quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Shakespeare? Nunca Nem Li...




Nunca li Shakespeare! Ufa... Admitir isso foi bem mais fácil do que pensei. Pode parecer estranho para vocês, mas há dois dias estava martelando em minha cabeça essa minha falta com o dramaturgo inglês.

Vejam bem. O fato de nunca ter lido Shakespeare não significa que não conheço parte substancial de sua obra. A gente acaba aprendendo por osmose sobre uma das maiores “tragédias” de amor já escritas. Romeu e Julieta possui inúmeras adaptações, incluindo a versão teatral com músicas de Marisa Monte, que recomendo muito! Já no cinema, Claire Danes e Leonardo DiCaprio ocupam o posto de Julieta e Romeu da minha adaptação favorita, dirigida por Baz Luhrman e lançada em 1996.

Mas nem só de Montéquios e Capuletos viveu o famoso autor. Em sua lista de personagens icônicos e histórias memoráveis nós temos: Hamlet, Otelo, Macbeth, A Megera Domada, Ricardo III e por aí vai. Por conta de seu vasto trabalho, William contribuiu diretamente (indiretamente também) para o surgimento de incontáveis obras que foram, de alguma maneira, derivadas de seu trabalho original.

Talvez até venha daí esse meu questionamento interno. Como posso me considerar um roteirista se não conheço Shakespeare? Se não conheço seus versos, falas, diálogos marcantes e toda sua estrutura de tramas - das trágicas às engraçadas - que refletem um pouco da alma humana em cada um dos seus personagens. Como poderei me considerar um roteirista sem uma bagagem importante como essa? Porque ter consumido obras que foram baseada/inspirada em um original de Shakespeare, não se compara ao contato direto com sua obra escrita.

Passei os últimos anos estudando roteiros, assistindo filmes, devorando séries e consumindo todo tipo de literatura. Assumo que não dei atenção aos clássicos. Posso colocar na minha lista só o já badalado e festejado O Conde de Monte Cristo (que é um livro sensacional e recomendo muito sua leitura, tão divertida e emocionante quanto suas adaptações). A parte boa disso tudo é que andei atento ao que de contemporâneo vem sendo produzido, inclusive por aqui no Brasil. Posso não dominar todo o diálogo do balcão entre os enamorados, mas conheci autores nacionais maravilhosos e que são uma referência atual e bem pulsante de um mundo completamente diferente do vivido por Shakespeare.

Escrever esse texto me deixou um pouco aliviado, mas não menos culpado. Shakespeare merece um pouco de prioridade na minha lista de próximas leituras. Só que também não vou deixar de lado os escritores que estão produzindo agora. É preciso aprender um pouco da linguagem “clássica”, só que também é fundamental estar atento ao que é dito e produzido agora nesse mundo tão louco e perturbado que estamos vivendo.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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