sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Bacurau: Se For, Vá em Paz




Se você ainda não teve a oportunidade de assistir Bacurau nos cinemas, mas ainda pretende, sugiro que pare imediatamente de ler o texto da coluna de hoje. É sério. Se ainda não viu, aproveito para insistir que pare o que esteja fazendo e efetivamente vá. E não leia este texto até se levantar da poltrona do cinema. Digo isso porque é muito importante que você seja impactado sem saber absolutamente nada sobre o filme. Esse é o grande barato da película.

Então vamos lá... Ultima chance que estou dando, hein... 

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Years and Years: O Retrato do Nosso Presente




"Tudo ia bem até uns anos atrás, antes de 2008. Lembram? Achávamos política um assunto chato. Bons tempos! E agora, me preocupo com tudo. Nem é o governo, são os bancos. Eles me apavoram. E não só eles. As empresas, as marcas, as corporações que nos tratam como algoritmo enquanto envenenam o ar, a temperatura, a chuva. E agora temos os Estados Unidos. Nunca achei que fosse ter medo deles, mas temos fake news, fatos falsos, nem sei mais o que é verdade. Em que tipo de mundo vivemos? Se está tão ruim agora, como vai ser pra você daqui a 30 anos? Dez anos? Cinco anos? Como vai ser?"
Esse é um dos mais potentes momentos iniciais de Years and Years, série obrigatória para todos que acreditam que estamos à beira de uma grande distopia. Afinal, você já parou para pensar que o atual momento que estamos vivendo é digno de uma boa trama de ficção cientifica, não é mesmo? Em alguns níveis, é possível dizer que é tudo muito Black Mirror e com umas boas doses de um grande dramalhão nonsense sem fim.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Em Família




Neste fim de semana (em mais um, na verdade), estive envolto em alguns programinhas familiares que me trouxeram a reflexão de hoje. E percebi o quanto eu e pessoas próximas a mim somos, de fato – em parte ou no todo – espelho de nossa família. Afinal, é no ambiente familiar que conhecemos nossos primeiros valores e recebemos as primeiras regras sociais. Aprendemos a perceber o mundo, damos início à nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização. Por isso, é tão comum que nos comportemos como quem nos criou, como nossos pais, tios ou avós, trazendo traços da personalidade e atitudes muito semelhantes deles.

Certas situações podem causar grandes frustrações em uma vida. Muitos definem a família como sendo a base de tudo, uma expressão bastante utilizada para caracterizar o laço familiar que vai além do sangue, sendo também emocional e espiritual. Confesso que eu mesmo me utilizo muito desta expressão nas minhas legendas e hastags. Mas esta base pode se desintegrar, desgastando e se tornando prejudicial, dependendo do ambiente e do momento que você vive. Ou da concepção vazia que você dá a ela. Então, é preciso preservá-la sempre.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Invejosos Invejarão





Pimenteiras em vasos pela casa. Folha de arruda atrás da orelha. Banho de sal grosso. Além disso, aquele case de sucesso particular? Não compartilhado e guardado à sete chaves  dos olhos de terceiros.

Sério! Pra se proteger de inveja e olho gordo, para muita gente vale de tudo. Até apelar para as simpatias ou o que mais o valha. É o seu caso?

Particularmente, nunca acreditei muito nesses paranauês de energias negativas, que inveja pudesse trazer mal e afins. Mas, a gente está sempre em processo de aprendizado e, muito sinceramente, estou revendo meus conceitos sobre o assunto.  Afinal, é sempre bom lembrar do ditado espanhol: "No creo en brujas, pero que las hay, las hay!"

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O Beijo Foi Só a Ponta do Iceberg





É claro que toda aquela polêmica de enviar agentes da Secretaria de Ordem Pública no intuito de causar burburinho e apreender uma HQ de super-heróis escrita há 10 anos, sendo vendida como saldão na Bienal do Livro, foi uma atitude visando a eleição de 2020. Foi um movimento arquitetado para reforçar o discurso conservador que elegeu um presidente da República e governadores de vários Estados. Os conservadores estavam eufóricos com a repercussão, pois quanto mais se discutia o assunto nas redes e na mídia em geral, mais se solidificava a prestação de contas para quem o escolheu.

Pela primeira vez, tive que concordar com Felipe Neto. Por mais que pareça um discurso politizado – e afinal, qual o problema de ser politizado? – a perplexidade era tamanha que eu só podia assinar embaixo. Em tempos em que dizem que a Terra é plana, com trocentas mil teorias que podem comprovar isso e que Lennon e McCartney nunca compuseram uma canção dos Beatles, mas sim o filósofo-sociólogo Theodor Adorno (aquele mesmo da Escola de Frankfurt), a gente tem é que rezar todo dia para não acordar amando a obra de Romero Britto – que junto com Ratinho (!) foram escolhidos para serem os novos embaixadores do turismo brasileiro. Zuêra never ends? Fakenews? Não... O pior é que é verdade. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Colocando a Casa em Ordem ou Quase Isso




Esse final de semana mudei os móveis de lugar mais uma vez. Ando com uma necessidade louca de mudar um pouco a ordem das coisas, assim como a de me organizar. Algumas pessoas dizem que a bagunça do nosso quarto representa uma desordem interna que a gente carrega. Pode até ser verdade. Para ser bem honesto, não lembro da última vez em que tudo esteve no seu lugar certinho...

Estou naquela fase da vida em que nada sei sobre o futuro, mas tenho total certeza de todos os erros do passado. Sei cada decisão furada que me levou por tortuosos caminhos que, por sua vez, me trouxeram até aqui neste momento. Assumo que algumas vezes eu tenho o secreto desejo de poder voltar no tempo, mudar decisões e ideias que parecem ser a prova de erros, mas são o completo desastre. Mas quem não desejaria isso, não é mesmo? Voltar no tempo e fazer escolhas certas em momentos decisivos. Existe uma teoria que em cada momento de decisão a gente abre uma linha de tempo com uma escolha diferente. Ou seja, pode existir uma linha de tempo em que sou professor de história e outra que me mudei pra São Paulo lá em 2010. De qualquer maneira, queria saber qual foi o resultado de cada uma dessas decisões. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O Beijo da Discórdia




Eu juro que tento, vez ou outra, não falar de política aqui. Esse tema já me causou muitas tretas. Mas a tríade governamental a que estou submetido enquanto cidadão (leia-se poder municipal, estadual e federal), além de me causar um nojo constante, me fere de forma reiterada.

Uma cena inédita na história da Bienal do Livro do Rio de Janeiro surpreendeu editores e provocou uma reação em massa contra a tentativa de mais um episódio de censura no Brasil: um grupo de fiscais da Secretaria Municipal de Ordem Pública percorreu, no início da tarde de sexta-feira (06/09), os estandes do evento para recolher livros com temas ligados à homossexualidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Todo Mundo é Feliz no Instagram





A praia movimentada. As rodinhas de amigos. Um brinde sorridente. Nos stories, um flagra do momento para a eternidade de 24h. E, claro, as curtidas: a validação da felicidade alheia medida através de likes aleatórios ou comentários também felizes. 

Pena que a vida real não seja a retratada no Instragram. 

E, antes de mais nada, esse não é um ataque à rede social de registro de fotos, não mesmo. Cada um é dono do seu perfil e o utiliza da maneira que melhor o desejar. Mas, a partir de algumas observações muito particulares, tenho me perguntado: por que essa necessidade absurda que temos de provar pra todo mundo uma felicidade que, muitas vezes, é mais fake que a inteligência de um eleitor do Bolsonaro?

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O Lázaro Que Existe Em Todos Nós





Como um fã que se preze, não poderia deixar passar em brancas nuvens o espetáculo Lazarus, escrito por David Bowie e pelo dramaturgo irlandês Enda Walsh, em cartaz no recém-inaugurado Teatro Unimed, em São Paulo. Lazarus foi o último trabalho realizado em vida pelo astro inglês, que morreu aos 69 anos, em 2016. Neste mesmo ano, muito abalado pela perda – que, pra mim, é irreparável - lancei meu primeiro livro, inspirado no encontro inusitado que tive com ele, no aeroporto do Rio de Janeiro, em 1997. 

Chegando em Sampa, de mala, cuia e ansiedade em poder assistir algo que eu sequer imaginava que poderia ter uma versão tupiniquim, meu coração acelerou como há 22 anos atrás, quando ele se dirigiu a mim, tirando seus óculos escuros, revelando seus singulares olhos e me entregando sua bituca de cigarro. Antes mesmo do espetáculo começar, o som ambiente do teatro tocava A perfect day, de Lou Reed, seguida pela caótica White Light, White Heat, do Velvet Underground e meu coração acelerou ainda mais... Vem coisa boa por aí, pensei alto, com meus botões. E, assim foi...

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Ruínas




Retornavam à velha casa de praia após cinco anos. Restavam apenas escombros. A areia havia invadido tudo; sinais de que o mar avançara sobre as paredes e levado boa parte da estrutura eram evidentes. Sobravam apenas alguns pilares, restolhos de paredes e o telhado, capenga, no estilo cabana, que o vento incessante parecia poder levar a qualquer momento.

Ele se aproximou da estrutura, retirou os óculos escuros e falou, um bocado abismado:

- Uau. Bem que o Bil avisou, mas não tinha ideia de que estava assim.

Parecia totalmente deslocado do ambiente. Tinha uma roupa social, sapatos e um blazer que o vento também parecia querer carregar.

Ela estava mais condizente, num vestido floral predominantemente na cor coral. Os cabelos esvoaçantes tapavam-lhe a cara por vez ou outra. Parecia mais emotiva em ver a cena.

- Nossa, que dó. – foi o máximo que conseguiu dizer.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Na Paulicéia Desvairada Lá Vou Eu...





...Na Paulicéia desvairada, lá vou eu
Fazer poemas e cantar minha emoção...

Esse era um dos versos da canção, que alçou a escola de samba Estácio de Sá ao campeonato do carnaval carioca em 1992. E era ele que povoava meu pensamento, de forma incessante, ao abrir os meus olhos em mais uma aurora do último fim de semana em São Paulo. Era sábado de manhã e, mais uma vez, estava ali chegando na minha segunda casa. Naquela cidade que, por muitos anos, alimentei a famosa rixa entre cariocas e paulistas, trazendo para o coração a ojeriza pelo povo do estado vizinho. 

Mas a maturidade veio e, com ela, um olhar diferente para uma das cidades – senão a mais – cultas do nosso país. E nestes paralelos loucos que faço na minha cabeça para construir meus textos, juntei samba, literatura e devaneio (ou desvario, para ser mais fiel às minhas inspirações). Mas o que essa salada insana de informações tem a ver com o meu texto de hoje?

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Pop Séries: In Treatment





Com uma quarta temporada recém lançada, dessa vez no GloboPlay, a série Sessão de Terapia foi originalmente ao ar no GNT, que exibiu os três primeiros anos da história. O que muita gente pode não saber, é que a série é uma versão de uma aclamada série americana (que por sua vez também é uma versão). Ou seja, é aquela máxima: nada se cria, tudo se recicla.

E se você pudesse acompanhar uma sessão de terapia de um completo estranho? Mais do que isso, como é a vida de um terapeuta? O que existe por trás daquele profissional tão centrado e que ajuda as pessoas e se auto-conhecerem? É disso que trata In Treatment (Em Tratamento, no Brasil).

Elogiadíssima pela crítica, a série acompanhava a vida do doutor Paul Weston (Gabriel Byrne) e suas sessões semanais com alguns pacientes. O diferencial de In Treatment é que enquanto as demais séries americanas possuem episódios semanais, aqui podíamos acompanhar cinco episódios por semana, um por dia, com 25 minutos cada, de segunda a sexta-feira. Baseada numa série israelense chamada Be´tipull, In Treatment só teve roteiros originais em seu terceiro ano, quando o material base chegou ao final.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Escarra Nessa Boca Que Te Beija!





Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua quimera
Somente a Ingratidão – esta pantera
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga
Escarra nessa boca que te beija!
(Versos Íntimos)

Sintetizado em decassílabos e rimas regulares ao estilo francês, este soneto foi escrito em 1901 pelo poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914), quando o mundo vivia um período turbulento. O pessimismo extremo era refletido nas artes e, em especial na literatura, com o início do movimento romântico do mal-do-século capitaneado pelo inglês Lord Byron, com as lamúrias, tédio, infelicidade, desgosto e melancolia presente nas obras.

No Brasil, o movimento teve outro contexto, com contornos trágicos, quando os artistas encontravam na depressão profunda e na morte as soluções para seus problemas existenciais. Os artistas da época se enxergavam como desajustados, devido ao constante conflito social que enfrentavam. O isolamento os faziam cair no sofrimento, inclusive resultando em males físicos, como a tuberculose, que acabou levando os dois maiores ícones do movimento no Brasil: Casimiro de Abreu, aos 21 anos, e Álvares de Azevedo, aos 20. Mas, no caso de Augusto dos Anjos – que também morreu jovem (aos 30 anos), de pneumonia – sua obra já antevia o que viria ser o grande mal-do-século 21: a hipocrisia e a intolerância. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Quando Eu Conheci Renato Russo





Dia desses eu estava sem sono e como não tinha nada para fazer, entrei no Twitter. E, por obra do acaso, me deparei com um vídeo que me surpreendeu bastante. Renato Russo cantando com Adriana Calcanhoto. Não só isso. Os dois estavam cantando Esquadros, uma das músicas mais memoráveis da cantora. Fui pego de surpresa por muitos motivos. O primeiro deles é o fato de não ter ideia da existência desse dueto. Em segundo lugar, pensava que Renato já havia falecido na época que essa musica tinha sido lançada, e ainda bem que não. 

Lógico que o sono, que era inexistente, acabou diminuindo mais ainda depois desse momento, então fiz o que qualquer pessoa normal faria: abri o YouTube. E lá descobri que os dois não só cantaram uma musica da Adriana, mas eles fizeram um dueto mega especial cantando Rita Lee. Sim, eles imortalizaram Agora Só Falta Você e eu fiquei embasbacado com essa inesperada junção musical.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O Constrangimento Nosso de Cada Dia




Dia desses, passei por uma situação bem corriqueira, daquelas pautadas pela lógica heterossexual do mundo, que me fez refletir. Estávamos eu e Victor, meu companheiro, numa padaria. Ele foi comprar água e a atendente falou de uma promoção de mate e bebidas alcoólicas no dia. E sugeriu: 

- Leva pra casa pra tomar mais tarde, leva pra esposa, pra namorada... 

Ele riu, pensou e respondeu: 

- O namorado, no caso, é ele. – e apontou pra mim. 

Ela ficou ligeiramente desconcertada, mas brincou com a situação. E saímos na sequência. 

Fomos conversando sobre o ocorrido. Quantas vezes não passamos por situações exatamente como essas? E em quantas delas não nos calamos?

terça-feira, 27 de agosto de 2019

A Nova Maria de Fátima do "Pedaço"





Quem me conhece, sabe o quanto sou noveleiro. Sou daqueles que vê os capítulos das telenovelas da tarde no Canal Viva e, à noite, sou capaz de assistir novamente, inclusive repetindo algumas falas, tamanha minha paixão por esse tipo de programa. Mas o que me inspira hoje não é meu vício pelas novelas, mas falar de um dos conflitos do atual folhetim das 21h, A Dona do Pedaço

Com alguns erros de continuidade, equívocos na construção das personagens (quem não lembra do tom exagerado da Juliana Paes no início da novela?) e também situações óbvias que, em tese, não prenderiam o espectador, a novela, a meu ver, é doce como sua abertura. A receita de bolo de Walcyr Carrasco, literalmente falando, reúne os principais motes de uma boa novela tradicional: uma protagonista lutadora e, às vezes, até ingênua; vilões que a todo custo querem se dar bem – preferencialmente prejudicando a personagem principal;  e núcleos paralelos que ajudam na narrativa da história. Repetitivo? Sim, muito! Mas entreter o público com uma fórmula já batida é mérito para poucos. E, não há como negar que, comprovadamente, A Dona do Pedaço vem cumprindo seu papel, principalmente depois de ter herdado o horário desacreditado pelo fiasco de O Sétimo Guardião.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Divã: Apaixonada Pelo Primo do Marido e Sem Saber o Que Fazer







Todo mundo pronto pra nossa seção de coach afetivo-sexual do dia? Estou adorando as dúvidas que estão chegando, gente, é realmente muito legal ler as coisas que vocês me escrevem - e algumas vezes assustador!

Assim, sem mais delongas, vamos à nossa coluna Divã de hoje. Que, oh, tá que tá! Com vocês, minha amiga Amor Impossível e sua dúvida existencial. Com meus pitacos a seguir, é claro!

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

E-não-te-esqueças-de-mim





Tenho um carinho muito grande por esta pequena crônica, publicada originalmente no meu primeiro livro, Troco a bituca por duas jujubas, em 2016. Por mais que possa parecer um cenário onírico ou surreal, tudo o que aconteceu foi real. 

Ontem à noite, peguei sem querer o livro na estante e abri exatamente na página onde está registrado. Senti uma ânsia, uma espécie de aperto e pela manhã recebi uma mensagem que me deixou desnorteado, triste. Não sei se foi premonitório, mas senti a necessidade de colocar ele aqui no Barba Feita, pois muitos dos leitores ainda não o conhecem. 

