quinta-feira, 18 de julho de 2019

O Fim dos Likes no Instagram





O Instagram decidiu colocar em prática o que muito se especulou nos últimos meses: o fim do número de likes nas fotos. Sim. Você pode curtir uma publicação, ver os seus amigos que curtiram, mas não pode mais ver o total de likes do post. Isso nas publicações de outras pessoas, nas suas fotos você ainda será capaz de saber quantos corações recebeu… Mas será que isso é o suficiente? Vale a reflexão. 

Acho que nunca fui muito descuidado com minhas curtidas. Todos os meus likes sempre foram baseados no gostar, me identificar ou até dizer um “passei por aqui”. É deixar registrado que a foto foi notada por mim e apreciada. Será que sem o “selo” numérico as pessoas vão se sentir menos obrigadas a registrar sua interação com as fotos de amigos, conhecidos, desconhecidos e famosos? Será que ao mudar uma de suas funções primárias o Instagram pode ter decretado o início do seu fim? Logo agora que ele era o acalento para as almas que fugiram do Facebook e não conseguem se integrar ao Twitter.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Minha Primeira Vez na Flip




Pela primeira vez na vida estive em uma FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Paraty (RJ) é uma das minhas cidadezinhas queridas - estive por lá algumas vezes desde 2007, geralmente em momentos importantes da minha vida. E sempre quis ir à feira, mesmo antes de ter meus livros publicados (só aquele ambiente de viver a literatura numa cidade histórica e linda já me magnetizava). E pra lá fui na última quinta-feira.

A estadia era curta (no sábado de manhã já tive que voltar). Por isso, foquei especificamente em poucos, mas valiosos eventos. Além de ter que dividir o tempo entre apresentar o centro histórico e o distrito praiano de Trindade para o marido que ainda não conhecia a cidade.

terça-feira, 16 de julho de 2019

"Inverno" Astral: O Período Problemático que Antecede as Nossas Primaveras




Todo mundo já ouviu falar em Inferno Astral e, inclusive, usa esse pobre coitado para justificar qualquer coisa de errado que aconteça na véspera de um novo ano pessoal. Mas, se fazer aniversário é algo a ser comemorado, qual seria o motivo de o mês anterior ser tão problemático, my God? Na verdade, esse é mais um dos termos que caíram no gosto popular e muita gente sofre por antecedência, e eu, neste caso, tenho vivido bem intensamente essa fase da minha vida em 2019 – que anozinho, diga se passagem!

Para os astrólogos, apesar de o período trazer situações difíceis, deve ser vivenciado como um momento fundamental para rever objetivos e fazer um balanço do ano que passou. Segundo eles, isso acontece porque nos 30 dias antes do aniversário, as pessoas vivem de forma mais intensa os aspectos ligados à casa 12 do mapa astral relacionada aos assuntos ocultos e ao inconsciente. Durante o inferno astral, o Sol atravessa essa tal casa 12, antecedendo o ingresso para a casa 1, que indica uma fase de renascimento. Assim, representa uma espécie de ajuste de contas com o que não pode continuar deficiente. 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Divã: Se Ele Não Está A Fim de Você, Esqueça!





Então, gente, eu venci na vida. Não, não virei coach. AINDA. Mas recebi uma dúvida de leitora pedindo conselho amoroso. Pra mim!!!

EU. JURO. DE. VERDADE. VERDADEIRA.

E, empolgado como sou, me senti a Laura Müller do Barba Feita. E, claro, vou responder dando a minha mais singela opinião sobre o assunto. Porque eu até posso cagar na minha vida amorosa (o que nem é muito verdade), mas adoro dar bons conselhos para os amigos e, agora, leitores. 

Sem mais delongas, vamos brincar de terapia? Com vocês, a nova coluna do Barba Feita: Divã!

Leco

Vou ser bem honesta e dizer porque estou entrando em contato. Não sei mais o que fazer e não quero pedir conselho a nenhum amigo ou amiga que vão me falar mais do mesmo com medo de ferir meus sentimentos. E, lendo o Barba, pensei: por que não? Vai que você me responde, né?

É o seguinte: desde que conheci um amigo de uma amiga, conversamos e acabamos ficando. Foi amor à primeira vista e depois de ver que tínhamos os mesmos gostos pra praticamente tudo, você pode imaginar, né? No dia que nos conhecemos e ficamos, não queríamos mais largar um do outro. 

Então, depois de um tempo ele não quis mais nada, porque achou que eu não o aceitaria por ele ter um filho. Entretanto, durante esse tempo separados, a minha paixão permaneceu a mesma e permanece até hoje. Sei que não devo, mas meu maior sonho é namorar com ele. Infelizmente, antes ele dizia que queria só diversão comigo a nada mais. Mas, pra quem não queria nada sério, em menos de uma semana ele começou a namorar uma outra moça. No início eu fiquei com uma raivinha, pensando no que ela tinha que eu não, imaginando porque ele quis namorar com ela e não comigo. 

Esse é o meu dilema: amar um gato super lindo, simpático, engraçado, mas que não quer nada sério comigo, só curtição. E hoje ele já tem outra. Me dá uma vontade de fazer algum tipo de convite inusitado, só pra saber se ele é realmente fiel à namorada. 

Espero ansiosa que você leia essa mensagem e que, se tiver tempo, me responda com os seus conselhos.

Um beijo, 
Pagando pra Ver

sexta-feira, 12 de julho de 2019

O Bagulho Tá Sinistro





A terceira temporada de Stranger Things bateu um recorde histórico dentro de um serviço de streaming. Em apenas quatro dias, quase 41 milhões de pessoas viram os episódios, ratificando algo que já sabíamos: a série é, sem dúvida, a galinha dos ovos de ouro da Netflix.

