quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Nós Vamos Lançar Um Livro!





Você não leu errado. A gente vai lançar um livro e minha ficha ainda não caiu direito. Tenho o maior respeito do mundo por todos os autores que conheço, incluindo o próprio Paulo Henrique Brazão e o Marcos Araújo, que já são autores de algumas obras. Só que nunca me imaginei estando desse outro lado da folha. Não ser o cara que lê, mas o que é lido. Sei muito bem que isso também ocorre com os meus textos semanais aqui do Barba Feita, mas é que nunca imaginei esses textos imortalizados, entende? Páginas de um livro soa eterno... para além da nossa existência.

Sempre me pergunto o que Machado de Assis pensaria nos dias de hoje sobre o questionamento de Capitu. Será que ele tinha ideia do poder de cruzar barreiras ao escrever Dom Casmurro? Um livro que foi publicado em 1899 e até hoje deixa marcas e um rastro de dúvidas em que lê. Afinal, Capitu traiu Bentinho?

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

"Costa do Brasil" Rima Com "Chernobyl"




Fui chamado de última hora a colaborar com o Barba Feita, para substituir o rapaz das quartas-feiras que não conseguiu dar as caras ainda. Achei uma boa oportunidade, pois há muitas coisas para discutirmos no Brasil e no mundo atualmente... A América Latina está de novo em chamas, com manifestações no Chile contra o governo, cerco contra a Venezuela de Maduro, eleição de Fernandez e Kirchner na Argentina, Bolívia sofrendo golpe de Estado... Tudo isso com um governo brasileiro que abana o rabo para os Estados Unidos de Trump e vota contra Cuba na ONU, apoia senadora fundamentalista que quer expulsar os índios na Bolívia... Olha, tá pesado.

Mas não precisamos ir muito longe para vermos as patetices do atual (des)governo brasileiro... Uma tragédia já se abate sobre o nosso litoral há muitas semanas, sem NENHUMA ação – eu digo NENHUMA – efetiva da União: manchas de óleo se alastram do Maranhão até o Espírito Santo, e, ao que tudo indicam, chegarão em breve à costa do Rio de Janeiro. É o maior desastre ambiental do nosso litoral e nada é feito pelo Planalto para de fato combater. O governo tentou achar culpados, mirou na Venezuela primeiro, depois num navio grego (com óleo venezuelano...) e nada resolveu. A corrente traz o poluente, que já atingiu paraísos praticamente intocados, até o Rio e, talvez agora, possa ser que se cocem... Já que o problema passa a ser no quintal de alguns dos poderosos.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Cada Um Acredita No Que Quer Acreditar




Mais uma semana, mais uma terça, mais uma coluna a ser escrita.

E, não diferente de algumas vezes (acho que já até escrevi sobre falta de inspiração para escrever), minha mente está meio lenta hoje. Sabe aquela máxima do tenho preguiça de...? Pois é! No momento ando com preguiça de situações e pessoas. Mas muito preguiçoso, mesmo!

E se vocês perguntarem se existe algum motivo ou alguém em especial, lhes digo: não. É de um modo em geral mesmo. Muito trabalho e um consequente cansaço fez com que pensasse durante a semana passada: hoje não, amanhã escrevo. E com esse pensamento consecutivo diário, o que aconteceu? Passaram-se dias até a véspera da coluna ser publicada.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Fui Banido do Tinder




Sempre fui muito ligado em redes sociais. Nos primórdios da internet, quanto tudo isso aqui era capim e eu comecei a me aventurar por esse mundo fantástico da vida online, eu fazia amigos (e outras coisinhas mais) no Bate Papo UOL e trocávamos nossos usuários no ICQ. Na época da internet discada, era depois da meia-noite e por meio do pai dos atuais comunicadores que a gente se divertia.  

O tempo passou e vieram outras ferramentas de comunicação. Do ICQ a galera migrou para o MSN. Até que surgiu a primeira rede social que bombou no Brasil: o Orkut. E o Fotolog. E o Facebook. E o Instagram. E se muita gente usa as redes sociais para arranjar encontros e para conhecer pessoas, o que dirá dos aplicativos de pegação relacionamento, não é mesmo?

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Não Vamos Nos Acovardar!




"Nós estamos sendo criminalizados, nós estamos sendo atacados, nós estamos sendo condenados (...), nós vamos emburrecer se tivermos que vir nesse plenário defender o óbvio. E é isso que nós estamos fazendo. Que absurdo é esse de ter que sentar aqui e falar [o óbvio]! (...) Somos um mercado que tem que ser respeitado e nossos representantes têm que ser nossos representantes, não podem ser nossos antagonistas. Não vamos nos acovardar, nós temos uma lei de uma mãe da cultura brasileira que foi atacada diretamente no coração, isso atingiu a todos na jugular. Nós estamos bravos, tristes."
A declaração acima é de Dira Paes, uma das minhas atrizes favoritas. Descendente de europeus, índios e africanos, Dira nasceu no interior do Pará e teve uma infância pobre, ao lado de outros sete irmãos. Formou -se em Artes Cênicas e Filosofia e, para mim, é um exemplo de mulher batalhadora, lutadora, persistente e resistente. 

terça-feira, 5 de novembro de 2019

A Contradição do Patriotismo “Brazileiro”



Antes que tentem me consertar pela americanização no título, que fique claro: ela é proposital. Perdi a quantidade de vezes que se falou, aqui no Barba, sobre as ações do atual governo federal, mas essa é uma pauta que vira e mexe nos incomoda. E, por nos incomodar, trazemos à tona essas reflexões para que, um dia, quem sabe, consigamos fazer com que algumas pessoas entendam que esse governo é um serviço contra a nação, ao contrário do que ele prega o tempo todo em seu discurso cada vez mais hipócrita. 