E, antes de lê-lo, gostariam que compreendessem que ele é um pequeno exemplo para minha compreensão de EMPATIA, que requer observação e a exclusão do egocentrismo para dar espaço ao altruísmo e a nossa capacidade de se colocar no lugar do outro. Boa leitura.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Mindhunter - 2ª Temporada: Impecável




Dois anos atrás, Mindhunter entrou no catálogo da Netflix e me deixou completamente viciado. Devorei cada um dos dez episódios e torci para a série conseguir uma renovação e voltar com mais capítulos brilhantes. A boa notícia é que isso acabou acontecendo, mas a má foi o enorme intervalo que existiu entre uma temporada e outra.

Intervalo esse que valeu totalmente a pena. A segunda temporada da série conseguiu elevar o grau de perfeição da trama e me manter grudado no sofá por horas seguidas. A curiosidade de acompanhar os passos de um assassino misterioso - ainda longe do radar dos analistas de comportamento do FBI - e ver toda evolução profissional e também na vida pessoal de Holden Ford (Jonathan Groff), Bill Tech (Holt McCallany) e da Dra. Wendy Carr (Anna Torv) era enorme. Grandes expectativas foram criadas, restava saber se seriam atendidas na mesma medida. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A Morte Comemorada





Uma morte comemorada por um governador de Estado aos olhos de sua população. Assim foi o desfecho de um sequestro dramático de um ônibus com 37 passageiros no meio da Ponte Rio-Niterói na manhã de ontem. O Governador em questão é Wilson Witzel, o azarão que ganhou a disputa fluminense na última eleição, justamente com o discurso de tolerância zero contra a criminalidade. Ok, mas a que preço?

A ação da Polícia pode ter sido a única naquele momento para solucionar, de acordo como as coisas se desenrolavam. Havia dezenas de pessoas em perigo. A Polícia Militar teve que aprender muito com a ação fracassada do ônibus 174. Mas, pelo visto, aprendemos pouco com o que levou o sequestro do 174 ocorrer. Ainda nos atemos às consequências e, não, às causas.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ter Razão Nem Sempre é Ter a Palavra Final




Antes de desenvolver o texto de hoje, gostaria de trazer uma reflexão ao falar deste assunto: devemos nos incluir numa espécie de equação, ou seja, pensar que nós também gostamos de ter razão, que nós também gostamos de não sermos contrariados, criticados, corrigidos e isso se deve a um princípio muito simples; confundimos o que pensamos e o que dizemos com quem somos. Esse parágrafo, inclusive, é uma autorreflexão minha. Do meu comportamento.

Apesar do motivo de querermos ter a razão, estar certos no que pensamos, ser a relação entre pensamento e ser, ainda assim existe uma diferença entre as pessoas que são relativamente tranquilas na defesa de seus pontos de vista e outras que precisam ter o tempo todo a palavra final.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Brinquedo Assassino: Nonsense e Muito Divertido




Lançado em 1988, o Brinquedo Assassino original tinha os dois pés no sobrenatural. Tanto que o pontapé inicial da história acontecia quando um serial killer, fugindo da polícia, faz um ritual vodu para transferir a sua alma para o corpo de um boneco que, como se sabe, acaba virando o Chucky. E, em suas seis sequências, o plot foi mantido e, apesar do tom humorístico que a série ganhou, o terror sobrenatural sempre foi a sua raiz. 

Assim, quando um reboot da história foi anunciado, muito se especulou como a trama seria atualizada para os dias atuais. E, ao abandonar totalmente o sobrenatural, o novo Brinquedo Assassino (Child's Play, no original), que chega aos cinemas nacionais na próxima quinta, 22/08/2019, ganha uma certa "coerência", ao se aproximar um pouco mais da realidade, apesar do absurdo de sua história. Agora, Chuck é um boneco quase robô que, como uma Siri avançada, pode controlar todos os devices criados pela Kaplan, uma grande corporação de tecnologia e que também é a "dona" dos bonecos Buddi. A boa sacada do novo roteiro é fazer do boneco um assassino serial baseado no conceito de que uma inteligência artificial foge dos controles e não está disposta a ver o seu melhor amigo sendo afastado dele, disposto a tudo para manter o jovem ao seu lado. Vivemos uma era pós-Black Mirror, não é mesmo? Nada mais natural do que invocar uma das séries de ficção científica mais aclamadas da atualidade.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O Peso





Nós, seres humanos, somos construídos a partir de significados que vão sendo apropriados durante a vida. Somente através das interações é que construímos o conhecimento e nos integramos ao meio em que vivemos. Ou seja, somos constituídos do meio cultural em que nascemos. Conflitos, traumas e inquietações fazem parte de nossa natureza, mas tenho observado, cada vez com mais frequência, que indivíduos estão mais ansiosos, depressivos e estressados. E isso tem ligação direta com o meio social. Sim, estamos rodeados de pessoas com distúrbios neuróticos. E de vez em sempre eu volto com esse assunto às minhas sessões de análise: o mundo anda psicotizado demais e não estamos nos dando conta de que precisamos, cada vez mais, de auxílio terapêutico.

Quando era mais jovem, acreditava que quem fazia análise era um fraco. E que eu poderia resolver meus conflitos internos na solidão do meu quarto, com uma boa noite de sono. Quando se falava em psiquiatria então, vinculava àqueles cenários de hospícios, choques elétricos e pessoas babando na gravata. Até que um dia tive síndrome do pânico. Já estava apresentando alguns pequenos sintomas, medos que considerava bobos, cansaço mental e em uma noite, repentinamente, achei que estava tendo um ataque cardíaco e simplesmente travei. Lembrar disso, mesmo depois de tanto tempo, ainda me assusta, mas foi assim... praticamente do nada, me vi em um abismo. Ainda tive uma certa resistência para buscar auxílio, mas quando vi que estava entrando em um labirinto escuro, gritei.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A Cultura Brasileira Agoniza





A frase dita por Wagner Moura resume tudo: 
"A arte é sempre um ambiente que te faz pensar. E é por isso que agora, no Brasil, há uma grande campanha contra a arte e a cultura. Contra o pensamento crítico, contra os livros. E se você estudar a história dos governos fascistas pelo mundo, verá que esses são os primeiros sinais, que isso é o vento que antecede a tempestade." 
Só com esse parágrafo já bastaria a leitura reflexiva da coluna de hoje. 

