segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Mudanças





Tem um episódio de Grey's Anatomy, o primeiro da quarta temporada, que começa com a narração da Meredith falando sobre mudanças. E eu gosto tanto desse episódio e, em especial desse início, que reproduzo o voice over de Meredith Grey abaixo:

“Mudança... Nós não gostamos dela. Nós a tememos. Mas não conseguimos evitá-la. Ou nos adaptamos e mudamos, ou somos deixados para trás. 
É doloroso o processo de crescer, quem diz que não é está mentindo.
Mas a verdade é a seguinte: às vezes, quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam iguais.
E algumas vezes, a mudança é boa. E algumas vezes, a mudança é TUDO.”

E ao começar a digitar esse texto, com a voz da Meredith na minha cabeça, eu me perguntava se estamos preparados para as mudanças. Mudança de casa, mudança de postura, mudança de emprego, mudança, em geral. Porque o mundo à nossa volta, mais do que nunca, está mudando. Para o bem e para o mal. 

Eu, particularmente, tenho medo de mudanças; sou resistente a elas. Finco meu pé nas minhas certezas, crio raízes e me acomodo. Tenho a tendência de me acostumar com o habitual e evitar desbravar o desconhecido que, algumas vezes, insiste em se apresentar. Mas, quando isso acontece, eu mudo, mesmo sem querer. Porque uma vez que decido (ou a vida decide por mim) mudar, eu vou fundo e não olho para trás, não me arrependo, não fico pensando em como seria se eu não tivesse me arriscado. Aquele medo inicial, aquela resistência, pouco a pouco é substituído por uma euforia, por uma vontade louca de ver como tudo vai transcorrer e, quando me dou conta, já estou totalmente envolvido pela mudança, seja ela qual for. Até que a mudança, aquela que eu tanto tinha medo, vira rotina.

Por isso, tenho resolvido mudar - ou me desconstruir, que é uma palavra bastante em voga ultimamente. Revendo alguns valores e algumas verdades absolutas de até então, tenho me surpreendido ao me questionar sobre eles e por me perguntar ‘por quê?’. Sim, por quê eu pensava desse jeito, por quê não posso ousar, por quê não posso escolher um outro caminho, uma outra forma de fazer, de pensar?

Assim, algumas coisas que eu já tinha prometido a mim mesmo nunca fazer, por motivos que eu já nem me lembro mais, foram repensadas. Estou me permitindo, estou vivendo, estou deixando um pouco pra lá aquela coisa chata de ser todo organizado e coerente que eu tinha até então como uma das características mais evidentes em mim mesmo.

A tatuagem que me deu vontade de fazer, a(s) viagem(ns) que eu sempre adiava, aqueles beijos que eu deixava para uma segunda oportunidade. Não! Eu quero agora, eu quero hoje, eu quero pra já.

2018, esse ano doído (e doido) foi também um ano de aprendizado. Ele esfregou na nossa cara que as coisas mudam (as pessoas mudam!) e que nós temos de aprender a lidar com essas mudanças, mesmo quando elas não são favoráveis a nós (nem a ninguém, mas divago). E nesse fim de ano estou me preparando para mais uma grande mudança. De endereço, de prioridades, de formas de processar o meu próprio pensamento. E isso assusta, apavora, mas também me excita. Porque é novo e porque eu quero essa novidade.

Porque mudar pode ser bom. E porque mudanças podem ser tudo. Afinal, só se vive uma vez!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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