Na última semana, vi algumas pessoas nas redes sociais que idolatram esse senhor, criticando os eventos de Halloween, a despeito de ser uma tradição norte-americana. As frases de efeito exaltavam Saci Pererê e outras personagens famosas do folclore tupiniquim. Oras, mas não seria o atual presidente o maior incentivador de nos tornarmos à imagem e semelhança dos EUA, visto que seu maior ídolo político da atualidade (não preciso citar que os outros que fizeram história e que merecem a sua admiração são grandes exemplos de fascismo) seria o atual presidente americano? Que patriotismo contraditório, não?

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Pop Séries: The O.C.




Muito antes de nos apresentar a vida dos ricos e glamourosos jovens da elite de Manhattan, em Gossip Girl, Josh Schwartz já havia sacudido o universo das séries adolescentes ao mostrar que a vida de jovens ricos pode não ser necessariamente feliz e um mar de rosas. The O.C. (O.C.: Um Estranho no Paraíso, no Brasil) era ambientada na paradisíaca Newport Beach, em Orange County, na Califórnia, e narrava a vida de um grupo de jovens entre a riqueza e as inquietações da adolescência de forma tão verossímil que ganhou fãs em todo o mundo, agradando a públicos de várias idades e diferentes pontos do globo. 

O ponto de partida da série acontece quando o advogado Sandy Cohen (Peter Gallagher), por se identificar com Ryan Atwood (Benjamin McKenzie), um jovem problemático envolvido em problemas com a lei devido à influência de seu irmão, o acolhe em sua casa em Newport Beach. A princípio, sua esposa Kirsten Cohen (Kelly Rowan) é contra a decisão do marido, com medo da influência de Ryan sobre o filho do casal, Seth Cohen (Adam Brody), mas com o passar do tempo, Ryan acaba se integrando e fazendo parte da família.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Acordem!




Quando eu fazia o primeiro ano do ensino médio (eu era do tempo que chamavam de primeiro ano do segundo grau), havia um livro bem no estilo “tijolão” chamado História das Sociedades, que me acompanhou durante os três anos de estudos. Hoje eu entendo o porquê daquele livro ter me causado tantos pesadelos... Eu não era maduro o suficiente para compreender aqueles textos recheados de reflexões complexas para a minha mente, pois estávamos acostumados com aquele be-a-bá simplório. 

Fui “doutrinado” que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, que Tiradentes, tal como um Jesus Cristo, era o líder da Inconfidência Mineira, e Duque de Caxias, um pacificador. No ensino fundamental existia uma matéria chamada EMC - Educação, Moral e Cívica. No ensino médio, tinha OSPB (Organização Sócio-Político Brasileira), ambas, incluídas no currículo pela imposição militar. Nossos cadernos não podiam ter desenhos. Geralmente eram capas neutras, encapadas com plástico transparente azul e no verso, algum hino. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A Belíssima Cor Púrpura




O próximo fim de semana é a última oportunidade para os cariocas conferirem o espetáculo A Cor Púrpura, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Depois, o musical vai para São Paulo e Salvador, nessa ordem. Eu pude conferir a peça de três horas de duração há algumas semanas e, posso garantir que o tempo passa voando e que até o deslocamento para a tão tão distante Barra vale a pena. 

É importante eu ressaltar que nunca vi o clássico filme de Steven Spielberg, estrelado por Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey. Tampouco li o livro que originou tudo. Fui ao teatro (aliás, belíssima sala essa feita na Cidade das Artes!) sem saber praticamente NADA da história, a não quer que era muito emocionante e triste. E, realmente, em vários momentos caíram ciscos no meu olho durante as três horas.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Todo Amor Que Houver Nessa Vida




Queria começar a coluna de hoje com um pedido de desculpas. Desculpas aos leitores e ao nosso editor chefe pela não entrega do meu texto na semana passada. Desculpas aos meus seguidores do blog no Instagram, pelo meu sumiço. Desculpas a alguns que conviveram comigo por um breve período de introspecção, já que essa não é uma característica comportamental minha. Talvez para muitos (ou poucos), este pedido de desculpas seja bobo e sem sentido. Afinal, talvez a minha coluna não seja a mais lida daqui, ou o meu número de seguidores, como pretenso digital inlfluencer, não seja tão grande a ponto de representar esse preâmbulo. Ou, para quem convive comigo, meu comportamento não tenha sido tão exagerado assim, no sentido de me calar ou pouco me socializar. 

O fato é que respeito é algo que levo na minha vida com muita seriedade. A vida me ensinou o peso desta expressão. Minha família fortaleceu sua importância. E minha vida profissional, em todas as frentes em que trabalho, vem perpetuando esse comportamento em mim. E é em nome deste respeito, as minhas desculpas. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Fleabag: Pare Tudo e Apenas Assista!





Para quem já assistiu às duas excepcionais temporadas de Fleabag, disponíveis na Amazon Prime, eu sei, parece que eu estou atrasado. A série estreou na Inglaterra em julho de 2016 e, de lá pra cá, vem sendo elogiada por todo mundo que a assiste. Mas eu confesso: só decidi acompanhar a história depois que ela ganhou seis prêmios no último Emmy e, de uma hora pra outra, passou a ser uma das produções mais comentadas dos últimos tempos.

E isso aconteceu porque eu tenho lá meus problemas com comédias. Normalmente não acho muita graça do riso forçado ou de situações bobas em filmes ou séries de televisão. Até Friends, que todo mundo ama, eu acho bem mais ou menos - é engraçadinho, ok, mas só. Então, quando vi que Fleabag tratava-se de uma comédia, eu broxei um pouquinho. Tem tanta coisa que eu quero assistir, por que perder meu tempo com uma """comédia"""? E bota aspas nessa comédia, porque definir Fleabag assim acaba sendo um erro.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Novos Tempos





Essa semana, o assunto sobre o bullying de MC Gui rendeu. Rendeu ainda muito mais porque as pessoas confundiram o tal Gui com o MC Guimê e o MC Biel, tal qual eu confundo Marília Mendonça e Naiara Azevedo e as duplas Maiara & Maraísa e Simone & Simaria. Não adianta, nunca saberei quem é quem. 