No último fim de semana, assisti a dois espetáculos que me fizeram sair dos teatros com a sensação de um seco soco no estômago, daqueles que te deixam com uma dor na alma. Estrelado por Camila Pitanga e a Companhia Brasileira de Teatro, a peça Porque Não Vivemos, dirigida por Márcio Abreu e inspirada na obra de Tchecov, o clássico ganha ares contemporâneos com cenas que muito nos lembram a nossa realidade. O segundo, um monólogo conduzido por Gregório Duvivier, Sísifo, escrito por ele e Vinícius Calderoni, que também dirige o espetáculo, fala sobre temas atuais com boa dose de humor, porém doses bem maiores de reflexão.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Years And Years: O Futuro Já Começou e Não é Nada Animador





Parece que a HBO não veio para brincadeira com as suas produções nesse ano de 2019. E se a temporada final de Game of Thrones não agradou a todos, a emissora está colhendo elogios diversos de público e crítica graças às tramas de Chernobyl, Euphoria e, agora, Years and Years que, ouso afirmar, é simplesmente a melhor produção para a televisão desse ano.

Criada por Russell T. Davies (que também criou a Queer as Folk original britânica e comandou a volta de Doctor Who em 2005), Years and Years é focada na família Lyons que, apesar de suas divergências, formam aquela família padrão e bonitinha, em que todo mundo se mete na vida de todo mundo e onde o amor prevalece. O que é interessante, porém, é a forma como a história é narrada, já que ela é uma espécie de distopia, mas plenamente plausível, se iniciando em 2019 e seguindo por 15 anos no futuro, com desdobramentos possíveis, principalmente ao analisarmos a atual situação política mundial.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A Rua Abbey






Ontem, 8 de agosto, a icônica foto dos Beatles atravessando a faixa de pedestres em Abbey Road fez 50 anos.  O fotógrafo responsável, o escocês Iain MacMillan, jamais poderia imaginar que aquele clique poderia se perpetuar no mundo inteiro: até hoje, milhares de turistas visitam o local, que fica em St. John's Wood (uma parte rica e residencial de Londres) e tentam reproduzir a mesma cena.  Estive lá em março do ano passado e é claro que fiz a mesma coisa, sob um frio de rachar.

Naquela manhã de 1969, fazia muito calor.  Em um período turbulento, os Beatles, que quase já não se falavam direito, estavam finalizando as gravações de um novo álbum ainda sem título e tinham um futuro que já caminhava para a dissolução.  Antes das 11:30, interromperam as gravações e posaram para as lentes de Iain.  Com a ajuda de um policial, que segurou o trânsito, o fotógrafo fez somente seis cliques em frente ao Abbey Road Studios: três indo e três voltando.  John Lennon, irritado, ainda achou que tudo estava demorando demais e antecipou o fim da sessão de fotos alegando que todos precisavam retornar ao estúdio e continuar as gravações.  Tudo não durou nem dez minutos.  E o quinto clique foi o escolhido, pois mostrava todos os quatro sincronizados.  Veja aqui neste link algumas fotos realizadas do backstage naquele dia.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Sandy & Junior (E o Relato de Quem Amou a Turnê) Nossa História





Sexta-feira, 02/08, às 19h30, eu estava indo rumo ao show de Sandy & Junior. Eu e metade do Rio de Janeiro também, diga-se de passagem. Consegui o meu ingresso na base da boa e velha insistência. Só quem ficou horas na fila virtual e viu que as entradas estavam se esgotando em pouquíssimo tempo é que sabe o quanto foi desafiador finalizar uma compra e ela não dar como cancelada ao chegar no e-mail de destino. Mas deixando essa lembrança de lado, fui ao show. E QUE SHOW!

Só agora, muitos anos depois que sai da adolescência, é que a ficha acaba caindo do quanto a nossa vida está entrelaçada com Sandy e Junior. Já fui a shows de Lulu Santos, Nando Reis e inúmeros cantores, grupos e bandas em que sabia todas as músicas. E isso acabou, obviamente, se repetindo na semana passada, só que foi totalmente diferente das outras apresentações que testemunhei. Cada música dos irmãos cabe em um determinado momento da minha vida. E só estando ali, compartilhando aquele momento com um estádio lotado, é que percebi que o título do show possui uma carga poética única. A história que é cantada ali não é só dos mais de 30 anos de carreia dos dois, mas dos 30 anos deles comigo, com você, com a gente... 

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A Volta de La Casa de Papel: Precisava?





Eu já falei aqui antes o quanto gostei das primeiras duas temporadas (na verdade era uma só, que foi dividida pela Netflix) de La Casa de Papel. A série espanhola se tornou queridinha ao redor do mundo, inclusive (e talvez principalmente) no Brasil e é até hoje a produção de língua não-inglesa mais assistida e bem-sucedida da plataforma. O encerramento da segunda temporada foi bem amarrado, equilibrado entre as dores das perdas e o happy ending que uma trama como tal pedia. 

