segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Kit-Gay: Cinco Livros Imperdíveis Com Histórias Homoafetivas




"Toda vez que dois garotos se beijam, o mundo se abre um pouco mais. Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês. Esse é o poder de um beijo: ele não tem o poder de te matar; mas tem o poder de te trazer à vida." David Levithan, em Dois Garotos Se Beijando
Enquanto imbecis (ainda!!!) falam em kit-gay e baboseiras similares, a gente vai tentando resistir, autodidata como sempre foi. Mas isso não significa que a literatura não tenha nos presenteado com belas histórias em que relacionamentos homoafetivos estão no centro de suas narrativas.

Assim, buscando incentivar e indicar boas leituras, trago hoje uma listinha especial, com livros que tem em suas tramas principais histórias protagonizadas por adolescentes gays se descobrindo e/ou vivendo romances homoafetivos. Afinal, a gente aprendeu desde muito cedo de que pra ser gay não é necessário nenhuma cartilha ou doutrinação (a menos que a sua heterossexualidade seja altamente questionável) e tudo que sempre queremos é nos vermos representados como somos na TV, no cinema e na literatura.

Eis o meu kit-gay para vocês. Inclusive para quem não é gay, nem um completo idiota, mas que aprecia boas histórias universais.

Dois Garotos Se Beijando, de David Levithan

Um dos meus autores favoritos da vida, David Levithan é obrigatório nessa lista. Em Dois Garotos Se Beijando temos um narrador que parece ser alguém que já não vive pois, pelo que é dado a entender, foi um gay que acabou morto devido à complicações decorrentes da AIDS em uma outra época. Mas esse narrador nos leva a observar, sob a sua ótica, algumas histórias de jovens gays do mundo atual vivendo momentos extremos. Levithan é daqueles autores que nos pegam pela mão e nos levam em um verdadeiro passeio em suas narrativas. 

One Man Guy, de Michael Barakiva

Alek, um adolescente de 14 anos e de origem armênia, se vê apaixonado por Ethan, o descolado e skatista de sua escola. É a história dos dois, junto com a vida de Alek em sua tradicional família armênia, que nos deliciam nas páginas do livro de Barakiva, um escritor habilidoso e que merece sua atenção. Ah, fato interessante: o nome em inglês do livro mesmo na versão em português da editora Leya, se deve ao fato de One Man Guy ser também o nome de uma música do cantor rufus Wainwright, de quem Ethan, o personagem gay skatista, é fã.

Me Chame Pelo Seu Nome, de André Aciman

Livro que inspirou o filme de mesmo nome (que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado nesse ano), conta a história de um verão pela ótica do jovem italiano Elio, de 17 anos, que acaba se apaixonando perdidamente por Oliver, um americano que vai até a idílica propriedade de seus pais com o intuito de se aprofundar em seu objeto de estudos. Diferente do filme, o livro nos apresenta também os desdobramentos daquele verão, mostrando como Elio se tornou um adulto marcado por aquele relacionamento de poucas semanas e tão intenso.

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz

De maneira comovente, o autor Benjamin Alire Sáenz conta a história de dois adolescentes que ficam amigos e acabam descobrindo segredos e sentimentos juntos, enquanto exploram a sua própria experiência como jovens. Ari e Dante, os protagonistas, são personagens tão reais que é impossível não se emocionar e refletir com a escrita fluida e, muitas vezes, poética de Sáenz.

Lucas e Nicolas - Um Amor Adolescente, de Gabriel Splits

Do autor brasileiro Gabriel Splits, o livro é fácil e gostoso de ler, nos conquistando logo em suas primeiras páginas, com protagonistas cativantes e completamente diferentes, tendo em comum apenas a homossexualidade. Falando de aceitação, autoconhecimento e aprendizado, Gabriel é muito feliz em sua narrativa e é daqueles livros que nos deixam com sorrisos no rosto ao encerrarmos suas páginas.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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