segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Como é Cruel Viver Assim: Um Retrato da Mediocridade Que nos Rodeia





Já falei por aqui que a produção cinematográfica brasileira há muito vem se diversificando. Apesar das comédias ainda serem maioria entre as obras nacionais que chegam aos cinemas, aos poucos vamos ganhando um pouco mais de opções em diversos gêneros que vão sendo testados e produzidos. 

Como é Cruel Viver Assim, que chega ao grande circuito na próxima quinta-feira, dia 16/08/2018, é um desses exemplos de como o cinema nacional tenta se enveredar por outras áreas, atingindo resultados diferenciados de acordo com a execução de cada projeto. Dirigido por Júlia Rezende, o filme tem roteiro de Fernando Ceylão e conta a história de um grupo de quatro pessoas que, sem nenhuma perspectiva na vida, decide realizar um sequestro para mudar de condição. O problema é que todos são completamente inexperientes na vida de crimes e muito diferentes entre si. 

Vividos por Marcelo Valle, Sílvio Guindane, Fabíula Nascimento e Debora Lamm, o quarteto de protagonistas é formado por aquele tipo de pessoa medíocre que todos nós conhecemos de montão (se não nos enquadrarmos no grupo, o que pode ser uma possibilidade). Sem formação educacional ou profissional, obtusos e um tanto quanto inocentes simplórios, os personagens tem uma ambição que não casa com a sua realidade ou alternativas. Vêem na possibilidade de um sequestro a chance de mudar de vida, mesmo que para isso estejam enveredando por um caminho sem volta. E a graça do filme é constatar que essa comédia é na verdade um drama e um retrato do que nos rodeia no nosso próprio cotidiano.

Dramédia, Como é Cruel Viver Assim não apela para o riso fácil, com piadas a torto e a direito, mas faz rir. Um riso de nervoso, é verdade, daqueles amarelos e que quase nos fazem ter pena de seus personagens. Tão embrenhados na própria mediocridade, tornam-se pessoas críveis, apesar do comportamento sem cabimento e das decisões equivocadas; dá quase para sentir pena dos personagens, mesmo sabendo que eles são, na verdade, detestáveis.

O roteiro não é lá um primor e algumas situações soam mais do que forçadas. Entretanto, o quarteto de protagonistas empenha-se em seus papéis e o resultado é que ficamos realmente imersos naquele mundo apresentado por Júlia Rezende e curiosos para o desfecho do sequestro que vai sendo desenhado durante a exibição, certos de que vai dar merda, de um jeito ou de outro.

Melancólico e com um final que abraça a mediocridade dos personagens em todos os sentidos, Como é Cruel Viver Assim não é um filme inesquecível, mas é uma boa opção de entretenimento e que também nos faz pensar: por que tanta gente insiste em viver de forma tão medíocre? Mais do que isso, o que fazer para fugir dessa situação que, tantas vezes, parece impossível de ser superada?

O filme (e o cinema como eu todo) não nos dá respostas. Mas nos ajuda a pensar e isso já é bastante coisa...
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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