segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Dez Produções Recentes (e Imperdíveis!) Com Temática LGBT





Eu sei que o termo mais atual para definir toda a ampla e diferente comunidade não heterossexual é LGBTQ+. Entretanto, eu sou mais como o Marcos Araújo, nosso colunista das sextas-feiras aqui do Barba Feita: para mim, será sempre LGBT, combinados? Se sim ou se não, tanto faz, segue o baile.

O legal, entretanto, é que com ou sem novos rótulos, essa população, que por tanto tempo foi marginalizada na vida real e nas obras da cultura pop, estão vindo à luz, mostrando-se ao mundo como efetivamente são, fugindo de estigmas e preconceitos. E um reflexo disso é que há muito que os personagens gays tem sido mais aprofundados, ganhando plots interessantes em produções para o grande público, como filmes, séries e novelas. Isso quando não são eles os protagonistas de boas tramas.

A coluna de hoje é um pequeno apanhado de produções mais recentes (a mais antiga teve início em 2009, mas continua no ar até hoje, com fôlego para muito mais tempo ainda) que tem a temática LGBT em sua gênese. São filmes, séries e dois realities que nos brindam com esse mundo vasto, dramático e colorido, sem apelar para fórmulas fáceis, resultando em obras interessantes e que merecem ser conhecidas e conferidas.

Prontos para mergulhar no arco-íris? Então vamos atualizar a lista do que assistir.

Por ordem de lançamento, sem nenhuma preferência especial. 

RuPaul's Drag Race (2009 - Atualmente)

Quando a primeira temporada de RuPaul's Drag Race estreou, em 2009, o mundo das drag queens não era tão conhecido como atualmente (e muito desse mérito vem do sucesso e longevidade do reality de Mama Ru). Dezesseis anos depois, a arte drag está em todo lugar, inclusive com o sucesso de artistas como Pabllo Vittar no Brasil até mesmo para o grande público, fugindo de apenas um nicho específico.

No programa, que já tem 10 temporadas (duas delas - a oitava e a nona - disponíveis na Netflix brasileira) e 3 edições All Stars, um grupo de drags participa de desafios em busca de se tornar a nova drag superstar da América, com direito a muito shade, barraco, confusão, gritaria e, atualmente polêmicas diversas que envolvem até o nome de RuPaul. E não é isso que a gente espera de um bom reality show?

Eastsiders (2012 - Atualmente)

Originalmente lançada no Youtube, em 2012, a série conta com três temporadas disponíveis na Netflix e é um daqueles achados que você fica se perguntando: por que eu não assisti (ou ouvi falar) isso antes?

Com episódios curtos (a média de duração de cada episódio na primeira temporada é de apenas 15 minutos), conhecemos o relacionamento de Cal e Thom, os dois protagonistas, que tentam acertar a vida depois de uma traição. É uma série imperdível, bem realizada, com um grande pé no mundo real e que te faz pensar que conhece pessoas como aqueles personagens; se é que você não se verá na pele de um deles. Obrigatória!

Azul é a Cor Mais Quente (2013)

Porque meninas também amam. E nesse filme francês de 2013, isso é exemplificado de forma magistral, em uma trama singela e emocionante.

Adèle é uma adolescente que enfrenta os desafios da chegada da maturidade. Mas sua vida toma um rumo inesperado ao conhecer uma encantadora garota de cabelo azul, com quem começará uma intensa relação e uma viagem de descobertas e prazer.

Quatro Luas (2014)

Em um mosaico de quatro histórias que evocam as fases da lua, o diretor mexicano Sergio Tovar Velarde apresenta nesse filme disponível na Netflix um belíssimo quadro final, daqueles que nos acompanham mesmo depois que os créditos sobem, mas que você continua com seus personagens e histórias na cabeça.

Nas tramas, acompanhamos uma primeira paixão, o reencontro de dois amigos de infância, a dúvida em um relacionamento já estabelecido e a obsessão de um homem por um garoto de programa mais novo, em uma antologia bela e envolvente que usam a homossexualidade masculina para contar histórias que farão qualquer espectador se emocionar.

Sense8 (2015 - 2018)

A série original Netflix queridinha de quase todo mundo, né? Mas, vai que alguém não assistiu a esse primor, que teve seu episódio final disponibilizado esse ano? Temos de exaltar essa produção caprichada, diversificada e que conquistou fãs por todo o mundo.

