quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Preferidos do Barba Feita: Melhores Filmes de 2018





2018 foi um ano atípico para o cinema. Seis das dez maiores bilheterias mundiais foram filmes de heróis (inclusive a maior delas, Vingadores: Guerra Infinita, está aqui na nossa listinha). Pantera Negra arrebentou: pela primeira vez com um super-herói negro como protagonista, o filme chegou à segunda posição dos que mais arrecadaram mundo afora e está indicado ao Globo de Ouro de Melhor Drama - primeiro filme do gênero a atingir esse feito. Mas um filme com Lady Gaga, também figurando por aqui, talvez seja o favorito ao prêmio.

No Brasil, foi tempo de recorde de arrecadação: Nada a Perder, que conta a história do bispo fundador da Igreja Universal, Edir Macedo, se tornou a maior bilheteria nacional de todos os tempos - em meio à polêmica de ingressos comprados e salas vazias. De resto, talvez tenha sido um dos anos com menos filmes brasileiros badalados nas últimas duas décadas...

Dito isso, vamos conferir a listinha que meus amigos do Barba Feita e eu preparamos. Aviso (e não é de spoiler): só tem boas pedidas!

Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War)

Eu já fui um cinéfilo muito inveterado. De tipo ir quase 100 vezes ao cinema em um ano... Ando meio distante das telonas, embora ame (e agora more mais perto de um complexo de salas). Sei certamente qual foi o pior filme de 2018, A Freira (sobre a qual até falei aqui no Barba Feita). Mas o melhor, entre as opções que tive, foi difícil. Os Incríveis 2 foi um dos filmes que mais me fez rir na vida e isso é um grande mérito, mas o fato de ser inferior ao primeiro título da saga o compromete. Por isso, embora um pouco envergonhado, fiquei com Vingadores - Guerra Infinita, de Anthony Russo e Joe Russo, como o melhor que eu assisti no cinema esse ano.

Depois de ver boa parte dos filmes do universo compartilhado da Marvel (eu sempre curti mais a DC Comics e conhecia pouco os heróis da concorrência, à exceção de Homem-Aranha), fui finalmente ao cinema assistir a esse que era, talvez, o mais esperado dentre as películas dos Vingadores. E, mesmo gostando mais dos heróis da DC, Guerra Infinita deu um banho em Liga da Justiça, outro que também vi esse ano.

Na história, o mega vilão Thanos (ou seria um idealizador de uma Utopia?) precisa ter acesso a todas as seis jóias do infinito e juntá-las em sua manopla para tornar o universo mais sustentável e justo com o desaparecimento de pelo menos 50% de todas as criaturas vivas. E heróis de todas as partes do mundo se unem para tentar impedi-lo. Se você não viu o filme, mas já viu o trailer de Vingadores: Ultimato, a continuação da história, já sabe bem quem saiu vitorioso...

Viva: A Vida é Uma Festa (Coco)
Por Silvestre Mendes


O primeiro filme que assisti em 2018 (e também o que mais mexeu comigo) foi Viva: A Vida é Uma Festa, uma animação da Disney/Pixar que fala sobre vida e morte, um assunto que até poderia soar estranho, já que se trata de um filme "infantil".

A morte é um tabu para muitas culturas, inclusive a nossa. Mas, pegando como ponto de partida o Dia de Los Muertos, celebrado pelos mexicanos, vamos descobrindo a aventura de Miguel, um menino de 12 anos, que tudo o que quer é cantar, apesar da música ser proibida por sua família.

Em uma grande jornada, vamos aprendendo juntos com Miguel que a morte não é o fim e que todos aqueles que partiram, quando são lembrados por sua família, continuam vivos para sempre.

Nico, 1988
Por Marcos Araújo


2018 foi um ano bem interessante para o cinema, com ótimas produções nas telas, como Bohemian Rhapsody, que esperava há tempos. Ver a vida de Freddy Mercury nas telas foi como me teletransportar para o primeiro show que assisti na vida, fugido de casa: o histórico do Queen, no Rock in Rio de 1985. Três Anúncios Para um Crime também foi marcante, principalmente pela brilhante atuação da atriz Frances McDormand, que levou o Oscar. Duas produções nacionais também mereceram destaque, como Aos Teus Olhos, com Daniel Oliveira e a sensível história de um professor de natação acusado de pedofilia, e o maravilhoso As Boas Maneiras, uma fábula incrível de horror psicológico sobre a desigualdade brasileira.

And the winner is... Nico, 1988, da diretora Susanna Nicchiarelli, que, apesar de ser um filme do ano passado, só foi lançado no Brasil este ano, em um pequeno circuito, infelizmente. O filme é uma cinebiografia musical da fase decadente da cantora e modelo Christa Päffgen, mais conhecida pelo nome artístico Nico, que teve uma passagem meteórica como a vocalista misteriosa (e belíssima) da banda Velvet Underground e musa do artista plástico e multimídia Andy Warhol. Na película, não é mostrado o sucesso, mas sim, a sua tentativa em afastar os fantasmas do passado, o vício em drogas e a relação complexa com o filho, fruto de uma relação não-reconhecida com o ator Alain Delon.

Um filme melancólico e psicodélico para uma das vozes mais peculiares que o rock já conheceu.

Nasce Uma Estrela (A Star is Born)

Confesso que fiquei em dúvidas entre três filmes que, cada um à sua maneira, me tocaram durante esse ano. Se Um Lugar Silencioso me arrebatou como um dos melhores de terror que assisti, Com Amor, Simon me tocou de forma a acalentar o meu coração. Mas foi o excepcional trabalho de Bradley Cooper (como diretor e ator) e Lady Gaga em Nasce Uma Estrela que me fizeram optar por ele como minha contribuição a essa lista. 

Dando uma nova roupagem ao clássico, essa nova versão de Nasce Uma Estrela é um filme lindo, tocante e que mesmo depois que saí do cinema permaneceu em minha memória, seja através da maravilhosa Shallow, de sua trilha sonara e que não sai do meu Spotify, ou por causa da trama de amor vista no longa.

Lindo, lindo e que me cativou como o melhor de 2018 e que é aposta certa entre os indicados ao Oscar de 2018 (com Lady Gaga, inclusive, figurando como melhor atriz).

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)

Apesar de ter vencido apenas na categoria de Melhor Roteiro Adaptado no Oscar 2018, o filme de Luca Guadagnino é uma das melhores histórias visuais de amor. E a química entre os protagonistas se transpassa para os cenários.

O casarão na Lombardia (Itália), que está à venda, é o local principal para este romance entre dois homens durante o verão de 1983. A construção, por si só, já resgata uma ideia romântica de paixão de férias, com quartos ligados, porão, varandas enormes, jardins verdejantes e salas de estar recheadas de livros e instrumentos musicais. Cada ambiente proporciona uma tensão diferente deste romance: espera, vontade, segredo, olhares, tesão (especialmente pontuado por aqueles shorts que exalam testosterona dos anos 80). É uma poesia visual do começo ao fim, sem dúvida alguma.

Quem não termina o filme querendo um amor como aquele, acho que precisa revê-lo. Destaque ainda pela relação do protagonista com seus pais, cheia de amor e respeito pelos seus sentimentos e descobertas.

Leia Também:
Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
FacebookInstagram


A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Nenhum comentário: