terça-feira, 11 de setembro de 2018

Vivendo à Sombra de um Holocausto Tupiniquim





Apesar do contexto histórico ser completamente diferente, a verdade é que eu vejo elementos comuns entre o Holocausto da Segunda Guerra Mundial e os últimos dias que temos vivido no Brasil. Sempre fui aficionado por ler livros, matérias, artigos e assistir filmes que abordassem a temática nazista. Não por ser um simpatizante do assunto, mas para tentar entender (se é que isso se faz possível) como as pessoas foram enredadas a compactuar com tamanha crueldade contra a humanidade.

Primeiramente, discordo (quem sou eu no âmbito da história mundial?) do termo "holocausto", palavra de origem judaica tão disseminada para classificar um dos mais cruéis genocídios da história mundial, pois vejo que essa classificação dá a entender que esse tipo de crime só aconteceu contra os judeus. Porém, é sabido que neste “bolo” entraram os homossexuais, as pessoas com deficiência fisiológica, negros e todos aqueles que o ditador do movimento classificou como manchadores da “raça ariana”.

Percebo cada vez mais que o veneno do racismo, do antissemitismo, a rejeição do outro discordante de suas ideias e crenças, assim como o ódio, não estão limitados a uma era, cultura ou povo. Em diferentes graus e formas, eles ainda constituem ameaças diárias em todos os lugares e o nosso país nesta corrida presidencial tem mostrado isso no comportamento dos brasileiros de forma cada vez mais contundente.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completa 70 anos em dezembro de 2018, foi concebida após duas Guerras Mundiais e logo depois do Holocausto. Esse marco foi impulsionado pela necessidade urgente de prevenir para todo o sempre evitando novamente tamanho horror e destruição. Ao ser adotada, líderes mundiais reconheceram que apenas a justiça, o respeito pela dignidade humana, igualdade e direitos poderiam assegurar uma paz duradoura.

Hoje, por exemplo, as pessoas se arrogam à sombra de pretensos líderes, o direito de decidir quem deverá partilhar o país em que todos vivemos, seja em nome do nacionalismo (ou seria militarismo?), seja em nome de Deus (ou seria em nome de poder?), seja em nome da religião (ou seria em nome de fanatismo?).

O discurso de ódio em defesa de seus ideais (?) é pautado numa fala de perseguição à eles que não existe. Mas sim, os ditos “perseguidos” tornam-se algozes de toda uma sociedade e de tudo que fora conquistado até aqui em termos de liberdade e respeito. Às vezes, me vejo numa praça de guerra, onde os discípulos de um ditador se unem em exército rumo à marcha do extermínio de tudo e todos que ele abomina. Como um grupo de fantoches catatônicos que não se permitem nenhum diálogo. Atacam ferozmente, com expressões de cunho religioso, como se o Deus de amor sobre todas as coisas, fosse um deus de ódio e vingativo. Prega-se a morte dos que discordarem. A extinção dos que não se adequarem. O exílio dos “diferentes” e toda a sorte de castigo que eles mereçam, segundo essas regras, que de sagradas nada tem. 

Lembro que Adolf Hitler conduziu toda uma sociedade a ser conivente de suas atrocidades, por acreditarem cegamente no discurso bem formulado de sua loucura na busca em manter-se no poder, fazendo-os crer também ser uma raça superior aos “excluídos”. Há uma cena que me recordo bem, do filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler, onde não conseguindo compreender um mundo sem o Nacional Socialismo, Joseph Goebbels (político alemão e Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista entre 1933 e 1945 e devoto apoiante de Adolf Hitler, sendo conhecido pela sua capacidade oratória em público e pelo seu profundo e fanático antissemitismo, que o levou a apoiar o extermínio dos judeus no Holocausto) e sua esposa Magda Goebbels, envenenam seus seis filhos. Logo após, Goebbels atira em sua esposa antes de atirar em si mesmo.

Não desejo a morte ou castigos cruéis, como forma de punição. Desejo sim, justiça aos que cabem tê-la (alouuu eleitores, pesquisem a vida política de seus líderes, talvez eles sejam um lobo em pele de cordeiro...). Desejo sim, que as ruas do país não se tornem uma grande câmara de gás, onde nela sejam punidos, só pelo fato de sua simples existência, negros, indígenas, mulheres, homossexuais, refugiados e deficientes físicos sob o jargão de “Não passarão! ”

Não gostaria de, no futuro, nos livros de história, ser uma personagem desse previsível Holocausto Tupiniquim, que pessoas tão queridas e inteligentes do meu meio social querem ajudar a escrever.

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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