A história do grupo de oito pessoas que se conectam mentalmente apesar de serem um de cada lugar do mundo ganhou o público em sua primeira temporada de 2015, perdeu audiência em seu segundo ano e foi cancelada sem mais nem menos. Mas a gritaria dos fãs fez um episódio final ser produzido para encerrar a trama e, nossa, que presentão. É pra rir, chorar, se emocionar e deixar Sense8 para sempre na memória dos fãs e na história da cultura pop.

Com Amor, Simon (2017)

Lançado nos cinemas brasileiros em maio desse ano, Com Amor, Simon é aquela história que parece ser só mais um filme adolescente bonitinho, mas que é, na verdade, um afago no coração, graças à sua realização competente e inspirada. É um filme doce, singelo e de uma beleza ímpar.

Aos 17 anos, Simon Spier aparenta levar uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não se assumiu gay pra sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, de forma anônima, na internet. Até que, é claro, sua identidade é revelada para toda a escola.

Beach Rats (2017)

Drama de 2017 disponível na Netflix, Beach Rats é aquele filme pesado, meio que a vida como ela é esfregada na sua cara em forma de cinema. Narrando a vida de um adolescente sem objetivo do Brooklyn, que luta para escapar de sua vida familiar sombria enquanto lida com questões de auto-identidade e equilibra seu tempo entre seus amigos delinqüentes, uma possível namorada e os homens mais velhos ele conhece online, o filme trata a homofobia internalizada de maneira magistral, apresentando um drama sólido e contundente.

Filmaço, mas que certamente não é pra qualquer um. Mas que você deveria encarar se quiser mergulhar em uma história excelente e que é a realidade de muitas pessoas mundo afora.

Alex Strangelove (2018)

Filme original Netflix, Alex Strangelove pega um mote parecido com o de Com Amor, Simon (a descoberta de um adolescente da sua homossexualidade)  e entrega um filme bonitinho, apesar de esquecível. É aquele filme que você vê, suspira, mas que é apenas ok. Entretanto, cumpre seu papel de divertir.

Alex Truelove é um adolescente nerd, mas que tem uma namorada, amigos e está com um pé na universidade. Até que, ao decidir transar com a namorada, conhece em uma festa Elliot, um fascinante rapaz, e tudo que era certeza vira dúvida em sua vida.

Pose (2018 - Atualmente)

Criação de Ryan Murphy, Pose teve sua primeira temporada exibida nesse ano nos EUA e já garantiu a sua renovação para um segundo ano. O que é facilmente entendido ao se deixar embarcar por essa história linda, maravilhosa e envolvente, que te pega desde o primeiro episódio e vai te deixando mais feliz a cada capítulo.

Com um elenco predominantemente negro e que já entrou para a história como a série com a maior quantidade de atrizes trans já produzida, Pose é sobre um lado pouco explorado da cultura queer no mundo: a vida de transexuais em um cenário do fim dos anos 80, com a epidemia da AIDS sendo uma grande realidade ceifadora de vidas. Mas a história foge do clichê de ser apenas uma série sobre AIDS, se tornando uma produção sobre (bons) personagens. Não viu ainda? Corrija esse lapso e faça isso JÁ!

Queer Eye (2018 - Atualmente)

Reboot da Netflix para o reality de sucesso Queer Eye For The Straight Guy (no ar de de 2003 a 2007), a versão Queer Eye repaginada de 2018 é um achado, que emociona, enternece e, principalmente entretém. E as duas temporadas disponíveis na Netflix, ambas lançadas esse ano, são prova do sucesso e do frescor da ideia.

Antoni, Karamo, Tan, Bobby e Jonathan são quatro gays fabulosos que entram na vida de uma pessoa aleatória (e na nova versão não necessariamente homens hétero, já que eles ajudam mulheres e até mesmo gays) por uma semana, modificando totalmente a sua forma de viver e dando um upgrade na autoestima e e ego de todos. Sério, é maravilhoso, assistam!

É claro que essa não é uma lista definitiva. Me Chame Pelo Seu Nome, por exemplo, ficou de fora daqui porque eu mesmo já declarei meu amor eterno ao livro e filme em colunas passadas. E a lista sempre pode ser ampliada e, se for o caso, conto com a sua participação: que produção com temática LGBT mais atual você acha imperdível?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

2 comentários:

Antonio Neto disse...

Já assisti todas!!! Amei
Apenas uma correção, Rupaul estreou em 2009.

Leandro Faria disse...

Obrigado, Antonio Neto. Corrigido!