Nesta nova aventura, eletrizante e imperdível, os personagens já não são mais crianças. Eles cresceram e dividem com os espectadores as suas dores, angústias, dúvidas e descobertas sobre a sexualidade. Também foram introduzidas novas e deliciosas figuraças como Erica Sinclair (Priah Ferguson), a irreverente e debochada irmã mais nova de Lucas, que rouba as cenas e se destaca com as falas mais divertidas e sensatas da trama. Também temos a sarcástica Robin, a primeira personagem gay de Stranger Things, interpretada por Maya Hawke (filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), e o cientista russo Alexei (interpretado pelo ator ucraniano Alec Utgoff) que, com seu jeito inocente, conquistou os fãs. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Que Tipo de Conteúdo Você Produz?




Postar a foto de um livro, falar bem de um atendimento recebido em um restaurante ou indicar aquela série na Netflix é bem mais do que ser "só você mesmo" em suas redes sociais. Falar sobre um produto e recomendar ou não algo te faz, automaticamente, um influenciador. A sua experiência pode contaminar uma rede de pessoas que você nem tem ideia... E isso pode ser assustador. 

O meu negócio, por exemplo,  é entretenimento. Amo falar sobre séries, filmes, novelas e música. Gosto de dizer o que ando assistindo e fazer uma bela de uma propaganda para quem dá um like em minhas postagens nas redes ou espia os meus stories. Algumas pessoas já me falaram isso mais de uma vez, que assistiram ou até leram algo pelo simples fato de verem uma dica dada por mim. Agora imagine se cada uma dessas pessoas indicar esses programas para mais duas pessoas, que irão assistir e, consequentemente, gostar... Já teremos uma boa e modesta divulgação espontânea. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

Abaixo Ao Padrãozinho!





Nas últimas semanas venho refletindo sobre esse tema que tem feito parte, cada vez mais constantemente, das minhas rodas de conversas: o que significa a expressão “padrão de beleza”? O conceito de beleza já passou por diversas mudanças ao longo do tempo. No período renascentista, por exemplo, mulheres mais rechonchudas eram tidas como belas e associavam-se à ideia de fartura, riqueza e fertilidade. Na atualidade, contudo, nota-se que o padrão de beleza é justamente o contrário da Renascença. Corpos magros, músculos definidos e uma incessante busca pela perfeição mostram que a sociedade impõe modelos, por vezes, inatingíveis e que trazem prejuízos tanto físicos como psicológicos às pessoas, além de desconstruir a anatomia individual. 

De forma inconsciente, toda a população se vê inserida nesse processo de padronização. Há aqueles que tentam, a todo custo, se aproximarem do ideal de beleza estampado nas revistas, passarelas e na televisão, recorrendo a cirurgias plásticas, tratamentos rejuvenescedores e dietas tão radicais que acabam colocando suas vidas em risco. Por outro lado, há aqueles que negam-se a uma adequação a esses modelos estéticos e para eles resta o isolamento causado pelo preconceito de uma sociedade que tem a felicidade fundamentada no culto ao corpo. Digo isso, pois eu mesmo tenho passado por esses questionamentos. Sempre fui um cara bem vaidoso e, muitas vezes, sucumbi à essa negação de ser quem eu era e vivia numa busca constante de ser quem a sociedade queria que eu fosse. 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Pop Séries: Party Of Five





Muito antes de eu sequer saber o que era efetivamente uma série, eu já era apaixonado por uma. O Quinteto (Party of Five, no original) foi uma das primeiras tramas que acompanhei sem ter a noção que tenho hoje do que é uma série. Como os episódios passavam todos os dias à tarde num canal aberto, eu imaginava que era uma espécie de novela. Não me culpem, eu era só um pré-adolescente quando a série estreou, em 1994.

Contando com um elenco que se tornaria famoso anos depois, Party of Five durou seis temporadas. A história acompanhava o dia a dia dos cinco irmãos Salinger, que com a morte dos pais num acidente de carro causado por um motorista embriagado, se vêem sozinhos no mundo e tendo de aprender a lidar com essa nova situação.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

E Quando Eu Não Estiver Mais Aqui?





Recentemente, muitos de nós aqui no Barba Feita temos feito várias reflexões sobre a morte ou a perda. O meu texto da semana passada, O Dia Seguinte de Raissa, assim como o que publiquei no fim de maio, Em Dias Bons, Não Penso Nela, falava explicitamente sobre a morte. O Julio Britto trouxe o mesmo tema em A Vida é um Sopro, em 28/5, assim como o Paulo Henrique Brazão na coluna desta semana em Não Estamos Aptos a Dizer Adeus. Não sei se é coincidência, mas o ano de 2019 tem sido terrível. Além de vislumbrarmos uma terrível nuvem negra pairando sobre o Brasil no contexto sociopolítico e das tragédias notórias com personalidades, também temos sido surpreendidos com perdas de pessoas queridas ao nosso redor.

É claro que, à medida que vamos envelhecendo, as pessoas que estão próximas a nós vão partindo. É a tão esperada “ordem natural das coisas” que, por mais que tentemos driblá-la a qualquer custo, surge, nos deixando sempre inconformados. Como já disse, o maior incômodo é imaginar que Ela sempre chega deixando a construção, ao nosso olhar, incompleta. 

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Não Estamos Aptos a Dizer Adeus




Na semana passada, recebi a chocante notícia da morte de um amigo querido, o Léo, aos 31 anos. Soube ao abrir o Instagram e ver uma foto homenagem de outra pessoa. Até tomar pé de tudo, demorei a saber o que havia acontecido. Uma miocardite fez despencar a pressão, os batimentos cardíacos e levou rins e fígado à falência.

