quinta-feira, 29 de novembro de 2018

American Horror Story: Apocalypse - Uma Análise do FIM do Mundo






O Apocalipse chegou em American Horror Story! Ou quase isso. Algum tempo atrás, Ryan Murphy prometeu que haveria um ano de crossover entre duas temporadas icônicas da antologia: Murder House, a primeira, e Coven, a terceira. Não é preciso ser gênio para saber que a expectativa de todos, com esse inusitado encontro, estava mais do que nas alturas. Eu, particularmente, acreditava que essa seria a temporada 10 da série. Nada melhor para finalizar um ciclo do que com o fim do mundo, não é mesmo? Mas como o senhor Murphy ama fazer um fan service e fica todo ouriçado em deixar todo mundo ansioso, após a série ser renovada automaticamente para as temporadas 8 e 9 – e, logo em seguida veio a confirmação que o ano 10 também estava garantido -, o produtor executivo bateu o martelo e disse que o oitavo ano seria o tão aguardado encontro entre bruxas e fantasmas.

Mantenho meus dois pés atrás com Ryan. Ele possui boas ideias, mas nunca consegue finalizar uma história de maneira decente ou que não deixem dúvidas pairando no ar. Minha temporada favorita de AHS é Roanoke. Acho que a proposta da série de se renovar, ao mudar sua narrativa, deu muito certo e permitiu que Sarah Paulson e Evan Peters (únicos atores que estão desde o começo de AHS e estiveram em todas as temporadas produzidas até então) se reinventassem. É o ano que acredito que fechou tudo bem redondinho, quase que perfeito. Ainda acho que a temporada foi ideia de alguém e Murphy só ficou sabendo quando já estavam gravando e não teve como interferir em nada. O que foi ótimo para o sexto ano, mas péssimo para as temporadas seguintes...

Além de trazer o encontro esperado pelos fãs, o fim do mundo foi colocado como foco desse oitavo ano da série. Lembrando que o anticristo nasceu lá em 2011, no final de Murder House. O que, cronologicamente, faz o filho do demo ter 7 anos em 2018 (e isso foi ajustado para caber no roteiro). Lembrando que se tivessem esperado mais dois aninhos para que essa temporada fosse produzida, eles poderiam ter encontrado alguma criança já na casa dos 10 anos e que tivesse uma interpretação surreal para ser um babe anticristo. Já pensou? Se tem uma coisa que me assusta muito é criança com olhar demoníaco. Acho que isso daria muito certo para essa trama.

Bem, eu assumo que fiquei com muito receio quando notícias sobre o universo de Apocalypse começaram a brotar na imprensa. Primeiro porque no ano passado foi produzida uma novela de mesmo nome por aqui e que já não tinha dado muito certo; será que essa nossa queridinha franquia de terror teria como modificar um pouco isso? Uma dúvida que se transformou em certeza ao finalizar minha maratona. Acho que o problema de produzir uma história com o apocalipse como pano de fundo é que todo mundo espera que esteja cada parte descrita na Bíblia no enredo que está sendo contado, já que o fim do mundo tem o seu próprio roteiro, de conhecimento público.

Só que AHS: Apocalypse tinha sua própria versão dos fatos para narrar ao seu público, isso inclui o filho do coiso, com um 666 marcado na orelha e todos os poderes necessários, mas que não possui a mínima ideia do que fazer... para acabar com o mundo! Afinal, como ele mesmo diz em um momento de desvaneio, ele só é o anticristo e não existe nenhuma manual de como ser o filho do diabo e cumrir o seu papel. Foi aí que percebi que as coisas estavam bem mais complicadas para a série do que tinha imaginado.

Sobre isso, preciso elogiar. Ao mesmo tempo que estava odiando descobrir como partiu a ideia de acabar com o mundo, achei incrível. Enquanto existe uma idolatria sem tamanho para o fim dos tempos, a série decidiu mostrar que duas pessoas com cérebros incríveis para criar tecnologia, também podem ser idiotas o suficiente para pensar em acabar com o mundo só porque... a grande massa não evoluiu o suficiente. E o wi-fi caiu inexplicavelmente. Além de ter ficado na fila do café por mais de cinco fucking minutos. Vamos admitir, isso é muito idiota, mas também é genial. O fim do mundo não está sendo orquestrado por um grande vilão com múltiplos planos e poderes de destruição, mas por pessoas mesquinhas o suficiente que sabem que podem sobreviver caso o "fim" aconteça como o planejado. Ou, nesse caso, acham que podem.

Esse oitavo ano não foi incrível, mas foi bom. Divertido. Em uma só tacada assisti 6 episódios da série. SEIS. Depois acabei me segurando por uns dois dias até que sentei e assisti os 4 restantes e fiquei com todos esses sentimentos conflitantes que venho narrando para vocês.

Caso a ideia de acabar com o mundo e unir duas temporadas tivesse tido um pouco mais de tempo para ser trabalhada, tudo poderia ter ficado melhor. É o tipo de ideia que teve boas sacadas, mas que necessitavam de mais tratamento de roteiro para encobrir alguns “furos” ou eventuais buracos. Mas a parte boa é que isso não comprometeu o retorno de personagens inesquecíveis e queridinhos do público. Constance Langdon (Jessica Lange) teve momentos bem icônicos nesse retorno. Todos os diálogos da personagem estavam na medida para uma atuação brilhante. Madison Montgomery (Emma Roberts) deu um show como uma bitch quase arrependida, após passar um bom tempo em seu inferno pessoal. Não preciso nem dizer que Evan Peters e Sarah Paulson arrasaram nos milhares de personagens que ganharam . Se não me engano, Evan interpretou quatro e Sarah três.

O elenco ainda teve espaço para Leslie Grossman, que interpretou uma “personalidade” bem próxima da de Madison Montgomery, mas que pra sempre será lembrada por ter interpretado uma versão bitch louca em Popular (primeira série incompreendida de Ryan Murphy). Kathy Bates também esteve genial, só que isso não chega a ser nenhuma novidade (além de ter brilhado com três personagens). 

Com dez episódios, American Horror Story: Apocalypse flerta com o fim do mundo, mas acaba levantando uma grande questão. No lugar de esperarmos que o grande fim aconteça pelas mãos de uma “entidade” enviada pelo tinhoso, será que a sociedade não deveria ficar de olhos bem abertos com as pessoas de grande influência no mundo? Pode ser que, no fim, a culpa seja dessa "organização" toda que eles (os influentes) fazem parte e que nós, reles mortais, não temos ideia de que exista... Ou que, quando são divulgadas, ganham ares de teoria da conspiração.

Um mini-spoiler sobre a série: o anticristo possui 0,007% de ascendência brasileira. E vocês pensavam que o nosso país nunca nos daria um orgulho mundial... Francamente... Descrentes!

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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