segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Fé, Deus e Uma Grande Porção de Intolerância





Já tem algum tempo que eu planejo falar sobre o assunto, mas sempre paro e penso: será que vale a pena a polêmica? Porque, tipo, eu sei que posso ser polêmico e que isso faz parte da minha natureza. Mas, sério, ando com preguiça do mundo, principalmente de burrice. Entretanto, se a gente não fala e cala, dá margem para que alguns pensamentos se espalhem sem que todos reflitam sobre absurdos ditos a torto e a direito por aí. Por isso, apesar dos pesares, cheguei a uma simples conclusão: foda-se, isso é liberdade de expressão! Se eles tem, eu também! Dois beijos pra quem não gostar!

Por isso, vou falar pra vocês uma coisa muito séria e que realmente ocupa a minha mente: eu tento não ter preconceito com evangélico, porque, para mim, se todo mundo seguisse o que Cristo pregava, principalmente o amor ao próximo e a Deus sobre todas as coisas, o mundo seria um lugar bem melhor. Do que eu efetivamente tenho preconceito é com gente burra, que não pensa e se deixa guiar pelo que outras pessoas dizem, sem usar a massa que tem dentro da cabeça e que não serve somente para fazer peso. 

O problema é que, ultimamente, desculpem-me a sinceridade, evangélico e burro numa mesma frase é o mesmo que ser redundante. Óbvio que estou generalizando e que fique claro que há muitos evangélicos que fogem do esteriótipo atual que toma conta da socidade. A pena é essa: eles (os bons evangélicos) estão se tornando raros.

O que tenho visto ultimamente, na mídia principalmente, é o caminho inverso. O Estado Laico é visto com desdém e parecemos caminhar para uma teocracia, onde somente as regras """religiosas""" absurdas é que devem ser ouvidas.

Basta dar uma olhada geral na internet para se assustar em como as pessoas estão perdendo a vergonha na hora de professar sua suposta fé, através de comentários intolerantes sobre qualquer coisa que fira o que eles acham ser a vontade de Deus. Dá um medo enorme disso e  chego a achar que estamos nos preparando para viver em um estado fundamentalista religioso, nos moldes dos que existem no Oriente Médio. 

O que realmente me irrita são as barbaridades ditas por esse tipo de pessoa (que mancha o termo evangélico como um todo) em nome de sua fé. Afinal, por que a sua crença é a vontade de Deus e a minha não? Por que a minha falta de fé em Deus, se eu não acreditar nele, não deve ser respeitada? Que direito tem qualquer pessoa de apontar para alguém e dizer que sua vida, sua orientação sexual, suas crenças, são erradas e que não merecem ser respeitadas? Pior: quando contestados, se fazem de vítimas e se dizem perseguidos por serem evangélicos. Deprimente. E aterrador, se você levar em conta que esse comportamento não é mais isolado e sim o habitual. 

Declarações homofóbicas de celebridades, políticos e até mesmo presidenciáveis ganham peso e as manchetes dos meios de comunicação diariamente. E passam a ser reproduzidas como se fossem verdade por quem não usa um presente que Deus deu a todos os seres humanos: discernimento

O que peço a Deus, se ele existir e estiver me lendo, é que ele tenha um pouco de paciência. Eu, no lugar dele, mandava raios e trovões para dizimar a Terra e, surpresa, não seria para matar gays e ateus. Ia tudo direcionado para esse bando de evangélico que diz pregar a vontade Dele, mas que expõe em suas atitudes e ações alguns dos comportamentos mais nojentos de um ser humano.

E é por isso, caro Deus-Senhor-Onipresente-Jeová-Alah-ou-Whatever, quem quer que você seja, eu só peço um pouco mais de paciência. Para mim, viu, porque tá difícil aguentar tanta idiotice e falta de bom senso nesse mundo que me cerca.

E enquanto isso, fico aqui, literalmente orando todos os dias pelo arrebatamento. Afinal, não seria maravilhoso se todos os crentes que querem ser arrebatados realmente desaparecessem da face da Terra num piscar de olhos? Poxa, Deus, os ouça, vai. E nos faça esse imenso favor...

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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