Além do choque inicial pela sua morte, tive aquele momento de indignação: "por que ele?" Um cara mega feliz, brincalhão, alto astral... Eu já havia sofrido quando ele e o seu marido, o Gustavo, terminaram. E só pensava no Gustavo, por quem, mesmo separados, o Léo ainda tinha um forte amor.  Ele morava em Salvador, mas isso não nos impedia de nos falarmos com frequência e inclusive nos aconselharmos. Dias antes mesmo havíamos trocado mensagens, na época do meu aniversário. Tudo muito difícil de compreender. Na verdade, poucas são as vezes em que estamos aptos a dizer adeus...

terça-feira, 2 de julho de 2019

Guarde Seu Preconceito Que a Bandeira Arco-íris Vai Continuar Passando




No último 28 de junho comemoramos mais um dia de visibilidade do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros). Esse movimento vem ganhando cada vez mais adeptos e, por essa razão, por essa pluralidade de descobertas, têm-se de adicionado à sigla, em alguns casos, o sufixo “Q+” (neste caso, Queer. Essa expressão pode significar muitas coisas, afinal não é sobre uma orientação sexual específica ou identidade de gênero, é sobre se identificar não apenas com uma ou algumas das letras da sigla, mas também com todas elas).

Há 50 anos, frequentadores de um bar gay em Nova York se rebelaram contra a truculência policial dando início ao que ficou conhecido como a “Revolta de Stonewall” e à luta pelos direitos dos homossexuais. A partir disso, a data virou um marco e tem sido celebrada anualmente em todo o mundo. E, apesar deste marco de empoderamento, infelizmente, a perseguição, discriminação e a violência contra pessoas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero – real ou percebida – não acabou.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

A Gente Chora, Mas Segue em Frente





Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro...

Às vezes, eu tenho vontade de chorar. Em outras, de ter uma Manopla do Infinito e, como Thanos, ter o poder de exterminar 50% da população mundial (mas fazendo isso, muito sinceramente, deixando a aleatoriedade de lado e escolhendo bem quem iria sumir). Já em outras ocasiões eu, agnóstico que sou, apenas oro: oro por um arrebatamento que leve o povo de ~deus~ pra bem longe daqui, para um céu idílico e idealizado, para que a humanidade restante finalmente possa continuar a evoluir sem esse tipo de gente bizarra que saiu dos esgotos nos últimos anos.

É triste ver onde chegamos. E isso me dói como nunca achei que pudesse acontecer.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

O Dia Seguinte de Raissa





Não me lembro direito da primeira vez que conheci a Raissa. Acredito que tenha sido em um dos eventos ocorridos enquanto eu trabalhava no hospital. Na época, Raissa tinha acabado de descobrir uma doença grave, que poderia ter abreviado sua passagem: leucemia linfoide aguda. Foi quando se internou e iniciou um tratamento severo, que se transformou em um dos momentos mais difíceis de sua vida, a afastando de tudo que ela mais gostava: da faculdade que tinha acabado de entrar, dos amigos e de coisas simples como simplesmente beber um copo de água. Vieram as complicações, a queda dos longos cabelos devido ao efeito da quimioterapia e a distância entre as horas.

Tento me recordar do primeiro encontro sempre. Mas só consigo me lembrar de que todos os dias, antes de eu ir embora para casa, subia até sua ala de internação e passava para dar um “oi”. Muitas vezes a encontrava desacordada sob os fortes efeitos dos medicamentos e a fitava pelo vidro da enfermaria, mentalizando um abraço. Juro que muitas vezes percebia um sorriso. Outras vezes, mesmo grogue, fazia questão de puxar papo sem falar “coisa com coisa”. Mas, na maioria das vezes, os momentos que permanecíamos juntos eram verdadeiras festas regadas a super gargalhadas que precisávamos conter para não incomodar os outros pacientes. Imaginávamos um título de um futuro livro para os nossos “causos”: Risadas à Beira do Leito, entre fios, seringas e máscaras de oxigênio. Isso deve ter sido há mais de dez anos.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Uma Mulher no Escuro: O Novo Livro de Raphael Montes





Raphael Montes é um dos meus autores nacionais favorito. Meu primeiro contato com sua obra foi através do maravilhoso e eletrizante Dias Perfeitos. Acho que nunca irei superar toda trama de Teo e Clarice; já aceito como um fato. Só que isso não significa que Suicidas, O Vilarejo e Jantar Secreto, outros livros do autor, não sejam tão maravilhosos quanto. Eles são. Só que não é sobre as obras antigas que quero falar hoje, mas sobre Uma Mulher No Escuro, nova obra do carioca de 29 anos. A trama narra a vida de Victoria Bravo que, aos quatro anos, logo após sua festa de aniversário, teve sua família assassinada, sendo a única sobrevivente. Anos depois, tentando levar o que consegue chamar de vida, Victoria acaba possuindo só um amigo - feito pela internet - , uma tia que mora em um asilo e seu psiquiatra que visita semanalmente. 

Durante a leitura da nova trama só conseguia pensar o quanto Victoria me lembrava de Sidney Prescott, minha protagonista favorita do universo de filmes de terror. Em comum? As duas escolheram seguir com suas vidas após passar por uma grande tragédia. 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Amigo, Estou Aqui





Havia uma falha grave na minha relação com a Pixar: eu não havia visto ainda Toy Story 3. Tudo bem, também não vi Viva e Wall-e, mas os demais principais títulos eu havia assistido. Na iminência de estrear a quarta parte da franquia e após ler uma lista do HuffPost que colocou a parte três como o melhor filme do estúdio de todos os tempos, resolvi pegar para ver. E, dias depois, assisti também o 4.

Toy Story revolucionou o mundo das animações em 1995, ao trazer um desenho todo em 3D. É curioso hoje em dia comparar com os últimos filmes do tipo que estrearam: a tecnologia é muito aquém. Mas, à época, foi uma mega novidade, que pavimentou o caminho para outros grandes sucessos de muitos estúdios, como Shrek, Procurando Nemo, Monstros S/A, FormiguinhaZ, Frozen... E, ao escolher a suposta vida secreta dos brinquedos, a Pixar e a Disney fizeram uma grande saga sobre amizade e aprendizados.

terça-feira, 25 de junho de 2019

O Mistério de Irma Vap: 22 Anos Depois

Fotografia: Marcos Araújo




Olá, pessoas! Bem, como todos sabem, minhas colunas não são dadas a tecer críticas de espetáculos, shows, filmes, séries ou clipes. Essa é mais a vibe dos meus colegas. Mas eu, como ator (um pouco fora de forma, confesso, mas ainda muito apaixonado pela arte de interpretar), não poderia deixar de escrever sobre essa peça que fui assistir despretensiosamente no último fim de semana. 

