sábado, 22 de dezembro de 2018

Preferidos do Barba Feita: Personalidades de 2018




Em um ano, por diversos motivos, pessoas se consagram e outras podem ver suas derrocadas. E assim, encontrar aquelas que foram as personalidades de 2018, para o bem ou para o mal, não é uma tarefa das mais fáceis, principalmente em um ano em que muita coisa aconteceu e vimos muita gente em evidência.

Nossa última lista, heterogênea como sempre, apresenta aqueles que, de alguma forma, foram assunto, levantaram bandeiras e conquistaram (ou, em alguns casos, comoveram) o país.

Com vocês, as nossas personalidades do ano e que, certamente, marcaram 2018 como peça fundamental de suas histórias.

Pabllo Vittar (Cantora)

Sério, não teve pra ninguém em 2018. Mesmo com Anitta ampliando sua atuação mundo afora (especialmente na América Latina), eu acho que a figura de Pabllo Vittar é muito mais coerente e necessária para o momento que vivemos, esfregando na cara da hipócrita família tradicional brasileira uma drag queen linda, que canta (goste-se ou não do seu timbre e tom de voz) e que está na televisão, nas rádios e nos serviços de streaming musicais. 

Pabllo não omite suas opiniões, luta pela classe, se manifesta e, através de sua música alegre, representa o seu público e quem ele é. E com vários hits lançados durante o ano de 2018, ele é para mim um dos nomes desse ano e que tem tudo para continuar na crista da onda no ano que vem. 

Fabio Schvartsman (CEO da VALE S.A.)

Para alguns, pode parecer uma indicação corporativista, pelo fato de eu trabalhar em uma empresa do grupo. Mas só quem viveu a realidade em meados de 2015, quando a grande potência Companhia Vale do Rio Doce (hoje, VALE S.A.) viveu seu “inferno astral”, com a queda ladeira abaixo dos preços de minério de ferro, principal commodity produzida pela empresa, ter seu nome associado a uma das maiores tragédias ambientais da história do país, com o rompimento da barragem da Samarco (joint venture controlada pela Vale e pela australiana BHP Billiton) e em um único onde foram feitas mais de 2.000 demissões, pode dizer o porquê dessa escolha. Três anos depois, o quadro é o oposto. As cotações do minério de ferro se recuperaram e a empresa apresenta resultados recordes de produção e vendas, quando a perspectiva era de que seria mais uma gigante fadada a afundar.

Um ano e meio depois de assumir a presidência da Companhia, Fabio e sua administração, garantiram que as ações da mineradora se valorizassem quase 30% neste ano – mais de 75% nos últimos doze meses – e a empresa recuperou a classificação de grau de investimento pelas três principais agências de rating de risco do mundo. Para completar o quadro, a VALE registrou, no primeiro semestre, um faturamento de R$ 59 bilhões, 18% superior ao do mesmo período do ano passado, e teve uma produção nunca vista antes. Foram mais de 178 milhões de toneladas de minério de ferro extraídas de suas minas, o maior valor da história da mineradora para um primeiro semestre. No cenário politico-financeiro em que atravessa o nosso país, onde grandes holdings tem seus nomes associados a escândalos políticos, esse foi ou não um grande feito?

Marielle Franco (Política)

Ela saiu da posição de uma das vereadoras mais votadas e mais atuantes do município do Rio de Janeiro e partiu para algo muito maior: virou um símbolo de resistência política mundo afora. Concorde-se ou não com os ideais que Marielle Franco defendia, é preciso reconhecer que o assassinato de uma vereadora no exercício de seu cargo vai muito além da (já abominável) morte de uma pessoa; é um atentado contra a democracia. 

Marielle morreu por defender direitos de outras pessoas - e ainda paga na posteridade com a difamação e a tentativa de diminuírem sua execução. Marielle foi um dos nomes mais importantes ecoados em 2018 e a pergunta de quem a matou ainda continua sem resposta.

Letícia Colin (Atriz)

O grande nome do ano foi Letícia Colin. A atriz, que possui uma longa lista de trabalhos de destaque na televisão, teatro e cinema, ao interpretar Rosa Câmara, uma garota de programa em uma novela das nove da maior emissora do país, deu voz para meninas que encontraram meios não tão tradicionais para sobreviver. E a interpretação de Letícia merece elogios, já que criou sua personagem sem caricaturas, mas com trejeitos de uma menina de fácil identificação.

Fora da TV, Letícia vem usando sua voz para chamar a atenção para o machismo intrínseco em nossa sociedade. Recentemente, uma foto em que o seio da atriz aparecia em uma fotografia foi censurado pelo Instagram e Colin fez questão de questionar o que leva a naturalização de homens descamisados pela mídia, mas que faz com que o seio de uma mulher seja visto como algo impróprio.

Letícia Colin é um nome que tende a entrar para a história da televisão ou, melhor dizendo, segmentar-se e tornar-se referência para futuros aspirantes dessa profissão tão importante e que precisa ser defendida por profissionais incríveis.

Leandro Vieira (Carnavalesco)

Antigamente, a figura do carnavalesco de uma escola de samba era algo tão icônico dentro do mundo do samba, que pareciam até ser divindades. Talvez essa imagem tenha sido associada à representação folclórica de Arlindo Rodrigues, Fernando Pinto, Clóvis Bornay e, principalmente, Joãosinho Trinta, mitos do samba. Obviamente, isso era somente uma impressão, pois cansei de ver o pequeno mago Joãosinho e seu gigantismo criativo, todo suado correndo contra o tempo no calor excessivo dos antigos barracões, para colocar a escola na avenida.

Mas é notório que, hoje em dia, eles se tornaram figuras muito mais simples. Esbarramos com eles no Saara, dentro do metrô lotado ou até mesmo pendurados em escadas improvisadas horas antes do desfile, dando os últimos retoques nas alegorias, misturados aos empurradores, marceneiros e ferreiros.

Para finalizar a série dos Preferidos do Barba 2018, eu queria arrumar alguma forma de poder homenagear o samba, produto genuinamente com a cara do Rio de Janeiro, mas que, infelizmente, vem perdendo cada vez mais espaço, devido à falta de incentivos dentro da área cultural por questões político-religiosas. Assim como a “Marrom” já bradava “não deixe o samba morrer”, essa é minha maneira de também dar o meu grito de guerra.

Por isso escolhi um jovem carnavalesco que, desde que surgiu, tem mostrado um trabalho incrível, tanto na plasticidade quanto na criatividade: Leandro Vieira. Em sua estreia no grupo especial, em 2016, já começou com o pé direito com o campeonato da Mangueira com o belo “A menina dos olhos de Oyá”, homenageando Bethânia. E, este ano, apesar da 5ª colocação, brilhou ainda mais com um enredo crítico questionando a importância do dinheiro no carnaval e a política, em um claro direcionamento ao prefeito do Rio, que chegou a ser retratado como um boneco de Judas em uma das alegorias do ótimo desfile “Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco”.

Leandro conseguiu dar o seu recado e exigir respeito àqueles que fazem um trabalho incrível, mas que não é valorizado. E para 2019, ainda pretende incomodar mais. O enredo da verde-e-rosa vai falar das versões não contadas da verdadeira História, desde o descobrimento, passando pelos “golpes” (inclusive os bem recentes), “os índios, negros, mulatos e pobres que não viraram estátua” ou nome de rua e mulheres que foram caladas, como Marielle Franco.

Enfim, por isso escolhi o Leandro. Só tenho que agradecer por manter viva essa tradição e resgatar a memória de tantos excluídos através de uma maneira tão crítica e brilhante!

Leia Também:
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Nenhum comentário: