quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Preferidos do Barba: Melhores Músicas de 2018





E aí, qual foi a música que você mais cantarolou durante esse ano? Quais foram as descobertas musicais que fez em 2018 e que irá levar (ou não) para os próximos anos de sua vida? Eu, por exemplo, gamei em Baco Exú do Blues. Ele me jogou na parede e me fez gamar de jeito, e recomendo muito dar uma ouvidinha em Te Amo Disgraça e, duvido você não imaginar um sexo com um mix de desejo e raiva. Ai, ai... saudades. 

Mas, chegou a hora de descobrir o que cada colunista do Barba Feita ouviu durante o ano e destacou como a melhor música de 2018. Vamos às nossas eleitas?

Veneno (Anitta)
Por Silvestre Mendes


Se no ano passado foi a era Chek Mate, Anitta decidiu ousar, mas de uma forma um pouco diferente, esse ano. Lançando mais músicas internacionais e só parcerias em português, a rainha do pop do Brasil usou o lançamento do IGTV para mostrar uma escolha de single. Sem voto direto do público, mas descobrindo os bastidores do lançamento de uma música, Anitta instigou todo mundo com a pergunta: Veneno ou Medicina? Enquanto a equipe da cantora passeou pela América para ouvir a opinião da galera de rádio e da Warner Music, a gente só tinha uns 15 segundos de música para fazer nossas apostas de qual seria o próximo hit. Medicina venceu (apesar da minha torcida por Veneno) e mostrou que a filha de Honório Gurgel está acertando cada vez mais na nossa lingua hermana

Veneno prometeu muito. Anitta mostrou cenas dos bastidores e revelou que teríamos um clipe com cobras (quem não lembra dela fugindo de uma nos bastidores do clipe de Sua Cara?) e que ela considera o melhor de sua carreira - o que também concordo. Mas como uma marketeira de mão cheia e decidida a fazer barulho, Anitta lançou um EP chamado Solo, com músicas em espanhol, português e inglês. E tudo com clipe, claro. 

Acho Veneno, em sua letra e forma, o melhor encontro da Anitta que o Brasil já conhece com a Anitta que o México e países latinos estão descobrindo agora. A personalidade é a mesma e o poder de fazer viciar, também.

High Hopes (Panic! At The Disco)

Não tinha como selecionar uma só música, sem fazer um set inteiro. Nesse ano de 2018, algumas canções marcaram seja com seu lado pop internacional – Nervous, de Shawn Mendes, e Havana, de Camila Cabello; no pop brazuca com Pesadão, de Iza & Marcelo Falcão, e Vou Morrer Sozinho, do Jão; às esquisitices modernas de Deus Há de Ser,  de Elza Soares, e Hunger, de Florence + Machine; o indie de God´s Favorite Customer, de Father John Misty, e o retorno triunfal do Smashing Pumpkins com Silvery Sometimes (Ghosts).

Se tivéssemos a categoria disco do ano, eu incluiria o da Gal Costa. Com seu timbre singular e inimitável, a cantora lançou em setembro deste ano seu 40º disco, chamado Pele do Futuro, com influências da era disco setentista e composições de Nando Reis, Djavan, Erasmo Carlos, Emicida, Silva, Adriana Calcanhotto e Marília Mendonça, além de um dueto com Bethânia. E uma canção deste disco me fez cair de quatro, literalmente... Viagem Passageira é uma canção hipnótica, uma obra prima composta por Gilberto Gil com uma sequência de versos sensacionais “o sonho é ter tudo dissolvido / o corpo, a mente, a fonte da lembrança / Enfim, ponto final na esperança / somente as ondas soltas no oceano / não mais o esperma e o óvulo da morte / não mais a incerteza do binário / um tempo liso sem o fuso horário” e com uma interpretação magistral de Gal, que só ela sabe cantar. 