Confesso que não tenho como tecer um paralelo sobre sua primeira montagem aqui no Brasil, que ganhou forma pelas mãos dos magos Marco Nanini e Ney Latorraca, e meu objetivo aqui é justamente o de dar minha impressão pessoal sobre um produto novo, inédito para mim. A primeira e icônica montagem brasileira do texto foi dirigida pela saudosa Marília Pêra e estreou em 1986 (eu tinha apenas seis aninhos, façam suas contas...) e ficou em cartaz durante surpreendentes 11 anos consecutivos, o que garantiu ao espetáculo o registro no livro Guiness em 2003, e tornando-se inspiração para produção do filme brasileiro Irma Vap - O Retorno, em 2006, com direção de Carla Camuratti, porém sem o mesmo sucesso, talvez pela magia do texto original dar-se justamente nesta troca contínua de roupas pelos atores. Nas minhas aulas de formação de ator, lembro de um professor ter dito que essa peça ficou marcada na história do teatro por uma espécie de “gincana de troca de figurinos” por Nanini e Latorraca e desde que sua remontagem foi anunciada, nosso colunista de sexta, Marcos Araújo, já havia me dado esse mesmo spoiler.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Sexo, Fetiches e Privacidade





Em tempos caretas e hipócritas como os que estamos vivendo, o que é válido entre quatro paredes? Até onde você pode exercitar sua fantasia e viver coisas aparentemente “proibidas” na cama? Conforme eu, com toda minha sabedoria, já disse, as fantasias são o combustível do sexo. E esse maravilhoso mundo das fantasias não tem limite, desde que os envolvidos sejam maiores de idade e estejam exercendo suas vontades por escolha própria.

O que dá tesão numa pessoa pode não ter a mínima graça para outra, enquanto essa outra pode achar tremendamente excitante algo que o primeiro ache patético. O legal é quando duas pessoas com idéias e fantasias semelhantes se encontram e podem viver sua relação plenamente. Daí, meus caros, é fogo no colchão, com direito a acrobacias monumentais e prazer garantido.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

O Abatedouro





“Um escritor grego disse que a democracia só funciona quando os ricos se sentem ameaçados. Caso contrário, a oligarquia toma o poder. De pai pra filho, de filho pra neto, de neto pra bisneto e assim sucessivamente. Somos uma república de famílias. Umas controla as mídias, outras, os bancos. Elas possuem a areia, o cimento, a pedra e o ferro. E, de vez em quando, acontece delas se cansarem da democracia, do Estado de Direito. Como lidar com a vertigem de ser lançado em um futuro que parece tão sombrio quanto o nosso passado mais obscuro? O que fazer quando a máscara da civilidade cai e o que se revela é uma imagem ainda mais assustadora de nós mesmos?”

Na madrugada desta sexta-feira tive duas crises de choro compulsivas.  Dormi com os olhos em chamas e despertei assustado após a provável sensação dos sonhos intranquilos de um Gregor Samsa, de Kafka.  Estava exausto e não parecia sequer que tinha pregado o olho.  Dentro do meu sonho, estava o som do alarme do celular e meu cérebro me introduziu a uma situação de devaneio, como se procurasse uma defesa para que eu não despertasse.  Uma freada seguida de um estrondo me trouxe de volta à realidade.  Ao meu lado, o celular ainda apitava e, com neste impulso de sons misturados, abri os olhos no quarto  escuro.  Por baixo do blecaute, os raios de sol tentavam penetrar e então abri a janela de vez, me cegando por completo.

Nem consegui enxergar direito o que tinha acontecido na esquina.  Provavelmente mais um acidente entre tantos outros comuns, ali naquele mesmo lugar. As imagens do filme Democracia em Vertigem estavam sendo projetadas em looping na minha mente.  Já tinha escrito outro texto para apresentar a meus leitores do Barba Feita e, no metrô, a caminho do trabalho, resolvi mudar tudo.


quarta-feira, 19 de junho de 2019

Dores do Crescimento




Vocês já tiveram a experiência de ter que demitir alguém? E a de ter que demitir alguém que você gosta, gosta do trabalho e acha uma boa profissional? Então... essas “dores do crescimento” profissional são bem complicadas. Pode parecer uma banalidade quando a gente não passa por isso, mas quando se depara pela primeira vez com a situação... Tudo muda. 

Recentemente tive que fazer isso com dois profissionais, por motivos que não cabem a explicação aqui. Mas foi tudo bem difícil para mim, ainda mais num momento em que ainda me recupero de outras situações ruins em outros campos da minha vida. Em tempos de desemprego, mercado de comunicação (com o qual trabalho) retraído e pouca empatia, desligar alguém traz o peso de quase uma condenação. E isso eu (ainda) não tinha no meu currículo de forma tão cruel, pois as poucas demissões que tinha feito eram de pessoas com as quais eu não tinha proximidade. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

As Férias Acabaram. E Agora?






Quando o tão esperado período de férias está se aproximando, uma sensação de liberdade e felicidade toma conta nós, junto com a certeza da compensação pelo dever cumprido, e isto permite planejarmos momentos incríveis e muitas vezes inesquecíveis. Mas tudo que tem um início também precisa de um fim, e é aí que temos aquela sensação de impotência e até de tristeza por querer continuar levando aquela vida que pedimos à Deus. 

Ontem foi o meu retorno ao trabalho depois de alguns dias de descanso... E quando voltamos, sempre temos aquela mesma sensação de que poderia durar mais uns diazinhos.... Voltamos a acordar cedo, imergimos numa quantidade infindável de e-mails, reuniões e demandas de última hora.