O tal vídeo do MC Gui viralizou. Nele, aparece zombando de uma menininha em um transporte na Disney, em Orlando, onde o cantor passa férias. Houve a especulação de que a garota, visivelmente constrangida, teria câncer, pois estaria usando uma peruca. Os internautas então não perdoaram o rapaz, minutos depois que o storie foi postado. Com a repercussão, o MC apagou a gravação, mas o estrago já havia sido feito.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Sobre Aprendizados e Regressos




Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar com os meus leitores pela minha ausência. Muito embora eu tenha recebido reclamação apenas de alguns poucos, ainda que fosse um, valeria o pedido de perdão. Afastei-me do Barba Feita por mais de um mês, algo que nunca fiz. Mas foi um período (e continua sendo) da minha vida em que a minha ausência se fez necessária – na verdade, me afastar de uma série de coisas se fez necessário. 

Ainda não sei do meu futuro por essas bandas. Por enquanto, vou tentando retomar ao ritmo diário. Em respeito a quem lê e aos meus colegas de jornada, que param momentos do seu dia para escrever nem que seja algumas linhas. Estamos num momento muito especial do Barba Feita, completando cinco anos e prestes a lançar o nosso livro conjunto. Vamos tocando o barco.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Instinto (ou Como Afiar os Dentes Com a Língua)




O vampiro da lambida áspera (a) atacou novamente, segurou pela cintura com as garras retraídas, subiu-lhe pela lateral da barriga sentindo-a com as papilas em direção às tetas já rijas. Arrancou-lhe o ar ao passar a mão por entre as coxas morenas. Devolveu-lhe o sangue às bochechas ao roçá-las com a barba por fazer. Não era mais possível saber de quem era o suor que impregnava a pele de ambos. Procurou pelo pescoço ao mesmo tempo que a prendeu com o abraço forte que precedia o ataque final. Fincou-lhe as presas com força, sorvendo o licor úmido que ansiava. Extasiou-se com o pulsar dos corpos. E, então, do deleite veio o cansaço momentâneo. 

E os corpos permaneceram largados na cama por bons minutos, dando tempo aos líquidos de secarem. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Os Anjos





Lembro-me bem de ser um aluno um tanto quanto problemático.  Era muito tímido e, nas poucas fotos que ainda possuo, percebo que não gostava de sorrir.  O semblante era sempre triste e cabisbaixo, meio emburrado.  Chorava escondido, tinha medo de me relacionar com os demais e me sentia diferente por não conseguir acompanhar as aulas. 

No primeiro ano do ensino fundamental, encontrei meu primeiro anjo:  a professora que me alfabetizou descobriu o motivo de ser sempre o atrasado nas tarefas e precisar ficar até depois da aula para conseguir copiar para o caderno tudo o que era escrito no quadro-negro.  Ela identificou que eu tinha um problema de visão e, por isso, não conseguia enxergar o que era escrito, mesmo a uma distância considerável.    

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Sobre Vilões e Vilanias...





Eu, como ator (e leonino), sempre tive vontade de interpretar um protagonista. Nestes módicos cinco anos de carreira no teatro, não tive ainda a oportunidade – ou competência – para assumir tamanho desafio. Confesso que essa vontade tem muito mais a ver com a presença constante nos palcos (me dá um nó na garganta quando tenho que sair de cena), do que com o fascínio, em si, pela personagem que se torna o fio condutor das histórias. 

Mas paixão, tesão mesmo, eu sinto pelos vilões.... Existe coisa mais exorcizante do que você colocar para fora todos os sentimentos mais anti-heróis vestindo-se de uma personagem? Já tinha o esboço deste texto preparado, até que esta semana, no nosso grupo do WhatsApp, os meninos levantaram a bola sobre o fascínio que os vilões exercem na vida da maioria das pessoas. Desengavetei o texto e coloquei pra rolo na coluna de hoje. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A Luz no Fim do Mundo





Primeira incursão de Casey Affleck na direção, A Luz no Fim do Mundo (Light of My Life, no original) chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta, 17/10, e é uma experiência angustiante. Centrado na relação de um pai e sua filha pré-adolescente em um mundo pós-apocalíptico, o drama comove, com uma história intrigante e envolvente.

Além de dirigir, Casey Affleck estrela (e também escreveu) a produção ao lado da impressionante Anna Pniowsky, que vive a sua filha na história. No mundo retratado na tela, um vírus misterioso dizimou praticamente toda a população feminina do planeta, com apenas poucas mulheres sobrevivendo e tornando-se imunes. E, em um mundo sem mulheres, os homens viraram verdadeiros animais e, para proteger sua filha, o personagem de Affleck tornou-se um homem metódico, que vive em paranóia e com mil regras de conduta para com a jovem, que ele tenta mostrar aos demais como sendo um menino. Até que a puberdade e o desejo de mais liberdade da jovem Rag coloca em risco o modo de vida de pai e filha.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Rindo Por Fora, Chorando Por Dentro





Essa semana tivemos uma overdose de textos do Barba Feita sobre o novo filme Coringa (Joker, no original) de Todd Phillips, brilhantemente interpretado por Joaquin Phoenix.  Tanto o Julio Britto quando o Silvestre Mendes já falaram sobre o filme aqui e, vim para complementar, tentando não dar spoilers para quem ainda não o assistiu.

