 35 anos de carreira, foram muitos os momentos em que ela levou a cultura gay dos guetos para o mainstream, e deu voz às mulheres, aos gays e a outros que precisavam ser ouvidos. Basta alguns minutos no Google para verificar que ela foi a primeira artista pop do primeiro escalão a levantar a bandeira LGBT, e o fez numa época em que a simples menção da palavra gay era um enorme tabu. Nos anos 1980 e 1990, as pessoas LGBT eram diretamente associadas a AIDS, pecado, morte e promiscuidade pela maior parte da sociedade.

Mas desafiar o sistema e quebrar barreiras sociais sempre foi o hobby de Madonna. A artista botou sua conta em risco e abraçou a causa da nossa comunidade, da qual sempre foi genuinamente próxima, desde muito antes de ser uma estrela. E pagou um preço alto por isso. Nem sempre as polêmicas lhe garantiram sucesso comercial.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Ainda Dá Pra Ser Otimista?




Sempre fui um otimista de carteirinha.  Vivi aquelas tenebrosas épocas de hiperinflação totalmente fora do controle.  Lembro que naquele período a inflação chegou a ultrapassar 80% ao mês (é... não era ao ano não... era ao mês mesmo).  Nos supermercados, o que você comprava pela manhã tinha um valor reajustado à tarde, assim como as contas bancárias.  De um dia para o outro, o dinheiro dos brasileiros perdia o valor.  Inventaram o tal congelamento dos preços e o que se viu foi o caos.  Produtos desapareceram e havia racionamento de produtos básicos.  Mas sempre acreditei que as coisas melhorariam.

Minha mãe me acordava às seis da manhã e íamos para o mercadinho do bairro, com meus irmãos reclamando de sono, para comprar comida.  Lembro que ficávamos horas na fila para poder comprar leite, carne, arroz e feijão.  E isso não foi em nenhum período pós-guerra não!  Isso aconteceu nos anos 1980!  Época de transição política com o fim da ditadura e o retorno da democracia.  Os militares deixaram o país em um endividamento externo absurdo e o país afundava com a elevação dos juros e a desvalorização da moeda devido aos empréstimos realizados ao Fundo Monetário Internacional (o tão falado FMI).   A consequência foi um monte de planos de estabilização da economia (Cruzado, Bresser, Verão) e um período de moratória, manchando a imagem do Brasil internacionalmente.  Mas eu tinha a convicção que minha mãe deixaria de me acordar às seis da manhã e que, em algum determinado momento, tudo se resolveria.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Na Fila do Banco...




Outro dia, muito que por acaso, encontrei um amigo que não via há tempos. Sabe como é. A vida anda corrida, agitada mesmo! Como estávamos no banco não foi preciso marcar uma saída que nunca iria acontecer de fato. Coisa de carioca! 

A fila era grande e a senha que cada um tinha na mão parecia bem distante de ser anunciada no telão. Foi quando esse meu amigo decidiu puxar assunto e me perguntar como estava minha vida. Contei que não sabia o que era ter tempo livre desde dezembro do ano passado, mas não tive nem tempo de concluir meu raciocínio. Fui atropelado por informações de como esse meu amigo estava. Alias, nada bem. O casamento de três anos periga de terminar. Ele não anda tendo mais tesão no marido e o marido não anda querendo mais saber dele como antes. Um problemão. Ele ainda me confidenciou que não pretende abrir a relação e que isso é só uma desculpa que os gays criam para não demonstrarem que o casamento acabou e que precisam de "carne nova" para satisfazer o que não anda muito bem...

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Sobre Canhotos, Gays e Outras "Abominações"




Essa semana começou com uma celebração, no mínimo, curiosa: segunda-feira, dia 13 de agosto, além de ser o Dia do Desgosto é também o Dia Internacional do Canhoto. Entre tantas datas esdrúxulas para serem lembradas, essa teve o seu significado histórico: durante muitos séculos, os canhotos eram vistos como errados, como abominações, perseguidos inclusive de forma religiosa. Parece inacreditável, mas havia quem achasse que os que escreviam com a mão esquerda iriam para o inferno simplesmente por nascerem assim. A coisa é tão pesada que o sinônimo pra canhoto é "sinistro", enquanto destreza é analogia para quem é habilidoso. 

Cerca de 10% da população mundial é canhota. Os outros 90% estão divididos entre destros e ambidestros. Calcula-se que um grande percentual das pessoas possa ser ambidestro, mas acaba optando pela mão direita dominante simplesmente por ser algo convencional na sociedade. Passados tantos anos e após inúmeros estudos, ainda há intolerância e preconceito contra canhotos mundo afora, embora já tenha sido esclarecido que não há nada de errado e existam até vertentes que associam os tais “sinistros” à criatividade e à intelectualidade. 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Mãe, Tá Tudo Bem! Feliz Dia dos Pais!