Quando viajamos, é claro que retornar dias antes das férias terminarem proporciona um descanso melhor e readaptação à realidade mas, em contrapartida, se perde alguns dias que poderiam ser mais aproveitados no destino escolhido, porém, depende muito do ritmo da pessoa que está saindo e voltando de férias. Quando não se opta (ou não se pode) viajar, nada melhor do que se permitir acordar mais tarde, tirar aquela soneca depois do almoço ou colocar os passeios e convivência com a família em dia.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Meredith & Cristina





Quem me conhece um pouquinho ou me lê por aqui sabe o quão viciado sou por séries de televisão. E entre as minhas preferidas, uma delas é Grey’s Anatomy. Há quinze temporadas, adoro acompanhar a vida dos cirurgiões do Seattle Grace Hospital. O mais legal é que apesar de ser uma série médica, Grey’s vai além disso e é muito mais sobre a vida dos cirurgiões do que sobre medicina. E eu adoro isso.

Entre os personagens da série e suas mil relações e interrelações, sempre gostei muito do ‘casal’ Meredith Grey-Cristina Yang. Porque não, elas nunca foram um casal propriamente dito, mas a relação de amizade delas sempre foi tão verdadeira, passando tal credibilidade, que era impossível ser indiferente. Você pode achar que Meredith tem uma cara de caneca fulltime, que Cristina parece andar com um bisturi enfiado no rabo, mas não há como negar: elas são amigas, não importa como elas vivam essa amizade. Mesmo que a distância, com cada uma em um continente, depois de Sandra Oh ter decidido encarar novos desafios profissionais (e Killing Eve é maravilhosa, confira a dica do Sil e assista!).

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A Madame Está de Volta




Madonna sempre foi uma grande estrategista. Por isso, não acho que mudou muito sua forma de pensar desde que lançou seu primeiro single, Everybody, em 1982. Na época, muitos acharam que ela era negra pois na capa ou contracapa do disco não há uma foto dela, somente colagens de fotos nova-iorquinas, em um conceito bem urbano. Madonna sabia que precisava ganhar a galera do Bronx. E conseguiu.

No melhor estilo Bowie-de-ser, inventou centenas de personagens. Foi a noiva intocada de Like a Virgin, a Marilyn-individualista de Material Girl, a mulher fragilizada em Live To Tell e a independente em Papa Don´t Preach. Foi do extremo de ser santa em Like a Prayer a puta em Justify my Love. Flertou com o R&B, folk, country, gospel, com a fase disco setentista, explodiu nas pistas de dança contemporânea, criticou o modo de vida americano, foi autobiográfica e confessional.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Shippados: Vale Muito Conferir a Série Original Globoplay





Sexta-feira passada fui surpreendido ao entrar no Globoplay pelo aplicativo na minha televisão e dar de cara com os episódios disponíveis de Shippados. A temporada completa! Sem nem pensar duas vezes, apertei o play para dar aquela conferida. Assumo que naquele milésimo de segundo meu único desejo era ser surpreendido positivamente pela trama... 

Com texto de Fernanda Young e Alexandre Machado, os pais de Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) de Os Normais, Shippados, série original Globoplay, possui uma certa responsabilidade em seus ombros como, por exemplo, mostrar que falar de relacionamentos é atemporal, apesar da tecnologia e dos shipps que nascem a cada segundo em nossas timelines

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Sobre Fazer Aniversário





Fazer aniversário é algo que divide opiniões... Muitos amam a data e adoram uma comemoração, outros odeiam e preferem ficar reclusos. Eu sempre fui do primeiro time e chegava a fazer contagem regressiva para o dia. E sempre achei que todos deveriam comemorar, ainda que de forma simples.

Curiosamente, esse ano eu não estava nem um pouco animado. Uma série de fatos ruins na minha vida nas últimas semanas tornou tudo meio sem cor, me deixou bem desanimado... E eu simplesmente não queria que meu aniversário chegasse. Se realmente existe inferno astral, esse ano o Cosmos conspirou bem forte contra mim!

terça-feira, 11 de junho de 2019

O Dia Dos Namorados e o Marketing De Oportunidades





Desde o início deste mês você provavelmente viu por aí um monte de coraçõezinhos nas lojas, cartazes com casais de todos os tipos, gêneros e idades felizes para todo lado e sugestões de presentes para ele e para ela em várias revistas e comerciais de TV. Mas amanhã, quando terá chegado finalmente o Dia dos Namorados, proponho que olhe à sua volta e reflita: será que a realidade bate com os anúncios?

Na coluna de hoje não vou falar sobre como dar as dicas perfeitas de presente ou meus textos sentimentalóides sobre o Dia dos Namorados (mesmo porque agora está meio em cima da hora, né?), não vou sugerir o que você deve comprar para ele ou ela, nem vou reclamar do fato de essa ser uma data totalmente comercial. Em vez disso, queria aproveitar essa oportunidade para conjeturar com vocês sobre o que a galera que faz parte da sociedade que no dia-a-dia é excluída e execrada rende aos grandes comerciantes e que em nada defendem ou lutam por seus interesses legitimamente.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Pop Séries: Scandal





Não dá pra negar que Shonda Rhimes tenha dedo de ouro. Sua produtora, a ShondaLand, é responsável por sucessos como Grey´s AnatomyPrivate Practice e How To Get Away With Murder, que conquistaram a televisão mundial. Scandal, a nossa Pop Série de hoje, é também uma criação da produtora e que foi, durante um bom tempo, uma das queridinhas da televisão americana.

Eu confesso que demorei a conferir Scandal. Seja por já ter uma lista muito grande de séries para acompanhar ou apenas por mera preguiça, li alguns elogios mas sempre adiava a decisão de conferir o episódio piloto. Mas, assim que fiz isso, foi impossível me livrar da companhia de Olivia Pope e seus gladiadores de terno, assistindo um episódio atrás do outro e me deliciando com as maracutaias políticas e escândalos que envolvem o mundo retratado na série e que, sinceramente, se não fosse pelo amadorismo brasileiro, muitas vezes se parece com o nosso.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Agoniza, Mas Não Morre





Quem me conhece sabe que não perco um desfile de escolas de samba.  Faço isso desde que era bem pequeno e muito de minhas inspirações vem de elementos que absorvi no mundo mágico das fantasias, carros alegóricos, sambas-enredo e aquela correria frenética dos barracões.