Por isso, vinha logo a pergunta: havia a necessidade de dar continuidade à história? Definitivamente, não. A Dona Netflix resolveu surfar no sucesso e no apelo que a série ainda preservava mundo afora e resolveu bancar uma nova temporada. Aliás, ao menos duas novas temporadas (já que ao fim da terceira vemos que tudo fica em aberto). Mas já que a história tá lá disponível, o que a gente fez? Foi lá ver. E curtimos? Sim!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Uma “Máquina Mistério” Chamada Brasil




Formando um grupo de quatro pessoas metidas a detetives, Fred, Velma, Daphne e Salsicha, com um dogue alemão falante chamado Scooby-Doo, viajam numa van chamada Máquina Mistério e ajudam a investigar casos misteriosos. Visitam lugares inóspitos, casas mal-assombradas, parques abandonados, pântanos e ilhas, a maioria das vezes ameaçados por monstros, zumbis, vilões, que são chamados muitas das vezes de fantasmas, mesmo não sendo.

A fórmula dos episódios dos desenhos do famoso cão atrapalhado é sempre a mesma: os vilões estão sempre disfarçados e as verdadeiras identidades são reveladas ao tirarem suas máscaras. Por trás delas há sempre o rosto de algum personagem já conhecido na história, um humano. Cada vez que são desmascarados, os vilões sempre dizem: "Eu teria conseguido se não fossem por aqueles garotos enxeridos e esse cachorro idiota."

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Divã: Será Que Sou Bissexual?





E tem gente que diz que meu jeitinho fofo não é lá muito eficiente na hora de aconselhar pessoas. Viram só, amiguinhos? Chupem essa! Meu direct do Instagram bombou de dúvidas depois da primeira coluna Divã aqui no Barba Feita e é fato: a coluna veio para ficar. Então, não se apressem ou se estressem, uma hora eu respondo por aqui a sua dúvida amorosa-sexual-existencial. Porque agora eu sou coach e coach é assim. Minha formação de coach: a vida (alheia). Rá!

Mas, sem mais delongas, vamos a coluna do dia. Com vocês, nosso amigo Hétero Flexível e sua dúvida de hoje!

Olá,

Tenho 27 anos e namoro uma menina de 24. Gosto muito da minha namorada, mas já fiquei com outras duas meninas depois que começamos a namorar, inclusive uma casada. No meu entender não mudou em nada o meu sentimento (que é verdadeiro). Mas esse não é meu maior problema…

O meu maior problema é que, às vezes, sinto atração física por outros rapazes. Essa atração é simplesmente física, não sentimental; às vezes, tenho vontade de experimentar sexo com eles, mas não tenho vontade de trocar carinhos e beijos como tenho com mulheres.

Posso me considerar um bissexual?
Hétero Flexível

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Eles Querem Que os Pobres se Explodam!





Tem muita gente que acredita que os programas humorísticos atuais pegam pesado com os políticos e algumas instituições. Eu até concordo que um jovem diga isso, pois não possui parâmetros para fazer esse julgamento. Aos demais, credito a falta de memória, pois as críticas sociais sempre estiveram presentes e praticamente todos os ex-presidentes da República já foram criticados, imitados e achincalhados em programas como o Casseta & Planeta ou através de humoristas como Gustavo Mendes, que explodiu com a sua versão desbocada de Dilma Rousseff.

Mas como estava dizendo, isso não é de hoje. Chico Anysio sempre foi o mestre da zoação e eu adorava as centenas de seus tipos caricatos. Em meados dos anos 1980, um deles causou muitas reações no meio evangélico: Tim Tones, o pastor racista que comandava um programa de tevê e enriqueceu a família graças às contribuições dos fiéis, era um dos meus favoritos. Inspirado no fanático religioso Jim Jones, que organizou um suicídio em massa na Guiana, o personagem satirizava a cegueira das pessoas influenciadas pelo charlatanismo de curas milagrosas que não se concretizavam e, ao final dos cultos, sempre repetia o bordão vamos passar a sacolinha!, ajudado pelos seus sete filhos, crianças com nomes americanizados.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Pais de Pets Também São Pais?!





Apesar de muita gente se sentir ofendida quando esse tipo de "comparação" é feita, eu acredito que, muitas vezes, alguns pets recebem mais atenção, carinho e amor do que muita criança que acaba de nascer. Falo isso sem desmerecer os animais ou entender que nem todo bebê nasce no melhor dos mundos. O meu texto nem é sobre isso, não quero seguir por esse rumo. O que pretendo, em todo caso, é refletir um pouco sobre esse questionamento bobo que surge por aqui e ali... Pais de pet podem ser considerados... Pais?

Se fizermos a equação simples de colocar o animal x humano, muitos dirão que não, pela simples biologia. Mas se olharmos atentamente, um recém nascido, seja pet ou humano, precisa das mesmas atenções. A bem da verdade, os primeiros meses são iguais. Comem, dormem, pedem comida, fazem necessidade na hora que bem desejam e no momento que bem entendem. Eles não possuem controle e nem filtro das atitudes que estão tomando. Alguns humanos serão assim pelo resto da vida, assim como alguns animais. Só que esse comportamento, aos poucos, vai amadurecendo e separando o individuo e o pet do que eles serão no futuro.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Reencontrando Almodóvar




Já tinha um tempinho que eu não me reencontrava com o cinema de Almodóvar. Ou melhor, com Almodóvar no cinema. Desde Abraços Partidos, dez anos atrás, eu não via um dos meus diretores favoritos na telona. Nem sem explicar bem por quê. Muito provavelmente porque não moro tão perto dos cinemas onde seus filmes costumam passar (o que não é muita desculpa, pois eu morava ainda mais longe no meu ápice de consumo de Almodóvar). A Pele que Habito e Os Amantes Passageiros eu assisti em casa, depois. E Julieta ainda não vi... 