E, para a música do ano, escolhi uma que não sai mais da minha cabeça e que não paro mais de assobiar por aí: High Hopes, dos sensacionais Panic! At the Disco, uma banda de Las Vegas que, em 2006 ganhou o prêmio de melhor vídeo do ano com a ótima I Write Sins Not Tragedies e esse ano recebeu o prêmio de melhor artista alternativo no MTV Europe Music Awards - apesar de, particularmente, achar que eles não tem nada de alternativo. O PATD faz um som pop de alta qualidade e surpreendem muito mais ao vivo, com apresentações vigorosas e estupendas - alguém aí já viu aquela impressionante versão de Bohemian Rhapsody que eles costumam apresentar?

High Hopes é o terceiro single do último disco de estúdio - o sexto da carreira deles - Pray For The Wicked, lançado em junho. No clipe, o vocalista Brendon Urie caminha pelas ruas de Los Angeles e escala um arranha céu para tocar com sua banda no topo e com uma letra bem autobiográfica "tinha que ter altas, altas expectativas para a vida / mirando nas estrelas quando eu não conseguia acertar / não tinha um centavo, mas sempre tive uma visão / sempre tive altas expectativas"... E, pelo visto, eles conseguiram.

Quero Que Tu Vá (Ananda feat Joker Beats) 

Eu ouvi MUITA música em 2018. E para decidir a minha preferida do ano foi bastante complicado, tanto que tive de ir pra minha lista do Spotify, ver as mais tocadas e usar um critério simples: aquela que eu mais vezes apertei o play e cantarolei por aí. E quase cheguei a um empate técnico, porque eu simplesmente adoro muitas músicas da Anavitória (principalmente Trevo (Tu), que é uma poesia) e aquelas vozes calmas e lindas que tanta paz me transmitem, além de ter me encantado por Meu Abrigo, da banda Melim, que é completamente viciante. 

Mas não, não tinha como não optar por outra música como a melhor (para mim) do ano que não Quero Que Tu Vá. Afinal, 2018 foi esse ano estranho, de encrencas e muita treta. E tem coisa melhor do que mandar, mesmo que mentalmente, geral tomar no cu e ir pra puta que pariu? Não, não tem, e essa música representa muito do que foi o ano de 2018 para mim.

Cerveja de Garrafa (Atitude 67)

Quando comecei a pensar na minha música preferida deste ano, estabeleci dois critérios: o primeiro é que meu tipo preferido de música são aquelas que me fazem viajar. Tipo aqueles personagens de novela e suas trilhas sonoras? Pois é! Imediatamente me veio Always, interpretada por Gavin James. Primeiro que a melodia e o timbre do cantor me remetem muito à minha banda preferida, Coldplay, e seu vocalista, Cris Martin. Segundo que ela me faz, literalmente, viajar. Em sonhos, planos, momentos vividos...

Mas na minha balança de decisão, o critério que venceu foi o segundo: música chiclete. Então... Cerveja de Garrafa grudou na minha cabeça e me peguei por vários momentos varrendo a casa, valsando com a vassoura. Sem contar que a melodia que mescla romantismo e um pagodinho é deliciosamente prazerosa aos ouvidos. Aos meus, no caso!

Ginga (IZA feat Rincon Sapiência)

Não foi a música que eu mais cantei ou cantei mais empolgado esse ano. Esse título ficou com Échame la Culpa, de Demi Lovato e Luis Fonsi - que foi lançada em 2017... Mas, depois de Pesadão (que eu também adoro), IZA estourou de novo com Ginga, seu álbum foi indicado ao Grammy e ela se firmou como uma voz alternativa (e que voz!) na cena pop brasileira. Com Ginga ela teve a sacada de fazer uma música chiclete, boa de dançar e com uma bela homenagem às suas raízes afro.

Além de ter feito com Ginga um dos melhores clipes brasileiros esse ano, na minha opinião, IZA também merece aplausos por ser linda, simpática e espontânea (quem assistiu à sua entrevista no Lady Night ficou com gostinho de "quero mais"). Tomara que venham muitos outros sucessos em 2019.
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Curtiram a lista? Pois dá pra curtir também a playlist que montamos no Spotify com todas as músicas que citamos na coluna do dia. Clica aqui e aproveite as nossas escolhidas como melhores músicas de 2018!

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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