sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A Intolerância é o Prelúdio da Guerra





Já esgotei todas as minhas possibilidades de tentar fazer as pessoas entenderem um tiquinho sobre a conjuntura política atual do país. Provavelmente, muitos dos leitores já deixem de ler o que tenho pra dizer nesta coluna a partir de agora, pois estarão de saco cheio de tanto blá-blá-blá; outros, com a ojeriza que se faz presente na rotina, já me entitularão de forma pejorativa. Se você não é a favor do candidato B, você só pode ser H. “Mas... esperem aí... existem quase uma dezena de outros candidatos...” “Foda-se! Se não está conosco é contra nós!”

Isso, além de me entristecer, me desanima. Joguei a toalha, confesso. É muito difícil, em um país tão carente no quesito sócio-educacional, fazer com que elas compreendam análise de discurso. Ninguém sabe o que são dispositivos teóricos e analíticos na fala. Ninguém sabe que elementos devemos estar atentos no interdiscurso e na enunciação. Sequer sabem como elaborar um mapa de produção de sentidos.

“Ah, tu tá de brincadeira, né? Tem milhões que nem sabe assinar o seu próprio nome!”.  Sim, eu sei muito bem como nosso país é heterogêneo... Já viajei para muito fim de mundo Brasil afora e é notória a desigualdade social. Meus avós eram praticamente iletrados. Mas tiveram força de vontade de aprender. Eu sempre estudei em escolas do município e estado e finalizei o mestrado em uma unidade pública. E espero continuar com a mesma sensatez e curiosidade que sempre estiveram ao meu lado.

Por isso, mais uma vez, estou aqui pedindo (quase implorando) que reflitam bem em quem vocês querem ver governando o país e seu estado pelos próximos quatro anos. Escolham bem os seus deputados e senadores, pois são eles que alteram leis, elaboram e votam o orçamento, fiscalizam o Executivo e Legislativo, participam de comissões e aprovam a escolha de presidentes de empresas públicas... Conheçam as propostas que eles apresentam nas campanhas... Vote no governador que tenha a melhor proposta de implantar políticas públicas, que tenha pulso firme para comandar a segurança e que tenha habilidade para buscar investimentos federais para seu Estado! Vote em um presidente que tenha coerência em sancionar ou vetar as leis aprovadas pelos parlamentares, assim como tenha uma ótima relação com os demais países (afinal, é ele que estará representando internacionalmente o Brasil no exterior) e, principalmente, vote em um presidente que se preocupe com as políticas públicas para uma população inteira! Somos uma nação que possui 208 milhões de pessoas. Ninguém é mais ou menos importante do que o outro. Não existe uma suposta “maioria” que precisa ser autoritária com um determinado grupo o subjulgando como “menor” ou “menos importante”. 

Leiam! Estudem a história, pois ela é cíclica e cheia de movimentos que, em diferentes contextos, tendem a se repetir em diferentes épocas. Entendam que Maquiavel não era maquiavélico e tampouco Caligari era um puro prestidigitador. O ódio está batendo nas nossas portas, nas nossas redes sociais, nas pixações e placas de ruas quebradas com o nome de vereadores assassinados. O ódio está presente na exclusão dos amigos, na exaltação da coletividade nacional em detrimento de outras culturas, na concentração total do poder nas mãos de um líder governamental. 

Não precisamos de violência e terror. Não precisamos excluir e considerar inimigo quem pensa diferente de nós.

Pra terminar, uma pequena historinha, que está presente em qualquer livro didático: com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Itália passava por uma forte instabilidade econômica, política e social. O país não crescia e havia cada vez mais miséria e desemprego. Vários grupos foram criados em revolta a esta situação, como os socialistas, os anarquistas e os comunistas. Foi nessa movimentação que então surgiu o fascismo, exaltando um líder, que utilizando-se da militarização da sociedade, disseminando ideias que se propagaram até à Alemanha, na vertente do nazismo, marcado por visões racistas e antissemitas que resultaram na morte de mais de seis milhões de pessoas. Pessoas que a “maioria” julgou ser uma minoria: judeus, gays e ciganos que simplesmente foram exterminados pela intolerância.

Vote com consciência.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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