Pra começar, gostaria de fazer, antes, um prólogo.  Todos devem se lembrar daquela máscara que todo mundo usava nos protestos de 2015 e 2016, baseada na HQ e filme V de Vingança, que contava a história de Guy Fawkes, uma figura misteriosa que organizou um plano para explodir o Parlamento inglês.  A obra foi escrita por Alan Moore e finalizada em 1988, ainda sob o governo da Dama de Ferro, Margaret Thatcher e influenciada pela Guerra Fria.   Apesar de usarem nos protestos, muita gente não sabia que aquela máscara retratava um terrorista, um anti-herói.  Sem querer, aquela figura acabou se tornando um emblema do ativismo moderno.  Tanto no filme, como na HQ, todos torcíamos pelo terrorista.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O Coringa de Todos Nós





Finalmente assisti o tão aguardado e comentado filme Coringa. Com a proposta de ser um filme de origem, Joker, título original, narra todas as nuances que compõem o controverso vilão do universo dos filmes do Batman. 

Desde Batman Begins, filmes de heróis ganharam uma outra camada. A aura de fantasia continua, mas existe um pé na realidade. Se não nas grandes armaduras dos personagens, nas motivações psicológicas de cada um. Ou seja, os heróis ficaram mais humanos, mais próximos dos dilemas que enfrentamos em nossas vidas.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Somos Todos Palhaços




No último fim de semana fui assistir Coringa, o filme de Todd Phillips, que conta a história de origem para o eterno vilão do Batman, trazendo o ator Joaquin Phoenix (fa-bu-lo-so!) em uma nova encarnação do Palhaço do Crime, ignorando qualquer cronologia ou versão do personagem. O longa vislumbra, sob um contexto político, uma Gotham City diferente daquelas retratadas nas franquias de Batman. Vemos diversas cenas em que manifestantes usam máscaras de palhaço sinistras, e até manchetes de jornais com os dizeres “somos todos palhaços” enquanto travam confrontos violentos com a polícia de Gotham. Mas não pensem que meu objetivo aqui é dar um spoiler do filme. A intenção é convidá-lo a assistir e refletir. 

A obra me tirava da zona consciente de telespectador a todo momento quando, por vezes, me pegava pensando em como o mundo está doente. Gothan City poderia ser perfeitamente um retrato do Brasil atual. Mas é também dos Estados Unidos e de tantos outros países cada vez mais afundados numa cegueira ideológica que mascara os sentimentos mais impuros do ser humano. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

The Politician: Todo o Cinismo e Ironia da Nova Série da Netflix





Quem já conhece o estilo de Ryan Murphy vai se deliciar com The Politician, nova produção original com o selo Netflix, há pouco mais de uma semana disponível no catálogo do serviço de streaming. O showrunner é conhecido por carregar nas tintas da ironia em suas obras, muitas vezes beirando o exagero. E o sucesso de muitas de suas produções se deve exatamente a isso e basta citar os nomes Popular, Nip/Tuck, Glee, Screem Queens ou American Horror Story para situar o leitor de quem estou falando. 

Primeira empreitada de Ryan Murphy dentro de seu contrato milionário com a Netflix (foram 300 milhões de dólares investidos no showrunner), The Politician é exatamente o que se espera de uma série com a assinatura de Murphy: cínica, irônica, divertida, mas, por vezes, cansativa. Entretanto, com a genialidade de alguns momentos, principalmente em seu episódio final, a série mostra que vale a investida e a atenção despertada.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Onomatopeias





Há algumas semanas, publiquei na coluna um texto sobre a polêmica envolvendo aquele beijo dos super-heróis que causou um rebuliço na Bienal do Livro, quando agentes da secretaria de ordem pública da prefeitura do Rio recolheram exemplares que pudessem manchar a reputação das famílias. Como tinha explicado, tudo fazia parte de um movimento arquitetado visando as eleições do ano que vem, pois já estão criando material de campanha para dar continuidade ao discurso conservador que assola o país.

Depois que a coluna foi publicada, fiquei pensando nas antigas HQ´s que eu colecionava quando criança, com as historinhas da Turma da Mônica, almanaques do Tio Patinhas e Luluzinha e minha fascinação por todo aquele ambiente lúdico, como a Casa da Árvore do Bolinha, símbolo maior da independência na mente infantil. No início dos anos 70, aprendi a ler por causa dos balõezinhos das HQ´s e me comunicar por gestos baseados em onomatopeias. Até hoje sou assim... quando quero narrar uma briga com tiros, porradas, bombas, socos e pontapés, produzo os sons com os pows!, socs!, buuums e póins!. As onomatopeias acompanham minha vida.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Culpa é Sua e da Sua Lista de Desejos




Sei que ainda é cedo para conferir uma daquelas listas de final de ano e ver o que fiz, deixei de fazer e o que devo planejar para o futuro. É cedo, mas também é bem tarde. Não que você não possa entrar na academia, iniciar seu curso de idiomas, planejar sua viagem e nem começar seu canal no Youtube. Isso é possível de ser feito em qualquer altura do ano. Mas, quando estabelecemos metas, precisamos pensar em prazos e resultados. Acho que esse é o problema da lista de desejos. 

Quando a gente deseja algo, não fica estipulando quanto tempo vai demorar para determinada coisa acontecer. Não estabelecemos em quantas semanas, dias, meses ou anos um desejo vai se tornar realidade. Afinal, desejos são sonhos. E os sonhos são tidos como... Sonhos. Ou, como diria Lulu Santos em sua música:
"É uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer..."
Às vezes, eu sinto que a gente - no caso eu e você que me lê nesse momento - criamos essa barreira entre o que a gente quer de fato e deseja ter/conquistar e o que vamos alimentando como só mais um simples desejo, algo que nos ajuda a continuar vivendo e encarando esses dias sofridos. De luta, esperando pelo momento da glória, enfim, chegar.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Crônica de Mais uma Segunda-Feira...