No último domingo, 12/08, comemoramos o Dia dos Pais. E resolvi escrever a coluna de hoje em forma de carta. E esta carta dedico à minha tia Nanci, irmã da minha mãe, minha madrinha. Aquela que me criou após o abandono do meu pai e falecimento da minha mãe aos 43 anos de idade, há 25 anos atrás. 
“Mãe…Você tem sido o alicerce da nossa família, onde se desdobra para não faltar nada nas nossas vidas, mesmo que para isso tenha que trabalhar horas a fio, sem direito a descansar. Por ser a filha caçula e solteira, carregou no ombro não somente a responsabilidade em cuidar de seus filhos, mas de mim – seu sobrinho, a quem sua irmã deixou tão cedo para estar ao lado do Pai, e também de zelar pelo meu avô até seus últimos dias de vida. Além de tudo isso, quantas vezes teve que socorrer outros membros da família nas horas incertas, com as suas mãos sempre estendidas. E, no final, você sempre fez com que ficasse tudo bem, né, mãe?

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Como é Cruel Viver Assim: Um Retrato da Mediocridade Que nos Rodeia





Já falei por aqui que a produção cinematográfica brasileira há muito vem se diversificando. Apesar das comédias ainda serem maioria entre as obras nacionais que chegam aos cinemas, aos poucos vamos ganhando um pouco mais de opções em diversos gêneros que vão sendo testados e produzidos. 

Como é Cruel Viver Assim, que chega ao grande circuito na próxima quinta-feira, dia 16/08/2018, é um desses exemplos de como o cinema nacional tenta se enveredar por outras áreas, atingindo resultados diferenciados de acordo com a execução de cada projeto. Dirigido por Júlia Rezende, o filme tem roteiro de Fernando Ceylão e conta a história de um grupo de quatro pessoas que, sem nenhuma perspectiva na vida, decide realizar um sequestro para mudar de condição. O problema é que todos são completamente inexperientes na vida de crimes e muito diferentes entre si. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Ninguém Entendeu Maquiavel




É hora de falar sobre política, pois nos dias de hoje, é necessário termos um canal aberto para dialogarmos sobre esse assunto.  Afinal, as eleições estão aí na nossa porta.  E depois não adianta chorar pelo leite derramado. 

Muitas vezes tenho a impressão de que política sempre foi um assunto desinteressante para a maioria das pessoas.  Quase todo mundo torce o nariz quando, em uma rodinha de amigos, o tema surge.  E aí começam as farpas, brigas e o esvaziamento do discurso.  E é nítido que mais da metade das pessoas sequer compreende um centésimo sobre o assunto.  Eu, particularmente, não sou e nunca serei um expert em política.  Afinal, também fui um daqueles jovens que não tiveram, em sua formação, uma discussão mais profunda sobre o tema, mas sempre me interessei em ler. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A Casa Dos Budas Ditosos e Um Convite à Uma Viagem de Luxúria





Se tem uma coisa que gosto de fazer é rever filmes e reler livros. Acho que isso sempre ajuda a perceber o quanto mudamos como pessoa. É claro que no meio disso tudo também existem os "favoritos da vida" - aquele tipo de livro e filme que vamos ter um carinho especial pra sempre, mas que no fundo são só um lembrete de determinada época que vivemos e não vai mais voltar. Não. Nesse caso falo de uma obra que me marcou e sempre tive certa curiosidade de reler, até para entender se continua tão espetacular quanto em minha primeira aventura por suas páginas.

Aos 14 anos, por exemplo, um livro mudou minha forma de encarar os desejos. Lembro até hoje o impacto que A Casa dos Budas Ditosos teve em mim, na forma com que já podava certas vontades que começavam a brotar em meu peito. A obra de João Ubaldo Ribeiro foi como um sopro de liberdade em minha mente e veio quando menos esperava e mais precisava. Esse tipo de encontro parece um capricho do destino para brincar com a gente...

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Oito do Oito





Hoje é 08/08/18. Com tantos números oito no mesmo dia, seria uma data especial? Cabalística? Kármica? Parei pra pensar um pouquinho no que esse numeral representa. O que traz para mim, pessoalmente ou mesmo na esfera do conhecimento. O oito nunca foi um dos meus números da sorte (sempre fui mais partidário da sua metade, o quatro); aliás, não me recordo de ver pessoas o destacarem como tal: geralmente ficam mais com o 3, o 7 ou o 13. 