Após algum tempinho em cartaz, temia que Dor e Glória saísse do circuito. Mas consegui ir no último fim de semana garantir esse reencontro. O palco foi o cinema que durante muito tempo era o meu templo dos filmes de arte, o antigo Espaço Unibanco de Cinema, agora Estação NET Rio, em Botafogo. Quantas e quantas vezes não montei meus roteiros com dois, às vezes três filmes num dia só, indo de um lado para o outro pelas ruas do bairro: Espaço Unibanco, Estação Botafogo, Cinemark, Unibanco Arteplex... Algumas vezes, um filme já estava prestes a começar quando o outro terminava e eu precisava, literalmente, correr. Bons e velhos tempos de uma época que parece, definitivamente, que não deve se repetir (saudades carteirinha de estudante e poucos compromissos na vida...).

terça-feira, 30 de julho de 2019

Eu Sou Leonino, Mores

Eu sou leonino, amores, desses que gosta de passar e deixar o rastro do perfume. Coração imenso, orgulho igual. Me viro pra ajudar quem eu amo, mas não esqueço quem me trata com ingratidão. Tenho por defeito chamar atenção. Defeito? Esse é meu jeito sem perceber. Falo alto, gargalho mais alto ainda, tenho sempre uma história pra contar e pouco conhecimento sobre limites. Quando vejo, já extrapolei de novo.

Eu sou leonino, queridos, desses que ama com intensidade e sente demais… Sinto tudo, sinto muito, sinto tanto que dói. Sinto daquele jeito que demora a passar. Mas quando passa? Ah, ai passou… Podem te contar da minha lista de ex namorados, podem te falar que tive até muitos, mas nenhum deles pode falar que não me atirei de cabeça em todas as vezes. Que não fui presente, coisa e tal. Eu sou feito de momentos. Mas não tente me prender em um momento ou em uma história. Já tentou colocar um leão na coleira? A gente fica onde quer e porque quer. 

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Pop Séries: Touched By An Angel





Cada ser humano tem sua própria quantidade de crenças particulares. Conceitos como Deus, Diabo e seres celestes e demoníacos, entretanto, povoam a cultura da humanidade desde tempos imemoriais. A necessidade de nos achegarmos a uma força superior, de acreditar em algo maior, é tamanha que seres espirituais são conhecidos por todos, acreditemos ou não em sua existência.

Entre os seres espirituais, os anjos ocupam um lugar especial no coração das pessoas. De acordo com crenças diversas, eles são os mensageiros de Deus, guias espirituais e criaturas criadas para ajudar a humanidade em sua existência. Era sobre o trabalho de um grupo de anjos junto a humanos que precisam de orientação que tratava a série americana Touched By An Angel.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Momentos Que se Perdem Como Lágrimas na Chuva





Lembro que detestei o filme Blade Runner quando o assisti pela primeira vez. Hoje compreendo que por ser ainda um adolescente à época em que foi lançado, em 1982, ainda não tinha a maturidade necessária para decifrá-lo. Anos depois voltei a assisti-lo e é impressionante como ele me tocou de tal forma que, até hoje, o filme dirigido por Ridley Scott ainda está na lista dos meus top 10. Apesar de não ter sido um sucesso de bilheteria, Blade Runner certamente mudou a história do gênero da ficção-científica.

O filme, baseado no livro de Philip K. Dick, se passa numa hostil, caótica, chuvosa e distópica Los Angeles no ano de 2019, entre telas de led gigantescas e prédios cinzentos, quando os robôs tornaram-se tão perfeitos que se assemelham aos humanos. Eles possuem sentimentos, vontade própria e se apaixonam. Lembro perfeitamente que, assim como o autor e o diretor imaginavam, eu também vislumbrava um ano de 2019 cheio de naves dando rasantes entre os prédios em um climão pós apocalipse. O ano em que vivemos atualmente era ainda muito longínquo para as nossas mentes.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

007: Mulher e Negra




Não sei se você sabe, mas o próximo filme da franquia 007 quase teve outro ator interpretando o tão lendário personagem: Bond. James Bond. Idris Elba era um forte candidato. Acho até que é o ator perfeito para o papel. Ele tem a virilidade que o personagem traz desde Sean Connery, o primeiro Bond. 

Assumo que eu sou da época que o Pierce Brosnan assumiu o papel, em 1995, apesar de só ter 10 anos de idade ali, mas já gostava da dinâmica de filmes de espião, apesar de Missão Impossível, de 1996, ser o meu filme favorito do gênero. Mas voltando para Bond, Pierce sempre teve um belo de um charme, tem até hoje. E isso passou para o seu agente secreto. Entendi que além de muito competente, 007 tinha que seduzir mortalmente. Em 2006, Daniel Craig assumiu o smoking e deu um ar ainda mais sedutor para o espião, caso isso ainda fosse possível.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Rei Leão: Vale o Novo Filme, 25 Anos Depois?




Quando se anunciou que O Rei Leão teria uma versão live action, os fãs da década de 1990 (entre eles, eu) ficaram em polvorosa. Já falei aqui o quanto Aladdin era meu favorito e o quanto amei a sua versão com atores reais. Mas existe um consenso que a história de Mufasa, Simba, Nala e Scar foi o ápice da reinvenção da Disney, iniciada com A Pequena Sereia (1991) e que passou o bastão para as animações em 3D com Toy Story (1995). Uma tragédia shakespeariana com traços de humor, aventura e muito musical (que, ironicamente, quando teve o seu original produzido, era considerado um “projeto inferior” – o principal foco do estúdio era em Pocahontas, que foi um fracasso).

O live action (que, de fato não é um live action, mas, sim, uma animação hiper-realista) estreou no último fim de semana e muitos críticos (principalmente os descaradamente fãs do original) foram cruéis. O foco foi principalmente na falta de emoção/antropomorfização dos animais e nas dublagens. Além disso, tinha um grande questionamento ainda no ar: havia a necessidade de fazer um novo filme de O Rei Leão sem acrescentar nada de novo ao conteúdo (o roteiro é praticamente o mesmo), apenas pela forma?

terça-feira, 23 de julho de 2019

Uma Versão Pós-Moderna (e Brasileira) da Câmara de Gás Nazista





A coluna de hoje é, talvez para mim, uma das mais dolorosas que escrevi, mas me motiva pela necessidade iminente de um grito de clamor. Esse texto, grande, poderia ser uma continuação, ou uma constatação de um outro que escrevi às vésperas das eleições de outubro de 2018 (Vivendo à Sombra de um Holocausto Tupiniquim, de 11/09/2018). E antes que eu escreva sobre o Brasil dos anos 2019, queria contar uma historinha real, aos que pouco procuram se informar...

