terça-feira, 23 de outubro de 2018

Homens De Peito: O Lado Azul Do Outubro Rosa





Vocês sabiam que, tradicionalmente, o mês de outubro passou a ser o mês “rosa”, em função do nome dado para uma campanha internacional para sensibilização da população para o problema do câncer de mama? Pois é, essa modinha, que depois tornou-se um movimento sério, teve a sua origem nos Estados Unidos, depois do Congresso Americano ter determinado o mês de outubro como o mês da prevenção desta doença. O símbolo do evento no calendário mundial é um laço de fita rosa, algo que começou graças à G. Komen Breast Cancer Foundation, que os distribuiu numa corrida de sensibilização do câncer de mama, organizada em 1991 na cidade de Nova Iorque.

Esse movimento tomou proporção tão grande que, a partir disso, outros males que acometem de forma significativa a saúde do ser humano passaram a ter calendário específico e com cores que fazem alusão às doenças, trazendo à tona discussões sobre os temas. Os mais conhecidos, depois do outubro, atualmente, são: setembro amarelo (suicídio), novembro azul (câncer de próstata) e dezembro vermelho (HIV). 

Introdução à parte, a cor rosa tornou-se símbolo em função dessa ser uma patologia precipuamente ligada à mulher. Inclusive, a grande maioria dos eventos são bem tendenciosos a isso. Até porque, estudos mostram, que do total de diagnósticos, só 1% do total de casos de tumores de mama acomete homens, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Enquanto 14 mil mulheres brasileiras morrem por ano dessa doença, menos de 200 homens sofrem o mesmo destino. Mas, os barbados precisam ter ciência dessa informação e a população como um todo não deve negligenciar o problema.

Atualmente, os tumores mamários em homens são associados a uma maior mortalidade do que os femininos. Por inúmeras razões: falta de conhecimento, falta de prevenção, tratamento mais restrito e, principalmente, quando os “cuecas” descobrem, já estão num estágio bem avançado da doença. Mas por quê? Ora, simplesmente porque os marmanjos não esperam padecer desse mal e, assim, só vão notá-lo quando, por exemplo, nódulos relativamente grandes tiverem surgido no peito. Então atenção meninos, deixem de pensar que a famosa “punheta” pode lhes causar as temidas “pedrinhas no peito”, e se você sentir algo neste sentido, redobre sua atenção! Aliás, alguns médicos não costumam suspeitar da encrenca, tamanha raridade de seu acometimento. Está aí mais uma razão para não deixar os cânceres de mama masculinos em último plano.

O combate a esse problema é recheado de incertezas, uma vez que a maioria das pesquisas sobre câncer de mama é voltada, como eu disse anteriormente, exclusivamente para as mulheres. Em geral, o tratamento envolve mastectomia (uma cirurgia que remove boa parte do peito), radioterapia e hormonioterapia. Em linhas gerais, portanto, ele não difere muito da versão feminina do mal, porém é menos rebuscado. Isso também é facilmente ilustrado no contexto da reconstrução mamária após a remoção do nódulo maligno. Embora até existam técnicas que visam restabelecer a aparência do peitoral de um homem, elas não são tantas e definitivamente perdem em refinamento quando comparadas às utilizadas nos seios femininos por conta justamente dos estudos mais direcionados.

Do ponto de vista de prevenção, manter uma boa alimentação e fazer exercícios é a melhor pedida (não só para esse, mas também para outros vários tipos de tumor). Também é essencial ficar de olho no histórico familiar, até porque ter muitos parentes com câncer é um fator de risco para essa doença. E, se um homem é diagnosticado com o problema, como esse não é um artigo científico, mas sim informativo, sugiro passar por um aconselhamento genético com um especialista. O famoso apalpamento das mamas também é importante. Quando você estiver no banho, aproveite o deslizar do sabonete (sem sacanagem!) e aperte todo o contorno da mama, inclusive os mamilos. Geralmente, nos homens, os carocinhos costumam se localizar próximos ao centro do peito, perto do mamilo, porque a maioria do tecido mamário dos homens está abaixo dos mamilos. Mas esses caroços podem também aparecer fora dos mamilos, por isso é importante apalpar toda a área. Outros sintomas incluem: secreção mamilar (muitas vezes manchadas de sangue), um mamilo invertido (com o bico mais para dentro) ou sensível ou ainda uma ulceração ou inchaço da área do peito. Mas meninos, mesmo que não se encaixe nos sintomas acima, é importante que vocês se informem sobre qualquer mudança que considerem anormal e procurem um médico, ok?

Como aqui é um espaço de informação e de entretenimento, fica uma sugestão safadinha: aproveite quando estiver naquele banho acompanhado, e ajude seu (sua) parceiro (a), nesse processo, e transforme o auto-exame em um poli-exame (se tiver mais de dois na brincadeira rs). Assim você mata dois coelhos com uma cajadada só: se previne e tem prazer! 

Uma ótima semana rosa, com tudo azul.

Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Unknown disse...

Quero saudar ao Barba Feita por falar do mês Rosa e que todos nós devemos lembrar não só este mês mas sim todos os dias de cada mês de todos os anos, vamos juntos lutar pelo o mês Rosa e também o mês azul.