quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Oito do Oito





Hoje é 08/08/18. Com tantos números oito no mesmo dia, seria uma data especial? Cabalística? Kármica? Parei pra pensar um pouquinho no que esse numeral representa. O que traz para mim, pessoalmente ou mesmo na esfera do conhecimento. O oito nunca foi um dos meus números da sorte (sempre fui mais partidário da sua metade, o quatro); aliás, não me recordo de ver pessoas o destacarem como tal: geralmente ficam mais com o 3, o 7 ou o 13. 

Segundo o site Dicionário de Símbolos, o número 8 é, universalmente, considerado o símbolo do equilíbrio cósmico. É um número que possui um valor de mediação entre o círculo e o quadrado, entre a terra e o céu e, por isso, está relacionado com o mundo intermediário e um simbolismo de equilíbrio central e com a justiça. O mesmo portal ainda destaca que nas culturas orientais e africanas, o número oito carrega um poder simbólico equivalente, em alguma medida, ao do número 7 para a cultura ocidental. No Japão, o número 8 é um número sagrado. Nas crenças africanas, o oito possui um simbolismo totalizador. 

O 8 deitado é, ainda, o famoso símbolo do infinito. A linha que nunca acaba, em um ciclo que pode até fazer suas curvas, mas segue eternamente. Falar em eternidade é quase tocar num fetiche da humanidade. Desde pequeno ouço falar em “vida eterna”, seja aqui na Terra (as tentativas de encontrar uma saída para a imortalidade humana) ou nos Céus (a promessa de viver pra sempre no Além – seja ele o paraíso ou o inferno). Se a morte por si só me amedrontava, essa ideia de uma eternidade sem novos capítulos sempre me incomodou. Talvez, por isso, a ideia da reencarnação sempre me foi mais reconfortante: você até é eterno, mas em existências diversas. Eternidade, pero no mucho. 

Por volta dos meus oito anos que me lembro de boa parte das descobertas da minha vida. Foi quando perguntei pela primeira vez a minha mãe sobre sexo, com a constrangedora (não deveria ser, né?) pergunta: “Mãe, você já teve um orgasmo?”. Desconcertada, ela primeiro me perguntou de onde tinha tirado isso. Depois de dizer que foi em um livro voltado para crianças para falar sobre sexo (era mesmo!), ela me explicou do que se tratava. E aproveitou e teve uma longa conversa sobre o assunto comigo, explicando, enfim, como os bebês eram gerados nas barrigas das mulheres. Na mesma época fui ao médico e ele me perguntou se eu estava evacuando direitinho. Minha mãe me explicou que aquilo era “fazer cocô”. O que uma coisa tem a ver com a outra? Que um dia eu saí do banheiro e pedi desculpas pra uma amiga da minha mãe pela demora, porque eu estava “ejaculando no banheiro”. Confundi as duas informações novas e provoquei choque e risos nos presentes... 

O mês oito, Agosto, é conhecido como mês do desgosto. Já passei por alguns episódios ruins nesse mês. Em especial, a morte do meu avô materno, em 24/08 (dia do aniversário de uma das filhas dele, minha tia). Mas também foi nesse mês, um ano atrás, que conheci o Victor, um rapazinho que me surpreendeu e entrou na minha vida e no meu coração pra somar. De lá pra cá minha vida mudou tanto e, ao mesmo tempo, parece ter chegado a um ponto extremamente familiar pra mim. Um presente do oitavo mês do ano. 

Que neste 08/08/18, eternos ou não, desgostosos ou não, cabalísticos ou não, fique o desejo de que possamos tocar nossas vidas nem uma oitava acima, nem uma oitava abaixo (desculpe, não aguentei o trocadilho). Que seja no tom certo, hoje e sempre.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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