terça-feira, 14 de agosto de 2018

Mãe, Tá Tudo Bem! Feliz Dia dos Pais!




No último domingo, 12/08, comemoramos o Dia dos Pais. E resolvi escrever a coluna de hoje em forma de carta. E esta carta dedico à minha tia Nanci, irmã da minha mãe, minha madrinha. Aquela que me criou após o abandono do meu pai e falecimento da minha mãe aos 43 anos de idade, há 25 anos atrás. 
“Mãe…Você tem sido o alicerce da nossa família, onde se desdobra para não faltar nada nas nossas vidas, mesmo que para isso tenha que trabalhar horas a fio, sem direito a descansar. Por ser a filha caçula e solteira, carregou no ombro não somente a responsabilidade em cuidar de seus filhos, mas de mim – seu sobrinho, a quem sua irmã deixou tão cedo para estar ao lado do Pai, e também de zelar pelo meu avô até seus últimos dias de vida. Além de tudo isso, quantas vezes teve que socorrer outros membros da família nas horas incertas, com as suas mãos sempre estendidas. E, no final, você sempre fez com que ficasse tudo bem, né, mãe?

Mamãe, mesmo com os seus defeitos (quem não os tem?), principalmente o gênio forte, você também tem suas fraquezas, limitações, TPM (que agora você “carinhosamente” chama de ira rs...), medos e inseguranças. Mas também tem infindáveis atos de bondade e de generosidade, sempre se fazendo presente. E ainda assim, mãe, você conseguiu deixar tudo bem.

Mãe, como você é guerreira! E pode ter certeza que reconhecemos o seu esforço para suprir nossas necessidades, até porque sabemos que são muitas e por isso, às vezes, tento dividir esse fardo pesado com você, mesmo entendendo que não tenho sua excelência para lidar com eles. Eu tento deixar tudo bem para você, mãe.

Mas foi com você, mãe, que aprendi a engolir os sapos da vida, trocar fraldas do meu irmão quando você estava de plantão, a fazer comida e as pequenas tarefas do dia-a-dia e que hoje me tornaram o homem independente que sou. Sei que você não teve tempo de me dedicar para fazer as tarefas escolares, brincar comigo, assistir filmes juntos na minha adolescência, porque tinha que trabalhar em vários empregos para manter a mim e aos meus irmãos. E foi com essa ausência, que você se tornou o maior exemplo de ser humano para mim. Ficou tudo bem, tá mãe?

Mamãe, foi com você que comemorei todos os Dias dos Pais nos últimos 25 anos, desde que o meu genitor abandonou a mim e aos meus irmãos. Na escola, me perdia nas palavras ao tentar justificar a ausência da outra pessoa, mas nos teus braços encontrava o afago e carinho que eu precisava para me manter forte e seguir. Você sempre se esforçou para me fazer acreditar que estava tudo bem, fazendo de conta que era só uma data inventada por uma pessoa que queria ganhar dinheiro. Tá tudo bem, mãe, isso já não dói mais como antes.

Mãe, você me ensinou a esperar quando não podia ter algo (afinal, as dificuldades eram muitas), assim como me ensinou os bons princípios e perseverança para conquistar meus desejos, respeitando as pessoas e acima de tudo, respeitando a Deus. Sim, você me ensina a me tornar um ser humano melhor todos os dias, até hoje. E imagino como deve ter sido complicado administrar meus conflitos, quando envolviam meus sentimentos, com tantas cicatrizes que talvez nunca sejam curadas. Mas para isso existem as mães, que de uma forma ou de outra nos confortam com carinho, bolos de chocolate e os melhores pudins de leite do mundo como os seus. Mas hoje, graças à você, mãe, tá tudo bem.

Mãe, no espelho da vida, eu quero ser o seu reflexo: batalhador, guerreiro, forte, independente, amoroso e saber cozinhar como você. Eu levaria um bom tempo te descrevendo, roubando adjetivos no dicionário que fazem parte da sua personalidade, mas o espaço é limitado. Talvez qualquer espaço que me cedam para falar de você seja injusto, pois você é infinita. Na minha vida, você é o pai do Dia dos Pais, a amiga do dia do Amigo, a mãe do Dia das Mães, a professora do Dia dos Professores, a médica do Dia dos Médicos…Afinal, quantas pessoas tem dentro de você? Não sei. Só sei que em qualquer papel destes, você vai me fazer sentir que está tudo sempre bem.

Parabéns por toda a garra e por todo cuidado comigo e com todos que precisam de você. Hoje, tá tudo bem, mamãe. Eu não questiono mais nada, não choro mais. Porque agora eu entendo, te entendo. Tá tudo bem, mamãe, mas se um dia vier a não ficar tudo bem, daremos um jeito, como sempre fizemos, todos esses anos. Agora é minha hora de cuidar de você. Feliz Dia dos Pais, para a melhor Mãe do mundo!”

Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Dai Borges disse...

Bela homenagem a todas as mães que precisam se desdobrar em mil por peças do destino, sendo pai, mãe, amiga, professora etc.
Parabéns em especial para a Nanci, que é tia e se dispôs a fazer o papel de mãe para o Julio e conforme texto acima, com a mais bela dedicação.