quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Que a Força Esteja Com Você




Passei os últimos dois dias pensando no que iria escrever por aqui. Já tem umas duas ou três séries que preciso recomendar e ao menos um livro imperdível que precisa ser comentado com vocês. Ah! Falando em livro, ontem foi o lançamento de Liberdade Para os Lactobacilos Vivos!, do dono e proprietário das sextas-feiras aqui do Barba, o Marcos Araújo. Orgulho é pouco! Sinto uma admiração enorme pelo autor e sua recente obra que são reflexões tão pungentes e instigantes.

Posso dizer que na tarde de ontem até me aventurei em desenhar o que poderia ser o texto de hoje. Retomei meus estudos de roteiro e voltei a estudar um pouco da jornada do herói. Ainda quero falar sobre isso aqui, mas esse ainda não é o momento. Apesar de ter começado a construir toda uma trajetória do personagem em questão... isso não é para agora. Fica para depois.

Confesso também que cogitei dar uma folguinha para vocês. Um dia sem texto para ser lido. Um dia livre. Mas percebi que essa atitude não seria muito correta. Não que exista algo errado em tirar um dia de folga. Só que nesse momento, em que posso escolher o que escrever e como fazer, não acho justo pegar essa liberdade e não usá-la. E isso é tão louco, né? A gente não pensa o quanto é livre até suspeitar que pode deixar de ser.

Afinal, quando pequenos, a gente acaba não sendo tão livre assim. Tem que usar a roupa que nossa mãe compra, ir com ela até a igreja, dar uma passada na casa daquela tia chata que só sabe beliscar nossa bochecha...  Mas até aí tudo bem. Vai chegar um momento que a pessoa vai sair com os amigos e voltar só no dia seguinte. E de tão natural, não pensamos o quanto somos sortudos por possuirmos esse ritual. Está tudo tão enraizado no nosso cotidiano que, pra gente, isso sempre foi assim. Mas não foi.

Lembrei agora de algo meio curioso. A minha novela favorita do Gilberto Braga é Pátria Minha. Ironicamente, uma das obras que mais deu dor de cabeça ao novelista e até hoje nunca reprisada em um Vale a Pena Ver de Novo. Pois bem. Alice, personagem vivida por Claudia Abreu, foi presenteada com uma cama de casal. Agora não lembro bem quem deu esse presente de aniversário, se foi a mãe da personagem, Natália Proença, interpretada por Renata Sorrah, ou uma amiga da família. Mas a questão aqui é outra. Alice havia perdido a virgindade com o namorado, Rodrigo, interpretado por Fábio Assunção. E, ao ganhar uma cama de casal de presente, as mães do colégio onde ela estudava fizeram da vida da jovem e de sua mãe um verdadeiro inferno. Até hoje consigo recordar uma das falas de Natália Proença. “Prefiro saber que minha filha está segura em casa do que correndo perigo na rua”. O Brasil de 1994 também não era nada seguro, assim como o de 2018.

Agora vejam só. Uma mãe, tendo um comportamento de dialogar com a filha, foi criticada duramente por isso por outras mães da instituição de ensino da jovem. Algum reflexo da realidade que vivemos hoje? Pois é. Só que o mais louco de tudo isso é que estou narrando um acontecimento de uma novela que foi produzida e exibida há mais de catorze anos... Virgindade não é mais tabu, ao menos não deveria ser. Malhação nasceu em 95 e vem falando sobre isso a cada nova temporada desde então. Acredito que o real problema está com os pais, quando percebem que uma das funções deles é conversar com os filhos e, principalmente, dialogar sobre sexo. Para muitos, esse é o verdadeiro “fim do mundo”, o apocalipse propriamente dito.

O mais triste de tudo isso é que somos uma sociedade que vive exibindo o corpo e objetificando pessoas, só que se faz de puritana quando o assunto é educar. Nunca entendi muito bem isso. Assim como nunca entendi o que era não ter liberdade de escolher o que fazer. A liberdade é algo tão frágil  e nem percebemos isso. Só temos a verdadeira noção quando o risco de perdê-la fica tão próximo do real que chega a ser enlouquecedor.

Pois é, não está nada fácil, amigos. Mas a única opção do momento é ter esperança e enfrentar o que está por vir. Cada um usa o que pode. Eu, na minha humilde opinião, estou fazendo desse espaço um pouco disso. Tentando ser uma pequena brasa de esperança.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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