quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A Freira: Reze Para Não Ver...




Sabe um filme ruim? Ruim mesmo? Há muito tempo eu não via um... Pois quebrei essa marca no último sábado, quando foi assistir a A Freira, de Corin Hardy, no cinema. O que era pra ser um filme de muito terror da saga Invocação do Mal, simplesmente se tornou um desfile de clichês, com um roteiro mal amarrado e cenas que, às vezes, parecem de algum filme trash exibido no SBT. 

Fui ao cinema, na verdade, por acidente. Estava contundido, com uma dor muscular forte, e tudo o que eu queria era ficar em casa. Mas já havia me comprometido em ir ao teatro. Fomos lá até o Shopping da Gávea mas não conseguimos entrar no espetáculo – a lista amiga na qual supostamente estaríamos não rolou. Para não perder a viagem do outro lado do Túnel Rebouças – e o Uber que já tínhamos gasto – fomos até o Complexo Lagoon, onde vimos que ainda tinha uma sessão do esperado filme de terror. 

Detalhe importante: eu não vi nenhum filme da franquia Invocação do Mal e há (poucas) referências nesse A Freira. Mas nada que comprometa. E, como de costume, tratarei do assunto aqui sem spoilers

O filme começa muito bem, numa sequência aterrorizante numa abadia no meio do nada na Romênia. Embora meio clichê (aliás, por que a Romênia é tão associada à coisas do demo?), o início cumpre a sua função de apresentar a força do Mal que lá age. Só que, das coisas boas, pouco se salva depois daí... 

A sinopse do filme é a seguinte: “presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre assombrado e uma noviça prestes a se tornar freira [escolha mal explicada, inclusive, a dessa noviça]. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento em um campo de batalha.” 

A figura sombria projetada na(s) freira(s) que aparecem conseguem causar desconforto e arrancar alguns parcos sustos. Mas com o desenrolar da película, tudo começa a ficar tão óbvio que você já percebe quando os possíveis sustos vêm e simplesmente perde a graça. O roteiro é cheio de pequenos furos e contrassensos, principalmente no comportamento dos personagens principais. Terror para funcionar, ainda que fantasioso, tem que ter verossimilhança, para que a gente realmente se imagine naquela situação. E, em A Freira isso passa longe. Aliás, o maior erro da história está em misturar terror físico e terror psicológico... Tudo fica no meio do caminho, tudo é mal explicado, tudo... não funciona. 

Em tempos de cinema inflacionado, se você está pensando em assistir A Freira, te aconselho: não faça isso. Guarde seus reais para ver alguma coisa mais interessante e realmente bem escrita e dirigida.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Unknown disse...

A Romênia é associada a esse tipo de ideia pela origem do Conde Drácula.