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Mas por que tantos alemães instruídos votaram em um patético sem história política e que levou o país a ser lembrado como responsável por um dos maiores crimes contra a humanidade?

segunda-feira, 22 de julho de 2019

3.8





Nunca fui de me importar muito com essa coisa de aniversário. Na minha família, dia de aniversário sempre foi considerado um dia comum, já que por motivos religiosos a data não era comemorada. Apesar dos traumas infantis de depois dos nove anos nunca mais ter tido uma festa de aniversário e muito menos poder ter ido em uma, acabei me acostumando com o fato. Só fui voltar a frequentar aniversários e até mesmo a comemorar os meus quando atingi a minha independência financeira.

Por isso, apesar de gostar dos mimos que a data sempre oferece, eu nunca fico ansioso por ela, inclusive porque tenho lá as minhas crises com a idade. Pode parecer idiotice, mas crise a gente não explica, resolve na análise (que eu não faço). E depois que a gente cruza a casa dos 30, a parada fica ainda mais sinistra, porque como a Sandy bem cantou, a gente tá naquela fase estranha em que se é jovem pra ser velho e velho pra ser jovem.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O Anjo Pornográfico





Gostaria de ter conhecido pessoalmente Nelson Rodrigues, um dos meus autores nacionais prediletos. Descobri sua obra tardiamente, já na faculdade de Comunicação Social, por meio de um professor de Estética e Cultura de Massa que orientou a turma para que lesse a biografia que o Ruy Castro havia escrito. Depois que devorei O Anjo Pornográfico, fiquei fascinado e sorvi praticamente tudo que caía nas minhas mãos sobre o grande dramaturgo: as crônicas de futebol, os contos de A Vida Como Ela É e A Dama do Lotação, os romances ainda sob pseudônimos e os mais populares como O Casamento e Engraçadinha e as centenas de crônicas - A Cabra Vadia e O Remador de Ben-Hur foram por muito tempo, meus livros de cabeceira.

Quando li as peças teatrais, aí que pirei mesmo. E é surpreendente imaginar que as seis primeiras peças, com temas tão complexos e cheios de tabus (A Mulher Sem Pecado, Vestido de Noiva, Álbum de Família, Anjo Negro, Senhora dos Afogados e Doroteia) tenham sido escritas antes de 1950. Se incomodam até hoje, imagina naquela época.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O Fim dos Likes no Instagram





O Instagram decidiu colocar em prática o que muito se especulou nos últimos meses: o fim do número de likes nas fotos. Sim. Você pode curtir uma publicação, ver os seus amigos que curtiram, mas não pode mais ver o total de likes do post. Isso nas publicações de outras pessoas, nas suas fotos você ainda será capaz de saber quantos corações recebeu… Mas será que isso é o suficiente? Vale a reflexão. 

Acho que nunca fui muito descuidado com minhas curtidas. Todos os meus likes sempre foram baseados no gostar, me identificar ou até dizer um “passei por aqui”. É deixar registrado que a foto foi notada por mim e apreciada. Será que sem o “selo” numérico as pessoas vão se sentir menos obrigadas a registrar sua interação com as fotos de amigos, conhecidos, desconhecidos e famosos? Será que ao mudar uma de suas funções primárias o Instagram pode ter decretado o início do seu fim? Logo agora que ele era o acalento para as almas que fugiram do Facebook e não conseguem se integrar ao Twitter.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Minha Primeira Vez na Flip




Pela primeira vez na vida estive em uma FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Paraty (RJ) é uma das minhas cidadezinhas queridas - estive por lá algumas vezes desde 2007, geralmente em momentos importantes da minha vida. E sempre quis ir à feira, mesmo antes de ter meus livros publicados (só aquele ambiente de viver a literatura numa cidade histórica e linda já me magnetizava). E pra lá fui na última quinta-feira.

A estadia era curta (no sábado de manhã já tive que voltar). Por isso, foquei especificamente em poucos, mas valiosos eventos. Além de ter que dividir o tempo entre apresentar o centro histórico e o distrito praiano de Trindade para o marido que ainda não conhecia a cidade.

terça-feira, 16 de julho de 2019

"Inverno" Astral: O Período Problemático que Antecede as Nossas Primaveras




Todo mundo já ouviu falar em Inferno Astral e, inclusive, usa esse pobre coitado para justificar qualquer coisa de errado que aconteça na véspera de um novo ano pessoal. Mas, se fazer aniversário é algo a ser comemorado, qual seria o motivo de o mês anterior ser tão problemático, my God? Na verdade, esse é mais um dos termos que caíram no gosto popular e muita gente sofre por antecedência, e eu, neste caso, tenho vivido bem intensamente essa fase da minha vida em 2019 – que anozinho, diga se passagem!

Para os astrólogos, apesar de o período trazer situações difíceis, deve ser vivenciado como um momento fundamental para rever objetivos e fazer um balanço do ano que passou. Segundo eles, isso acontece porque nos 30 dias antes do aniversário, as pessoas vivem de forma mais intensa os aspectos ligados à casa 12 do mapa astral relacionada aos assuntos ocultos e ao inconsciente. Durante o inferno astral, o Sol atravessa essa tal casa 12, antecedendo o ingresso para a casa 1, que indica uma fase de renascimento. Assim, representa uma espécie de ajuste de contas com o que não pode continuar deficiente.