Todo mundo já está completamente careca de saber que, desde os primórdios, as escolas de samba sempre tiveram o apoio de “patronos”: homens que comandavam a agremiação através da contravenção, como o jogo do bicho, por exemplo.  Em praticamente todas as escolas, os chamados “bicheiros” ditavam o patrocínio para literalmente pôr o bloco na rua.  Por isso, acho patético a ponto de revirar os olhos quando dizem que fulano, beltrano ou sicrano “é suspeito de ter ligação com o bicho”.  É só olhar para trás e ver enredos como “Sonhar com rei dá Leão”, de 1976 para ver a resposta. 

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Haila e Helton Fazem o Masterchef Valer a Pena




Acho que a última temporada completa que acompanhei do Masterchef foi lá em 2016. Não embarquei na versão profissionais. Sei lá, acho que a fórmula estava se esgotando pra mim, alinhada aos episódios intermináveis que passavam na Band, sem levar em conta também os participantes menos carismáticos a cada temporada. 

Mas, como um bom espectador à casa retorna, dei o beneficio da dúvida para essa sexta temporada. Ao menos uma mudança significativa foi feita: o dia de exibição mudou, saiu da terça-feira e foi parar aos domingos. E lá fui eu acompanhar... ou quase. Perdi os episódios iniciais na tevê, só que o Youtube está aí para isso mesmo: obrigado Band, por subir os episódios por lá. Assumo que fiz uma pequena maratona dos três primeiros episódios e me vi totalmente surpreso com o que estava acompanhando. Os candidatos de 2019 são tão despreparados quanto os de 2014, que iniciaram o programa como conhecemos hoje. Alguns, da atual edição, não sabem o básico do preparo de pratos clássicos; outros não possuem controle mental para encarar um desafio pesado como esse... E alguns são perfeitos para o que o programa precisa... Entretenimento puro!

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Rocketman: Lindo e Lírico




Sei que pode parecer demais falar de cinema por duas semanas seguidas, mas, juro, dessa vez merece. Rocketman, de Dexter Fletcher, baseado em boa parte da vida do cantor, compositor e pianista Elton John, chegou às telonas e é um filmaço. Quando vi seu trailer, de imediato me senti atraído, embora Elton John, mesmo sendo um mega ícone da música e do meio LGBT, nunca tenha sido um dos meus prediletos (embora ele tenha uma pérola, Your Song, que eu amo). E Rocketman realmente é magnético, original e belo. 

Tudo começa em uma grande sessão de terapia em grupo, na qual Elton vai expondo seus maiores podres, remetendo a fatos da infância, adolescência e juventude, quando ainda se chamava Reginald Dwight. Por ser uma narrativa vinda do próprio personagem, o filme não tem obrigação alguma com a verossimilhança e opta pelo caminho do lirismo e da metáfora por várias vezes. E, acima de tudo, Rocketman é um filme sobre reencontros, em especial consigo mesmo. Nesse caminho, a história disseca seus problemas de família, a questão da sua sexualidade, seu problema em se autoaceitar e a sua sólida amizade com Bernie Taupin, maior parceiro nas composições de Elton John. 

terça-feira, 4 de junho de 2019

Sobre Sonhos e Metas





Certa vez, ouvi uma história que me ajudou a entender a diferença entre meta e sonho: “havia cinco macacos num galho de uma árvore: dois deles decidiram pular e pegar algumas bananas que estavam ali perto. Porém, os cinco animais continuaram no galho. Eles decidiram pular, mas nenhum deles fez isso de fato.” 

Parece uma historinha boba, mas ela tem uma mensagem subliminar muito profunda: se você só fica pensando em fazer algo, mas não se mexe para concretizar, você vive de sonhos. A partir do momento que você transforma seu desejo em um objetivo e passa a agir para perseguí-lo, isso é uma meta. 

Definir prioridades e dar passos para chegar aonde se quer é o crucial ponto de partida. Disso vem a transformação de vida: a partir das atitudes concretas do dia-a-dia. Claro que isso não se consegue de uma hora para outra, e não há formula mágica ou livros de autoajuda que irão te dar a receita, mas algumas atitudes muito simples e fundamentais: empenho e perseverança. É uma questão de escolha e disciplina pessoal.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Carta Para Seguir em Frente




Hoje eu estava no trânsito, começou a tocar Work no rádio e eu lembrei de você. Tenho pensando bastante em você ultimamente. Engraçado como, quando alguém que a gente gosta vai embora, são os detalhes que fazem mais falta. O jeito que você sorria, a forma que você me abraçava pra dormir, as vezes que você dormia agitada e me jogava pra fora da cama e eu ficava te fazendo carinho pra te acalmar (confesso que também era para você parar de me chutar); ou seu cheiro que sempre ficava no travesseiro quando você voltava pra sua cidade. 

Lembro perfeitamente do dia que a gente ficou pela primeira vez. Eu te contei a história da minha vida difícil, depois a gente se beijou a madrugada toda, até o sol raiar. Recordo de ter achado seu beijo muito bom. E por mais que eu tenha dormido com o sol no rosto, foi gostoso dormir abraçado com você… 

sábado, 1 de junho de 2019

Meu Querido Final de Janeiro




Como está a sua vida? Como anda a convivência com os seus pais? Conseguiu mudar de horário no emprego? E o curso no SENAI? E a sua irmãzinha, continua esperta e pulando em cima de você? Pois bem, essas perguntas, infelizmente, não vão ser respondidas. 

Eu espero que esteja dando tudo certo para você, como está sendo para mim. Lembra quando você disse que eu ia ficar bem? Pois é, meu bem, você estava certo. Você se recorda quando eu dizia que odiava café? Hoje eu faço um ótimo e bebo 4 copos, aliás. O curso de Direito é maravilhoso, e eu não vejo a hora de conseguir algo na área, mas como você disse, eu sou uma pessoa esforçada que merece o mundo, e vou conquistar tudo o que eu quero. 

