quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Dementadores do Mundo Real: Pessoas Más Estão Entre Nós




Existem pessoas que são, realmente, más. E elas estão entre nós e, não necessariamente, tem a carinha da bruxa com verruga na ponta do nariz dos contos de fadas. Às vezes, a vida faz questão de te mostrar que tem gente que gosta verdadeiramente de espezinhar, de diminuir e de infernizar a vida do outro – e isso é, de alguma forma, um alimento para elas. Pessoas pequenas de espírito. 

No debate eleitoral nas redes sociais, vimos muito disso, de todos os lados. Opiniões extremadas, pessoas sem empatia alguma, falando inclusive na morte de outros como algo banal. Ver os lados mais cruéis da humanidade (não tenho dúvida de que são muitos) representados na política é algo difícil, mas não passa de um aviso pra gente de “ei, você vive em uma bolha que não reflete a realidade”

Eu sempre busquei me pautar por decisões que não firam outras pessoas, ainda que indiretamente. Mesmo aquelas por quem não tenho muito apreço. Costumo dizer que minha meta de vida é morrer e, no meu enterro, haver um consenso de que o mundo perdeu um cara legal. Tenho 34 anos de vida, 15 de profissão, e tenho a absoluta certeza de que nunca fiz ninguém chorar por conta de trabalho ou de qualquer outra regra de convivência por algo que fiz ou disse – exceto em relacionamentos amorosos, que são mais complexos. Lido com uma centena de pessoas numa instituição religiosa sem fins lucrativos, na qual pelo menos 40 estão sob minha responsabilidade direta e tenho o respeito, o compromisso e o engajamento delas sem movimentar um centavo, apenas buscando ser um bom líder. Não consigo entender como alguém se apraz em ser mau com outro. 

Isso, de certa forma, também é uma bolha. Pessoas boas, que querem o bem, costumam se relacionar entre iguais. Nesse caso, é a lei da afinidade: os iguais se atraem. E olha que convivo (e muito!) com ateus (companheiro, amigos, cunhado...), ou seja, não de trata de uma questão de moral cristã; mas, sim, de ser um ser humano melhor. 

Cruzar com pessoas más e ter que lidar com elas é quase como encontrar um dementador (fazendo outra alusão a Harry Potter nessa semana no Barba Feita, que começou fazendo isso em um texto do Leandro Faria na segunda-feira): eles sugam a nossa energia e conseguem, por vezes, até apagar a nossa felicidade. Conseguir se desvencilhar disso e pensar num “patrono” eficiente para expulsar esses dementadores é difícil quando você já está, de alguma forma, atingido e abalado. Muito difícil. 

A única esperança que temos é que a gente segue adiante e que, um dia, essas pessoas saem da nossa vida, ainda que surjam outras em algum momento. Mas o que fica é justamente o aprendizado e os calos para saber lidar melhor com a situação. E temos a certeza de que não vale a pena deixar de sermos bons e querermos o bem, apesar dos dementadores...

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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