Toda noite de domingo traz com ela, além da depressão habitual e do som de uma TV ligada, uma segunda-feira inevitável. Mas ontem foi diferente. Domingo foi dia de Rock in Rio, bebê. E eu estava lá. Participando da minha quinta edição do festival. Mas depois da festa, no voltar para casa, me lembrei que ontem seria segunda...

O relógio despertou, eu não. Em cima da hora me vi na rua arrumado e estressado junto de todas aquelas pessoas apressadas. Tinha uma sensação de cansaço misturada à um calor nas vísceras típico dos dias em que durmo mal. Afinal, fui adormecer às três da manhã para estar às seis de pé. 

O táxi custa a cruzar a esquina em minha direção, me fazendo pensar que aquela seria a pior segunda-feira da minha vida. Cansado, estressado, atrasado. Não me consola o fato de não ser somente eu o atrasildo do dia. O estresse das manhãs de segunda afeta a todos, aparente nas pernas agitadas e olhares impacientes, numa daquelas ruas do Jardim Botânico ou do Centro, já não faz diferença. A irritação do início de mais uma semana é sempre a mesma, alheia ao endereço. Mas, ontem era uma segunda-feira diferente...

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Divã: Ex Bom é Ex...







Leco,

Namorei com um rapaz durante 4 anos e o amei de uma forma inexplicável; faria qualquer coisa por ele. Quando ele acabou comigo, há um ano, entrei em depressão, mas permaneci como amiga, ao lado dele.

Mas fiz algumas asneiras quando soube que ele tinha andado com outra. Entretanto, me sentia melhor por continuar a ter alguém com quem conversar e até mesmo comecei a vê-lo realmente como um amigo. 

Mas ele se chateava por tudo comigo. Se lhe pedia ajuda, ele pensava que estava a fazer de propósito para estar com ele. E a verdade é que me afastei de todos enquanto namorávamos e mal tenho amigos agora. 

Sempre que o vejo a falar dos amigos dele e de todas as suas saídas ou das raparigas que conheceu, só me apetece fugir e chorar. Somos do mesmo grupo de amigos, o que não esta a me ajudar em nada.

Passou-se um ano e eu estou pior. Não sei mais o que fazer. Me ajuda? :'(
Ex-Namorada Amiga

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Se a Vida Começasse Agora?





Era uma sexta-feira. Lembro perfeitamente daquele dia: 11 de janeiro de 1985. Saí de casa dizendo que ia me encontrar com a galera do colégio e, literalmente, fugi com uma amiga rumo ao primeiro dia de shows do Rock in Rio. Se a Barra da Tijuca ainda é longe até hoje, há 34 anos atrás era quase como se tivéssemos que ir e voltar de Marte. O festival ficava no meio de um nada. Breu, poeira e lama. Aliás, muita lama.

Eu era um adolescente fissurado no The Cure, tinha aqueles cabelos a la Robert Smith e meu sonho era assistir a um show do Queen. Freddie Mercury era pra mim uma espécie de Deus do Olimpo da música. Essa amiga era toda descoladinha. Eu tinha 14 e ela, 21. Nem lembro se tinha essa obrigação de estar acompanhado de um responsável. Só sei que depois de horas e horas andando como se fizéssemos uma travessia bíblica, entramos. E eu fiquei tão ansioso e maravilhado com toda aquela novidade (e para todos os brasileiros, diga-se de passagem), que sequer prestei atenção nos shows que vieram antes: teve Ney, Erasmo, Pepeu & Baby, Whitesnake e Iron Maiden, que vi de longe, tamanha era a multidão. O som do Iron era absurdamente alto e eu estava enlouquecido. Sabia que ia levar uma surra da minha mãe quando chegasse em casa mas, naquele momento, só me restava curtir aquele momento.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Descobrir <> Redescobrir





Já parou para pensar que sempre estamos viciados em alguma música, maratonando alguma série, falando com o mesmo grupo de pessoas sempre e sobre os mesmos assuntos? 

Até que tudo muda. A música que a gente escutava toda hora já é outra, a série que era incrível não é mais tão incrível assim, aquele grupo de pessoas que você falava sempre, vivia grudado também mudou, não é mais o mesmo. E isso tudo acaba acontecendo de uma maneira tão orgânica que demoramos para perceber. Você pode ter o mesmo grupo de amigos de dez anos atrás, mas todas as pessoas do grupo ainda são as mesmas? Dificilmente. Casa, separa, morre, nasce... Ciclos normais que se iniciam todos os dias. E mesmo o tédio do cotidiano possui essa lei... Pare e observe ao seu redor.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Sou Metrossexual Sim, E Daí?





No último domingo (22/09), meus amigos aqui do Barba e eu demos mais um passo para a concretização em páginas do nosso sonho. Para vocês que ainda não sabem: já não é mais segredo, o Barba Feita virará livro sim!!!! E nos reunimos no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, para fazer uma sessão de fotos que estampará a edição. Tirando a chuva e o frio, foi um daqueles momentos que estivemos juntos para gargalhar, tirar sarro da cara uns dos outros, fofocar e, claro, falarmos do projeto.

O inicio da zoação começou quando eu saquei meu estojo de maquiagem para dar aquele tapinha no rosto dos meus barbudinhos. Sabe como é, né? Esses meninos são muito festeiros, viram a noite e, como as fotos foram num domingo de manhã, precisávamos estar com aquela aparência jovial e plena. E aí surgiu a ideia de falar sobre essa parada de metrossexualismo, já que eu fui todo trabalhado no espírito maquiador.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Cinco Dicas Para Economizar em Compras Virtuais




Quem não gosta de fazer as suas comprinhas, não é mesmo? A realização de adquirir um novo produto libera endorfinas em nosso cérebro e traz felicidade. E, desde que a internet se tornou uma extensão de nossas vidas reais, comprar no mundo virtual se tornou um hábito. 

