sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Ninguém Entendeu Maquiavel




É hora de falar sobre política, pois nos dias de hoje, é necessário termos um canal aberto para dialogarmos sobre esse assunto.  Afinal, as eleições estão aí na nossa porta.  E depois não adianta chorar pelo leite derramado. 

Muitas vezes tenho a impressão de que política sempre foi um assunto desinteressante para a maioria das pessoas.  Quase todo mundo torce o nariz quando, em uma rodinha de amigos, o tema surge.  E aí começam as farpas, brigas e o esvaziamento do discurso.  E é nítido que mais da metade das pessoas sequer compreende um centésimo sobre o assunto.  Eu, particularmente, não sou e nunca serei um expert em política.  Afinal, também fui um daqueles jovens que não tiveram, em sua formação, uma discussão mais profunda sobre o tema, mas sempre me interessei em ler. 

A palavra “política” vem do grego antigo (politeía), do tempo em que as cidades estavam organizadas em cidades-estado (as pólis) e sua administração social.  Aristóteles já categorizava, em seus estudos as funções e divisões do Estado e as várias formas governamentais.  O livro A República, de Platão, tinha em seu título original a palavra em grego antigo e outros  filósofos, como Hobbes, Russel e Maquiavel, expandiram o conhecimento do conceito nas ciências políticas e sociais, utilizando-se de conceitos um tanto quanto “cruéis” se analisarmos da forma imprecisa.  O Príncipe, obra-prima de Maquiavel, por exemplo, se confunde com o adjetivo relacionado ao autor: maquiavélico.

Na verdade, ao contrário do pensamento idealista de Platão, Maquiavel só descreveu, de forma bem realista e prática, a atuação do governante, traçando o perfil do indivíduo que buscava o poder.  O autor não pregou, na obra, ideias de falsidade ou perversidade, mas a arte de conquistar, manter e exercer o poder acabou sendo mal-interpretada.  Milhões entenderam que a obra preconizava a corrupção.

É notório que O Príncipe é o livro de cabeceira de muitos políticos brasileiros, que entenderam tudo errado.  Outros já caíram do poder pois não seguiram os conselhos do pensador italiano, dentre eles, coisas simples como “agradar o povo”, sim, aquela velha história do “dê-lhes pão e circo”, mas com sabedoria e perspicácia.

Outro dia li um livro bem interessante chamado A Queda de Dilma, escrito pelo jornalista Ricardo Westin, a quem que tive o prazer de assistir ano passado em uma palestra em Brasília.  Westin estava explicando que a ex-presidente cavou a sua própria derrocada política exatamente por não ter seguido as lições políticas de Maquiavel, como ter sido mais criteriosa na “escolha de seus ministros” ou ter “feito as maldades de uma só vez e as bondades a conta-gotas”.

E, se analisarmos o atuação do governo vigente, ao que tudo indica, a lição foi aprendida com louvor.  Ou alguém aí consegue respirar e pegar fôlego com o pacote de maldades sequenciais?

O próprio Maquiavel já dizia que “os aliados atuais são os inimigos de amanhã”.  Política é bem diferente de politicagem.   Mas assusta muito saber que essa visão realista é a cara do nosso cenário político atual.   E como ninguém entendeu Maquiavel, é bem provável que ninguém consiga entender toda essa balbúrdia em que se transformou o Brasil.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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