quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A Vendedora de Livros: o Tipo de Literatura Que Não Sai da Sua Cabeça




Acabei de terminar A Vendedora de Livros, da autora estreante Cynthia Swanson. E me encontro naquele estado reflexivo de pós-leitura. Nesse caso especial, não consigo nem definir os meus sentimentos com essa obra e isso é angustiante. 

Posso afirmar que o enredo é envolvente, se liga só: uma mulher, Kitty Miller, possui sociedade em uma livraria com sua melhor amiga da época de colégio, Frieda. O ano é 1960 e a moça está na casa dos trinta e poucos anos, mas não é noiva e tão pouco pensa em se casar. Na verdade, teve um longo namoro com um término traumático, o que acabou não resultando em casamento e a moça optou por continuar assim... Só que algo estranho acontece certa noite. Ao ir dormir, Kitty acorda em outra casa e ao lado de um homem, que descobre ser seu marido. Indo direto ao espelho, ela percebe que é a mesma mulher, mas descobre que tem uma vida completamente diferente. Se chama Katharyn Andersson e possui três filhos! E agora, qual dessas duas vidas é a real? 

Com essa premissa não é nem preciso dizer que peguei o livro e não larguei mais. Precisava entender como toda essa história era possível. Preciso dizer que Cynthia Swanson fez uma ambientação de época fantastica. Ao longo das páginas a autora cita livros, filmes e determinadas música que fazem a trama fluir e me fizeram visualizar a década em que o enredo se passava. 

O livro não é ruim, mas não consigo dizer que é excelente. Ele mexe com a gente. Nos identificamos com o drama de Kitty, que sente que a outra realidade, com tudo o que não possui em sua vida "real", é sedutora demais. Ela chega a sentir medo de gostar tanto de sua outra versão que pode acabar ficando presa em uma só realidade e sem sua melhor amiga ao seu lado. 

Acredito que o maior acerto da autora, e também da TAG INÉDITOS, que fez o envio desse livro, foi mexer com o leitor. Não paro de pensar no enredo e de me questionar certas coisas que ando fazendo com minha vida. Isso tudo após essa leitura. Até que ponto um livro tem obrigação de mexer com a gente?  Acho que só em nascer esse questionamento, essa mesma pergunta ganhou sua resposta, não é mesmo? Um livro deve mexer em qualquer sentido. Gerando um desconforto ou fazendo com que a gente reflita sobre nosso caminhar, isso já é um presente para o autor e para o leitor. 

Nós não sabemos lidar com perda, isso é fato. Até hoje, por exemplo, não consigo dizer que superei a morte de minha vó. Mas a vida acaba acontecendo e anos depois é que nossa ficha pode cair que a nossa realidade não é nem de perto aquilo que sonhamos quando pequenos. Algumas vezes é preciso algo para fazer esse sentimento despertar e isso não é nada fácil. 

Existem notícias de que esse livro vai virar filme e protagonizado por ninguém menos que Julia Roberts e, confesso que consigo visualizar nossa antiga heroína dos clássicos filmes de comédia romântica vivendo essa personagem de múltiplas camadas. Acredito ainda que a trama vá conseguir ser um filme tão bom quanto a leitura do livro se mostrou. 

Qual foi o livro que mexeu de verdade com você? Deixa recomendado nos comentários....

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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