Um levantamento recente realizado pelo NZN Intelligence e publicado no Brasil no site e-Commerce Brasil traz dados interessantes sobre o comportamento de compra dos brasileiros, entre os quais estamos incluídos: atualmente, 82% dos consumidores brasileiros com acesso à internet fazem compras online e, no total geral de consumidores, 74% de nós preferimos as modalidades online às compras realizadas em lojas físicas. Isso é coisa pra caramba.

E, não sei vocês, mas eu adoro economizar. Faço pesquisas, normalmente não compro por impulso, penso e repenso antes de clicar no ícone de Comprar. E pesquiso. Muito. Pra caramba. E essa não é nem uma dica, já que imagino que todo mundo pesquise bastante antes de realizar uma compra. Ou, pelo menos, deveria.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Bacurau: Se For, Vá em Paz




Se você ainda não teve a oportunidade de assistir Bacurau nos cinemas, mas ainda pretende, sugiro que pare imediatamente de ler o texto da coluna de hoje. É sério. Se ainda não viu, aproveito para insistir que pare o que esteja fazendo e efetivamente vá. E não leia este texto até se levantar da poltrona do cinema. Digo isso porque é muito importante que você seja impactado sem saber absolutamente nada sobre o filme. Esse é o grande barato da película.

Então vamos lá... Ultima chance que estou dando, hein... 

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Years and Years: O Retrato do Nosso Presente




"Tudo ia bem até uns anos atrás, antes de 2008. Lembram? Achávamos política um assunto chato. Bons tempos! E agora, me preocupo com tudo. Nem é o governo, são os bancos. Eles me apavoram. E não só eles. As empresas, as marcas, as corporações que nos tratam como algoritmo enquanto envenenam o ar, a temperatura, a chuva. E agora temos os Estados Unidos. Nunca achei que fosse ter medo deles, mas temos fake news, fatos falsos, nem sei mais o que é verdade. Em que tipo de mundo vivemos? Se está tão ruim agora, como vai ser pra você daqui a 30 anos? Dez anos? Cinco anos? Como vai ser?"
Esse é um dos mais potentes momentos iniciais de Years and Years, série obrigatória para todos que acreditam que estamos à beira de uma grande distopia. Afinal, você já parou para pensar que o atual momento que estamos vivendo é digno de uma boa trama de ficção cientifica, não é mesmo? Em alguns níveis, é possível dizer que é tudo muito Black Mirror e com umas boas doses de um grande dramalhão nonsense sem fim.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Em Família




Neste fim de semana (em mais um, na verdade), estive envolto em alguns programinhas familiares que me trouxeram a reflexão de hoje. E percebi o quanto eu e pessoas próximas a mim somos, de fato – em parte ou no todo – espelho de nossa família. Afinal, é no ambiente familiar que conhecemos nossos primeiros valores e recebemos as primeiras regras sociais. Aprendemos a perceber o mundo, damos início à nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização. Por isso, é tão comum que nos comportemos como quem nos criou, como nossos pais, tios ou avós, trazendo traços da personalidade e atitudes muito semelhantes deles.

Certas situações podem causar grandes frustrações em uma vida. Muitos definem a família como sendo a base de tudo, uma expressão bastante utilizada para caracterizar o laço familiar que vai além do sangue, sendo também emocional e espiritual. Confesso que eu mesmo me utilizo muito desta expressão nas minhas legendas e hastags. Mas esta base pode se desintegrar, desgastando e se tornando prejudicial, dependendo do ambiente e do momento que você vive. Ou da concepção vazia que você dá a ela. Então, é preciso preservá-la sempre.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Invejosos Invejarão





Pimenteiras em vasos pela casa. Folha de arruda atrás da orelha. Banho de sal grosso. Além disso, aquele case de sucesso particular? Não compartilhado e guardado à sete chaves  dos olhos de terceiros.

Sério! Pra se proteger de inveja e olho gordo, para muita gente vale de tudo. Até apelar para as simpatias ou o que mais o valha. É o seu caso?

Particularmente, nunca acreditei muito nesses paranauês de energias negativas, que inveja pudesse trazer mal e afins. Mas, a gente está sempre em processo de aprendizado e, muito sinceramente, estou revendo meus conceitos sobre o assunto.  Afinal, é sempre bom lembrar do ditado espanhol: "No creo en brujas, pero que las hay, las hay!"

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O Beijo Foi Só a Ponta do Iceberg





É claro que toda aquela polêmica de enviar agentes da Secretaria de Ordem Pública no intuito de causar burburinho e apreender uma HQ de super-heróis escrita há 10 anos, sendo vendida como saldão na Bienal do Livro, foi uma atitude visando a eleição de 2020. Foi um movimento arquitetado para reforçar o discurso conservador que elegeu um presidente da República e governadores de vários Estados. Os conservadores estavam eufóricos com a repercussão, pois quanto mais se discutia o assunto nas redes e na mídia em geral, mais se solidificava a prestação de contas para quem o escolheu.

Pela primeira vez, tive que concordar com Felipe Neto. Por mais que pareça um discurso politizado – e afinal, qual o problema de ser politizado? – a perplexidade era tamanha que eu só podia assinar embaixo. Em tempos em que dizem que a Terra é plana, com trocentas mil teorias que podem comprovar isso e que Lennon e McCartney nunca compuseram uma canção dos Beatles, mas sim o filósofo-sociólogo Theodor Adorno (aquele mesmo da Escola de Frankfurt), a gente tem é que rezar todo dia para não acordar amando a obra de Romero Britto – que junto com Ratinho (!) foram escolhidos para serem os novos embaixadores do turismo brasileiro. Zuêra never ends? Fakenews? Não... O pior é que é verdade. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Colocando a Casa em Ordem ou Quase Isso




Esse final de semana mudei os móveis de lugar mais uma vez. Ando com uma necessidade louca de mudar um pouco a ordem das coisas, assim como a de me organizar. Algumas pessoas dizem que a bagunça do nosso quarto representa uma desordem interna que a gente carrega. Pode até ser verdade. Para ser bem honesto, não lembro da última vez em que tudo esteve no seu lugar certinho...