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Em Dias Bons, Não Penso Nela





“Morre quem mereceu  e quem não merecia
morre quem viveu bem  e quem mal sobrevivia 
morre o homem sadio  e o que fumava e bebia
morre o crente e o ateu  um do outro companhia”
(Cadáver Sobre Cadáver – Titãs)

Volta e meia eu abordo o tema da finitude por aqui. Apesar da certeza de que um dia todos nós partiremos, ainda é muito sofrido pensar nisso, pois sempre tive pavor da morte. Não sei explicar se é exatamente o pavor de morrer ou o fato de deixar de viver. Pode parecer para muitos a mesma coisa, mas no meu entendimento, são situações distintas.

Tenho medo de sentir dor. Para mim, dor e morte estão intrinsecamente conectados. Ilogicamente (admito), acabo muitas vezes postergando ações que poderiam promover minha saúde, com medo de sentir dor e morrer. Tenho medo do ataque cardíaco fulminante, da explosão do tiro, da queda do avião, do afogamento. Penso sempre naqueles momentos que devem ser agonizantes, como os que Alfred Hitchcock mostrava nas telas. O cineasta dizia que gostava de captar a expressão do horror que vinha antes do fato que causaria a morte em si: a expressão do medo de alguém tentando se livrar Dela.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Brooke Lynn Hytes ou Yvie Oddly: Quem é a Vencedora de RuPaul’s Drag Race?





Hoje termina mais uma temporada de RuPaul’s Drag Race mas, bem diferente do que aconteceu nas últimas finais do programa, duas candidatas merecem levar essa coroa. Durante toda a competição, cada uma mostrou o potencial de sua drag, chegando até a errarem no mesmo ponto (no Snatch Game) e disputando um lipsync poderosíssimo. Com toda certeza, Brook e Yvie fizeram por merecer estar nessa final. 

Desde a sétima temporada, RuPaul’s vinha convocando um certo padrão de drag queens. O público já vinha identificando esse tipo de escolha e xingava muito no Twitter. Mas esse ano fomos surpreendidos. O cast teve um toque das temporadas iniciais, mostrando para os fãs do reality, inclusive os mais novinhos, que não existe só um tipo de drag. Alguns, erroneamente, estavam presos ao único conceito de beleza... e só. Mas é preciso recordar sempre que acima de tudo, drag é arte!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Aladdin: Um Amor Antigo (e Atual)






Aladdin é simplesmente o filme da minha infância. Eu o assisti ao menos oito vezes, mais umas três da continuação, O Retorno de Jafar. Sempre foi o meu favorito daquela nova Era de Ouro da Disney, que povoou tanto a mente da minha geração. Por isso havia tanta expectativa da minha parte para ver o prometido live action que estreou na semana passada. E corri pra assistir logo no sábado 

Se eu gostei? Amei! Com pequenas ressalvas, mas amei. Se você nunca viu a primeira versão do Aladdin, melhor tomar cuidado para não pegar qualquer spoiler nesse texto. Se você já viu, prometo que tentarei não ser estraga-prazeres, ok?

A escolha de Guy Ritchie para dirigir esse clássico foi um bocado ousada. Mas funciona. Lá estão suas cenas de perseguição sempre bem executadas e a câmera levemente acelerada em determinados momentos, que pode gerar algum incômodo para os mais desavisados, mas que eu achei que super encaixou. A opção por juntar atores árabes e indianos carregou um quê de Bollywood, perceptível mais ainda nas cenas de dança. E esse mundo mesclado da fictícia Agrabah desfila muitas cores e sensações pela tela. Um espetáculo visual.

terça-feira, 28 de maio de 2019

A Vida é Um Sopro...





Mais uma vida se vai. A semana inicia com a notícia do acidente aéreo com o cantor Gabriel Diniz, pouco depois de gravar um vídeo subindo na aeronave superfeliz. Lembro como se fosse hoje de quando via a reportagem da queda do avião da delegação de futebol do clube Chapecoense, em novembro de 2016. Nele, os jogadores também estavam em clima de alegria e festa, afinal, o clube estava tomando notoriedade fora da pacata cidade de Chapecó, passando a ter visibilidade internacional. Ainda na última semana, completaram-se 9 anos da queda do avião da AirFrance, que tinha a bordo 228 pessoas que viajavam do Brasil rumo à Paris, a Cidade Luz, a cidade dos sonhos. Alguns iam estudar, outros em lua-de-mel, outros a trabalho ou, a mero passeio.

Preâmbulo extenso à parte, antes que chovam as críticas sobre “quantas pessoas morrem hoje em dia, e por não serem famosas ninguém fala nada”, o meu objetivo aqui não é falar da morte de alguém famoso. Mas falar dessa passagem que pode acontecer a qualquer momento, com qualquer um de nós. E, o que você tem feito no dia-a-dia para ser uma pessoa melhor? Para ser lembrado com saudade pelos que convivem com você? E, principalmente, como você tem usado seus dias para fazer algo de realmente útil ao invés de entrar no sistema de ataques e contra-ataques que temos vivido no mundo nos últimos tempos?

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Eu Me Lembro (?)





"E foi assim que eu vi que a vida colocou ele pra mim
Ali naquela terça-feira (?) de setembro (?)
Por isso eu sei de cada luz, de cada cor de cór
Pode me perguntar de cada coisa que eu me lembro..."
Eu Me Lembro (Clarice Falcão & Silva)

Sábado é, normalmente, o dia em que escrevo as minhas colunas para o Barba Feita. Entre um afazer e outro, como organizar as bagunças e sair para a minha corrida, eu vou pensando no que escrever, no que pode ser relevante, no que fazer para não deixar esse espaço em branco. 

