quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Direitos Humanos Para Quê?




Nesta semana, comemoramos dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Como se sabe, o Barba Feita é chegado num direito humano e volta e meia vemos por aqui discussões sobre racismo, machismo, homofobia, misoginia... Na minha última coluna falei dos quatro anos que completava fazendo parte do time do Barba Feita. E me dá um baita orgulho em ver que um blog que surgiu para tratar de qualquer assunto acabou tendo seus momentos de levantar bandeiras importantes.

Falar de Direitos Humanos é uma coisa meio estranha... Porque é praticamente falar daquilo que nos é primordial para viver dignamente, mas, ainda assim, é necessário explicar. É impressionante a confusão que se faz dessa questão com a defesa de criminosos... Aquele discurso de “Direitos Humanos para humanos direitos” pode soar sedutor – afinal, é senso comum achar que aquele que faz “tudo correto” (com muitas aspas mesmo) deveria ser reconhecido por isso e priorizado em detrimento daqueles que andam “fora da linha” –, mas é uma verdadeira armadilha.

É exatamente aquela história imortalizada por Bertold Brecht:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

A gente sempre tem o pensamento de que aquilo que levou o outro a ser punido não vai acontecer conosco. Essa falta de empatia é a origem de todos os crimes da humanidade... Desde o furto mais simples até a Escravidão, o Holocausto e outros genocídios. Juro que, para mim, é muito difícil imaginar o que se passa pela cabeça de uma pessoa de se julgar superior a outra. Não estou aqui falando de ser melhor em alguns atributos: mais competente, mais talentoso, mais bonito, mais simpático (embora algumas dessas questões sejam subjetivas e inundadas de filtros sociais); mas, sim, de simplesmente achar o outro menos ser humano. Porque privar alguém de seus direitos é exatamente isso.

Vivemos um momento mundial de falta de empatia. É curioso, porque se falava muito que a internet nos aproximaria mais, que as gerações Y e Z tinham um foco mais humano, que estaríamos em uma nova era de regeneração... Mas só vimos o recrudescimento do egoísmo nas relações. Discursos de ódio em todos os cantos do mundo, inclusive de onde menos se esperava... Uso da religião para propagar sentimentos muito diferentes dos divinos... Legitimação de perseguições a determinados grupos, simplesmente pela sua cor da pele, local de nascença ou orientação sexual.

Imaginar que 70 anos atrás as nações pararam para promulgar uma declaração universal que hoje é questionada corriqueiramente dá uma dor no coração... Mas, acima de tudo, é necessário ter fé e batalhar dia após dia. Não tenho dúvidas de que aqui no Barba Feita a gente tenta fazer a nossa parte...

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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