sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018 - É Verdade Esse Bilete




Amo retrospectivas.  E, geralmente, nesta época de fim de ano começamos a exercitar a memória para relembrar de fatos que aconteceram ao longo de doze meses.  E, muitas vezes, obviamente, esquecemos.  Ou sequer soubemos que tal fato realmente ocorreu.  Quem nunca se espantou assistindo as tradicionais retrospectivas do Globo Repórter na TV Globo?  Como assim fulano morreu?”... “E será que eu estava viajando em Júpiter quando tal fato aconteceu?

O que temos de concreto é que realmente o tempo é líquido.  O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman nunca esteve tão certo.  A contemporaneidade e a tecnologia cada vez nos isolam mais.  Vivemos dentro de nossas bolhas, como naqueles filmes de ficção científica, ou num episódio de Black Mirror.

O fato é que 2018 está chegando ao fim.  Um ano complicado e cheio de nuances perturbadoras.  Nos estressamos e rompemos amizades por causa de política.  Por causa da intolerância.  Por causa do preconceito.  Porque não nos colocamos no lugar do outro.  Foi um ano em que a sociedade olhou para seu próprio umbigo e esqueceu que sim, vivemos em uma cadeia social.  Mas, afinal, quem realmente se importa com o outro?

Teve tentativa de escola-sem-partido, teve kit-gay, teve facada, teve fake-news (ô se teve), Lula foi preso, Jojo Toddynho deixou os peitos soltos e Gilmar Mendes continuou soltando também, Anitta fez uns 300 clipes, Pabllo Vittar se manteve nas paradas, Brasil perdeu mais uma Copa do Mundo, a greve dos caminhoneiros parou o país, Silvio Santos se tornou mais gagá, Adriana Esteves fez uma nova versão de Carminha com sotaque baiano e um sessentão David Byrne ratificou que é um showman nos palcos.

Perdemos Bernardo Bertolucci, Milos Forman, Stan Lee, Montserrat Caballé, João Nery, Burt Reynolds, Kofi Annan, Stephen Hawking, Angela Maria, Mark E. Smith, Dolores O´Riordan, Dona Ivone Lara, Mr. Catra, Beatriz Segall, Aretha Franklin e Marielle Franco, deixando o mundo cada vez mais chato.

A Beija-Flor foi campeã no Sambódromo com um sambão de primeira, mas com um visual tosco; prometemos pela milésima vez que não acompanharíamos a nova edição do BBB e, no fim, estávamos torcendo para Gleici, Kaysar e a família Lima;  não desgrudamos o olho de Fernanda Lima e seu Amor & Sexo, cada vez melhor e essencial; nos surpreendemos com a eliminação de Priscila Tossan no The Voice e sua versão reggae “o xapo num lavupé”; perdemos horas e horas de sono com as séries da Netflix; choramos todos com o incêndio absurdo no Museu Nacional reduzindo a cinzas, séculos de histórias;  nos emocionamos e torcemos com o resgate dos meninos presos numa caverna da Tailândia.

E tudo isso ainda é pouco.  Mas é tudo verdade esse bilete.  Mas é o que minha memória alcançou.  E sei que assistindo ao Globo Repórter, terei a certeza de que passei uma temporada em Júpiter.

Ah... não percam: já que estamos falando de retrospectiva, a partir de segunda, os colunistas do Barba Feita vão indicar os melhores do ano.  Todos os dias, daremos as caras aqui com nossas indicações.  E, olha... sem dar spoilers, está bem curiosa a nossa lista.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Fabiano Alvares disse...

Kkkkkkkkkkkk vc sempre hilário e com ótima memória!!! Mas "o xapo num lavupé" era "xato" demais!!! Rsrsrs