Estou naquela fase da vida em que nada sei sobre o futuro, mas tenho total certeza de todos os erros do passado. Sei cada decisão furada que me levou por tortuosos caminhos que, por sua vez, me trouxeram até aqui neste momento. Assumo que algumas vezes eu tenho o secreto desejo de poder voltar no tempo, mudar decisões e ideias que parecem ser a prova de erros, mas são o completo desastre. Mas quem não desejaria isso, não é mesmo? Voltar no tempo e fazer escolhas certas em momentos decisivos. Existe uma teoria que em cada momento de decisão a gente abre uma linha de tempo com uma escolha diferente. Ou seja, pode existir uma linha de tempo em que sou professor de história e outra que me mudei pra São Paulo lá em 2010. De qualquer maneira, queria saber qual foi o resultado de cada uma dessas decisões. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O Beijo da Discórdia




Eu juro que tento, vez ou outra, não falar de política aqui. Esse tema já me causou muitas tretas. Mas a tríade governamental a que estou submetido enquanto cidadão (leia-se poder municipal, estadual e federal), além de me causar um nojo constante, me fere de forma reiterada.

Uma cena inédita na história da Bienal do Livro do Rio de Janeiro surpreendeu editores e provocou uma reação em massa contra a tentativa de mais um episódio de censura no Brasil: um grupo de fiscais da Secretaria Municipal de Ordem Pública percorreu, no início da tarde de sexta-feira (06/09), os estandes do evento para recolher livros com temas ligados à homossexualidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Todo Mundo é Feliz no Instagram





A praia movimentada. As rodinhas de amigos. Um brinde sorridente. Nos stories, um flagra do momento para a eternidade de 24h. E, claro, as curtidas: a validação da felicidade alheia medida através de likes aleatórios ou comentários também felizes. 

Pena que a vida real não seja a retratada no Instragram. 

E, antes de mais nada, esse não é um ataque à rede social de registro de fotos, não mesmo. Cada um é dono do seu perfil e o utiliza da maneira que melhor o desejar. Mas, a partir de algumas observações muito particulares, tenho me perguntado: por que essa necessidade absurda que temos de provar pra todo mundo uma felicidade que, muitas vezes, é mais fake que a inteligência de um eleitor do Bolsonaro?

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O Lázaro Que Existe Em Todos Nós





Como um fã que se preze, não poderia deixar passar em brancas nuvens o espetáculo Lazarus, escrito por David Bowie e pelo dramaturgo irlandês Enda Walsh, em cartaz no recém-inaugurado Teatro Unimed, em São Paulo. Lazarus foi o último trabalho realizado em vida pelo astro inglês, que morreu aos 69 anos, em 2016. Neste mesmo ano, muito abalado pela perda – que, pra mim, é irreparável - lancei meu primeiro livro, inspirado no encontro inusitado que tive com ele, no aeroporto do Rio de Janeiro, em 1997. 

Chegando em Sampa, de mala, cuia e ansiedade em poder assistir algo que eu sequer imaginava que poderia ter uma versão tupiniquim, meu coração acelerou como há 22 anos atrás, quando ele se dirigiu a mim, tirando seus óculos escuros, revelando seus singulares olhos e me entregando sua bituca de cigarro. Antes mesmo do espetáculo começar, o som ambiente do teatro tocava A perfect day, de Lou Reed, seguida pela caótica White Light, White Heat, do Velvet Underground e meu coração acelerou ainda mais... Vem coisa boa por aí, pensei alto, com meus botões. E, assim foi...

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Ruínas




Retornavam à velha casa de praia após cinco anos. Restavam apenas escombros. A areia havia invadido tudo; sinais de que o mar avançara sobre as paredes e levado boa parte da estrutura eram evidentes. Sobravam apenas alguns pilares, restolhos de paredes e o telhado, capenga, no estilo cabana, que o vento incessante parecia poder levar a qualquer momento.

Ele se aproximou da estrutura, retirou os óculos escuros e falou, um bocado abismado:

- Uau. Bem que o Bil avisou, mas não tinha ideia de que estava assim.

Parecia totalmente deslocado do ambiente. Tinha uma roupa social, sapatos e um blazer que o vento também parecia querer carregar.

Ela estava mais condizente, num vestido floral predominantemente na cor coral. Os cabelos esvoaçantes tapavam-lhe a cara por vez ou outra. Parecia mais emotiva em ver a cena.

- Nossa, que dó. – foi o máximo que conseguiu dizer.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Na Paulicéia Desvairada Lá Vou Eu...





...Na Paulicéia desvairada, lá vou eu
Fazer poemas e cantar minha emoção...

Esse era um dos versos da canção, que alçou a escola de samba Estácio de Sá ao campeonato do carnaval carioca em 1992. E era ele que povoava meu pensamento, de forma incessante, ao abrir os meus olhos em mais uma aurora do último fim de semana em São Paulo. Era sábado de manhã e, mais uma vez, estava ali chegando na minha segunda casa. Naquela cidade que, por muitos anos, alimentei a famosa rixa entre cariocas e paulistas, trazendo para o coração a ojeriza pelo povo do estado vizinho. 

Mas a maturidade veio e, com ela, um olhar diferente para uma das cidades – senão a mais – cultas do nosso país. E nestes paralelos loucos que faço na minha cabeça para construir meus textos, juntei samba, literatura e devaneio (ou desvario, para ser mais fiel às minhas inspirações). Mas o que essa salada insana de informações tem a ver com o meu texto de hoje?