No último sábado (que para mim é nesse exato momento), com um dia lindo, mas com uma mudança de tempo se insinuando, eu parei preparando as coisas para receber uns amigos no fim do dia. E, entre o preparo de uma massa, uma xícara de café e mil pensamentos, me peguei cantarolando as músicas de uma playlist aleatória do Spotify. Foi quando as vozes de Clarice e de Silva encheram meu apartamento cantando Eu Me Lembro, uma música tão bonitinha e, ao mesmo tempo, tão agridoce... E me vi ali, sorrindo e cantarolando, mas prestando atenção na letra da música.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Nada Se Cria, Tudo Se Copia




Todo mundo deve se lembrar do Velho Guerreiro Chacrinha e seus bordões “Alô, Terezinha!”, “quem não se comunica se trumbica” e “eu não vim aqui para explicar, eu vim aqui para confundir”. Mesmo para quem não viveu a divertida época de seus extravagantes programas de auditório com os calouros, suas “buzinadas” e o tão famoso “troféu abacaxi”, conhece o pernambucano Abelardo Barbosa, considerado um dos maiores comunicadores da televisão brasileira, que morreu aos 70 anos em 1988, três meses antes da chegada do primeiro teste da internet no Brasil. 

Chacrinha repetia uma frase sensacional, provocando, com sua incontestável ironia, o próprio meio onde estabeleceu sua trajetória de sucesso: “na TV, nada se cria, tudo se copia”. Hoje, com as mídias sociais online totalmente estabelecidas na rotina da humanidade, o Velho Guerreiro teria um prato cheio para que pudesse explorar.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Acredite: Você é Mais Forte que Seus Obstáculos!





As histórias de gente interessante e de grandes feitos no mundo, são histórias de superação e de vitórias sobre grandes obstáculos.

Se você trabalha, terá dificuldades no trabalho.

Se é casado, terá dificuldades no casamento.

Se tem filhos, terá dificuldades com os filhos.

É preciso aceitar que os problemas fazem parte da vida. E eles não são exclusividade sua. Servem para contribuir com a nossa evolução como seres humanos. Quando algo de errado acontece na nossa vida, costumamos analisar o problema tão-somente sob o nosso míope ponto de vista. Consideramos apenas que nossa realidade piorou em relação ao que estava antes.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Será?




"It's not right, but it's okay
I'm gonna make it anyway..."

Fechei os olhos, senti a música e cantei a plenos pulmões. Pela primeira vez em algumas semanas, eu deixava tudo extravasar. Naquela festa, no primeiro lugar em que fomos juntos depois que nos conhecemos, eu olhava tudo como se eu não estivesse ali, analisando e pensando: "qual seria o comentário se ele estivesse aqui?".

E eu ri sozinho. Porque sabia exatamente qual seria o comentário e o desconforto e o incômodo. E ri me lembrando que foi na saída daquela festa que tivemos o primeiro desentendimento, a primeira briga e a minha primeira promessa de que "não, não mesmo, nunca mais". Tolinho eu. Tolinhos nós. 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Ensaio Sobre a Cegueira





Semana passada fomos surpreendidos por (mais) um vídeo bizarro da titular do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Aves, que virou (mais) uma grande chacota entre outras dezenas. No vídeo, cantarolando em tom debochado o tema principal de Elsa, do longa de animação Frozen, a ministra sustenta uma afirmação que a personagem da Disney vive sozinha por ser lésbica.

- Sabe por que ela termina sozinha no castelo de areia... de gelo? Porque ela é lésbica. Nada é por um acaso. Acredite. Gente, eles estão armado (sic), articulado (sic). O cão é muito bem articulado, e nós estamos alienados. Aí agora a princesa do Frozen vai voltar para acordar a Bela Adormecida com um beijo gay. – declarou, para em seguida concluir sua fala com a absurda suposição de que o filme traria impactos negativos na formação das crianças.

- Isso aqui é muito grave, sabe por que, gente? Eu fui menina e sonhei em ser princesa. Eu sonhei com meu príncipe encantado. A gente está abrindo uma brecha na cabecinha da menina de três anos para sonhar com princesa. Isso aqui é indução. - finalizou.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O Choro é Livre




Você já sentiu suas lágrimas presas na garganta? Não é bem na garganta. É como se as lágrimas estivessem prestes a cair, os olhos começando a arder e a garganta começando a fechar... Mas você trava tudo e não deixa isso acontecer. 

Relatar o choro é tão pior quanto chorar de fato. É racionalizar algo que nosso corpo faz e nossa alma se livra. Bonita essa reflexão. Acho que terei orgulho dela no futuro. Mas o caso é que estou com um choro preso. Meio entalado e meio saindo aos poucos... Não sei bem explicar como isso acontece, mas é como se a qualquer momento fosse abrir a torneira e seria nada mais que água salgada por todos os lados e um rosto inchado. 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Diego Hypolito Quer Falar Uma Coisa




Fomos surpreendidos na última semana com uma carta aberta de Diego Hypolito sobre sua sexualidade. Para muitos, poderia não ser surpresa o fato de Diego ser gay. Mas não deixa de ser surpreendente o seu comunicado a todos, como forma de se libertar de algo que o estigmatizava e o perseguia desde que ele se tornou famoso. Afinal, muita gente já imagina que ser ginasta "é coisa de viado" - ainda mais Diego, que sempre teve trejeitos que poderiam ser considerados mais afeminados, algo que acaba sendo marginalizado até mesmo no meio LGBT.

Logo após o texto de Diego circular e tomar a imprensa e a internet, começou uma série de piadas nas redes sociais a respeito de sua saída do armário. Muita gente ironizando, dizendo que não era segredo para ninguém, que ele não conseguia esconder nada sendo do jeito que era... E esses comentários vindos, principalmente, de LGBTs. Ok, ele pode parecer gay desde sempre aos olhos da sociedade em que vivemos (moldada nos parâmetros do machão inveterado), ainda mais entre outros gays, que têm maior facilidade de identificar semelhantes. Mas, sem dúvida, é nosso dever respeitar o processo de aceitação de cada um com a sua sexualidade. A verdade bate à porta de cada um no momento certo.