Segundo o site Dicionário de Símbolos, o número 8 é, universalmente, considerado o símbolo do equilíbrio cósmico. É um número que possui um valor de mediação entre o círculo e o quadrado, entre a terra e o céu e, por isso, está relacionado com o mundo intermediário e um simbolismo de equilíbrio central e com a justiça. O mesmo portal ainda destaca que nas culturas orientais e africanas, o número oito carrega um poder simbólico equivalente, em alguma medida, ao do número 7 para a cultura ocidental. No Japão, o número 8 é um número sagrado. Nas crenças africanas, o oito possui um simbolismo totalizador. 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Uma Questão de Fé



“Vamos saudar a liberdade cultural e religiosa, respeitando uns aos outros e percebermos que quando se há fé, para o bem, todos os caminhos levam a um único objetivo: o amor entre irmãos! ”

Com essa frase eu encerrava, há dois anos, a última cena do espetáculo Exu – Luz no Caminho, um dos meus maiores desafios na minha curta carreira teatral. Na época, eu, por ter uma criação católica, me recusara, em princípio, a interpretar uma entidade no teatro, por preconceito. Não tinha temor propriamente dito. Não gostava, simplesmente.

Exu me fez refletir sobre muitas coisas na minha caminhada, até então, pela fé. Não me tornei um discípulo da umbanda ou do candomblé. Mas passei (e muito) a respeitar as outras crenças.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Ciático





Eu completei 37 anos no último dia 22 de julho. E ainda acho incrível esse número. Trinta e sete. Porque parece que foi ontem e eu tinha 15 anos e esperava ansioso para fazer 18, ter a minha liberdade, a minha vida, a minha independência. Somos tão tolinhos e idiotas quando adolescentes, não?

Os 18, é claro, chegaram. Na verdade, o dobro dessa idade mais um ano, vividos intensamente e sem grandes arrependimentos. Com o passar do tempo veio realmente a independência, a liberdade, uma vida que, sendo bem sincero, eu nem imaginava possível pra mim quando era aquele adolescente bobo do interior do estado do Rio. Mas, com o tempo - e a idade! - vieram também as complicações.

Se com 15 anos eu achava que depois dos 20 eu estaria casado, com família constituída e vivendo um comercial de margarina, eu descobri que, aos 37, tive relacionamentos diversos e intensos, casei e separei, me permiti viver, amei e fui amado, mas bem longe do modelo de cartilha tradicional que eu julgava que seria seguido por mim. E com essas surpresas, me encontrei e abracei a felicidade de me permitir.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Quinze Anos




No dia seguinte à morte de minha mãe, imaginei que ela estava ao meu lado, me acordando para que eu não chegasse atrasado no trabalho. Eu já estava acostumado com essa rotina pois, anos a fio, ela repetiu isso... Cinco minutos antes do combinado, puxava devagar o lençol ou cobertor e afagava meus cabelos para que aos poucos eu pudesse despertar. Eu sempre caía no sono novamente e, ao final dos cinco minutos de lambuja, novamente chegava à beira de minha cama e avisava baixinho: “agora, chega de preguiça. Já está na hora de levantar mesmo!”

Mesmo após sua partida, todos os dias ainda sentia verdadeiramente a sua presença ao me despertar cinco minutos antes. Também cheguei a imaginar sua risada inconfundível ao telefone e sua mansidão, desejando um bom dia. Hoje eu tenho certeza de que ela sempre esteve por ali, para que não sentisse tanto sua falta. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Playlist do Sil: Mexendo a Raba com A...GOSTO!





Quinta-feira chuvosa no Rio de Janeiro, mas nem por isso podemos deixar de comemorar que Agosto, o mês do ---insira aqui sua opinião--- veio com tudo! E com música boa, todo dia, até mesmo os chuvosos, podem ficar mais alegres e sextar como um bom início de final de semana, não é mesmo?

E como já tem um tempo que não separo umas músicas viciantes para vocês, segura a raba que lá vem pancadão, em uma listinha de seis, só pra "sextar"! Vamo rebolar a bunda hoje!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Dia dos Pais é Só Para Brancos?




Uma propaganda bem-humorada, com um homem mostrando a sua forma de olhar as relações com seus filhos, dizendo que “nasceu pra ser pai” para vender perfumes no Dia dos Pais. Seria um comercial como outro qualquer, ano após ano, não fosse por uma questão: a cabeça racista dos expectadores. A família representada é inteiramente composta por atores negros, como em diversas vezes já fora com atores brancos em inúmeras peças publicitárias. E somente isso foi o suficiente para começar uma campanha de “dislikes” no vídeo no Youtube. 

Quem me alertou desse movimento foi o Leandro Faria, nosso editor do Barba Feita. Nessas horas é bem difícil a gente lembrar que tem que fazer esforço contra horrores como esse do racismo, bem como do machismo, homofobia, discriminação social... E você pode até se perguntar: “como pode isso em pleno ano de 2018?”, mas isso é a maior prova de que nós vivemos em determinadas bolhas em um mundo e país ainda pouco avançado em relação a direitos humanos e empatia.