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Pop Séries: In Treatment





Com uma quarta temporada recém lançada, dessa vez no GloboPlay, a série Sessão de Terapia foi originalmente ao ar no GNT, que exibiu os três primeiros anos da história. O que muita gente pode não saber, é que a série é uma versão de uma aclamada série americana (que por sua vez também é uma versão). Ou seja, é aquela máxima: nada se cria, tudo se recicla.

E se você pudesse acompanhar uma sessão de terapia de um completo estranho? Mais do que isso, como é a vida de um terapeuta? O que existe por trás daquele profissional tão centrado e que ajuda as pessoas e se auto-conhecerem? É disso que trata In Treatment (Em Tratamento, no Brasil).

Elogiadíssima pela crítica, a série acompanhava a vida do doutor Paul Weston (Gabriel Byrne) e suas sessões semanais com alguns pacientes. O diferencial de In Treatment é que enquanto as demais séries americanas possuem episódios semanais, aqui podíamos acompanhar cinco episódios por semana, um por dia, com 25 minutos cada, de segunda a sexta-feira. Baseada numa série israelense chamada Be´tipull, In Treatment só teve roteiros originais em seu terceiro ano, quando o material base chegou ao final.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Escarra Nessa Boca Que Te Beija!





Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua quimera
Somente a Ingratidão – esta pantera
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga
Escarra nessa boca que te beija!
(Versos Íntimos)

Sintetizado em decassílabos e rimas regulares ao estilo francês, este soneto foi escrito em 1901 pelo poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914), quando o mundo vivia um período turbulento. O pessimismo extremo era refletido nas artes e, em especial na literatura, com o início do movimento romântico do mal-do-século capitaneado pelo inglês Lord Byron, com as lamúrias, tédio, infelicidade, desgosto e melancolia presente nas obras.

No Brasil, o movimento teve outro contexto, com contornos trágicos, quando os artistas encontravam na depressão profunda e na morte as soluções para seus problemas existenciais. Os artistas da época se enxergavam como desajustados, devido ao constante conflito social que enfrentavam. O isolamento os faziam cair no sofrimento, inclusive resultando em males físicos, como a tuberculose, que acabou levando os dois maiores ícones do movimento no Brasil: Casimiro de Abreu, aos 21 anos, e Álvares de Azevedo, aos 20. Mas, no caso de Augusto dos Anjos – que também morreu jovem (aos 30 anos), de pneumonia – sua obra já antevia o que viria ser o grande mal-do-século 21: a hipocrisia e a intolerância. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Quando Eu Conheci Renato Russo





Dia desses eu estava sem sono e como não tinha nada para fazer, entrei no Twitter. E, por obra do acaso, me deparei com um vídeo que me surpreendeu bastante. Renato Russo cantando com Adriana Calcanhoto. Não só isso. Os dois estavam cantando Esquadros, uma das músicas mais memoráveis da cantora. Fui pego de surpresa por muitos motivos. O primeiro deles é o fato de não ter ideia da existência desse dueto. Em segundo lugar, pensava que Renato já havia falecido na época que essa musica tinha sido lançada, e ainda bem que não. 

Lógico que o sono, que era inexistente, acabou diminuindo mais ainda depois desse momento, então fiz o que qualquer pessoa normal faria: abri o YouTube. E lá descobri que os dois não só cantaram uma musica da Adriana, mas eles fizeram um dueto mega especial cantando Rita Lee. Sim, eles imortalizaram Agora Só Falta Você e eu fiquei embasbacado com essa inesperada junção musical.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O Constrangimento Nosso de Cada Dia




Dia desses, passei por uma situação bem corriqueira, daquelas pautadas pela lógica heterossexual do mundo, que me fez refletir. Estávamos eu e Victor, meu companheiro, numa padaria. Ele foi comprar água e a atendente falou de uma promoção de mate e bebidas alcoólicas no dia. E sugeriu: 

- Leva pra casa pra tomar mais tarde, leva pra esposa, pra namorada... 

Ele riu, pensou e respondeu: 

- O namorado, no caso, é ele. – e apontou pra mim. 

Ela ficou ligeiramente desconcertada, mas brincou com a situação. E saímos na sequência. 

Fomos conversando sobre o ocorrido. Quantas vezes não passamos por situações exatamente como essas? E em quantas delas não nos calamos?

terça-feira, 27 de agosto de 2019

A Nova Maria de Fátima do "Pedaço"





Quem me conhece, sabe o quanto sou noveleiro. Sou daqueles que vê os capítulos das telenovelas da tarde no Canal Viva e, à noite, sou capaz de assistir novamente, inclusive repetindo algumas falas, tamanha minha paixão por esse tipo de programa. Mas o que me inspira hoje não é meu vício pelas novelas, mas falar de um dos conflitos do atual folhetim das 21h, A Dona do Pedaço

Com alguns erros de continuidade, equívocos na construção das personagens (quem não lembra do tom exagerado da Juliana Paes no início da novela?) e também situações óbvias que, em tese, não prenderiam o espectador, a novela, a meu ver, é doce como sua abertura. A receita de bolo de Walcyr Carrasco, literalmente falando, reúne os principais motes de uma boa novela tradicional: uma protagonista lutadora e, às vezes, até ingênua; vilões que a todo custo querem se dar bem – preferencialmente prejudicando a personagem principal;  e núcleos paralelos que ajudam na narrativa da história. Repetitivo? Sim, muito! Mas entreter o público com uma fórmula já batida é mérito para poucos. E, não há como negar que, comprovadamente, A Dona do Pedaço vem cumprindo seu papel, principalmente depois de ter herdado o horário desacreditado pelo fiasco de O Sétimo Guardião.