quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Moléstia: Uma Experiência Teatral Inquietante





Não vou tanto ao teatro quanto gostaria. Sei que é uma falha grave e, de tempos em tempos acabo "tentando" reparar com algum espetáculo que me tire da zona de conforto. O teatro, diferente da televisão e do cinema, possui esse poder supremo. Afinal, não tem como fugir de uma peça. Tá... existem aquelas pessoas que podem, simplesmente, levantar e ir embora. Mas essas considero covardes! No fim das contas, essa não é a função primordial da arte? Mexer com a gente, gerar um incomodo e até um questionamento? 

E foi isso que Moléstia, peça em cartaz no Reduto (Rua Visconde de Irajá, 90 - Botafogo), provocou em mim. A história, escrita por Herton Gustavo Gratto, foi feita para despertar uma semente de dúvida na gente. Mas a precisa direção de Marcéu Pierrotti, em que vamos acompanhando cada ponto de vista do "possível responsável" pela atitude horrenda, é o que permite o enredo fluir tão bem ao longo de uma hora. 

A trama apresenta Breno (Felipe Dutra) e Mabel (Camila Moreira), um casal que possui uma relação bem desgastada e que está ficando em banho-maria, mas com a chegada do sedutor Cadu (Ciro Sales), começa a recuperar um pouco dos desejos escondidos. Fica na cara que Mabel teve que fazer uma escolha e que hoje, vendo o passado morando em sua casa, acredita que pode reparar esse erro eventual. Breno, apesar de bronco em alguns momentos, também teve sua história com Cadu. O retorno do amigo é algo que ele não consegue processar bem. Possui ciúmes do comportamento dele com sua esposa e o modo como trata seu filho, Thiago. 

Poderia ainda indicar mais elementos dessa trama e narrar para vocês a sinopse oficial da peça, mas acho que isso pode perder um pouco da graça e vocês já chegarem prontos e com vários escudos internos preparados para desviar de momentos agridoces e diálogos bem amarrados. Eu mesmo me vi ali, entre uma fala e outra, montando todo um quebra-cabeça sobre quem aquelas pessoas eram de verdade e o que de fato poderia ter acontecido com o filho daquele casal. 

Apesar de flashbacks acontecerem para preencher essas lacunas e nos darem respostas, a ação começa com a ida do casal até a escola onde estuda o filho dos dois. Lá, diante da madre superiora (Deborah Figueiredo), Mabel e Breno se responsabilizam e responsabilizam Cadu pela monstruosidade que aconteceu com o jovem e indefeso Thiago. Teria o amigo de longa data se aproveitado da ingenuidade de uma criança e abusado dela? 

Vá ao teatro e descubra essa intrigante resposta. A peça se encontra em cartaz em sua última semana em duas sessões: sexta (31/08), sábado (01/09) e domingo (02/09) às 20h e outra sessão às 21h30.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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