sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Bêbados Equilibristas





Iniciamos um novo ano. Trezentos e sessenta e cinco novos dias para estarmos abertos às oportunidades que surgirão. Entendo que o momento é de cautela, pois precisamos estar atentos como se estivéssemos em um grande campo minado. Somos como bêbados equilibristas com chapéu coco fazendo irreverências mil.

Já passamos por muito desgaste e precisamos sentir na pele. Mas cada vez mais tenho a certeza de que a população tem a memória curta, ou é masoquista. Mas não quero falar sobre isso. 

Queria somente lembrar que temos trezentos e sessenta e cinco dias para rever nossas atitudes. Para deixarmos de retroceder ao invés de avançar. Para deixarmos de acreditar que obrigatoriamente menina veste rosa e menino veste azul. Não é a cor de minha roupa ou a cor da minha pele que vai definir as minhas atitudes ou influenciar na minha personalidade. Não é só porque a “maioria” é judaica-cristã que precisamos esconder debaixo do tapete as demais religiões.

Que tenhamos trezentos e sessenta e cinco novos dias para compreender que diretrizes e políticas públicas de promoção aos direitos humanos não são uma forma de defesa para bandidos. Os direitos humanos são meus, seus e de todos. E que vão desde o atendimento digno a uma emergência em uma unidade de saúde quanto ao direito de ter um filho estudando em um colégio.

Temos mais trezentos e sessenta e cinco dias para se pôr no lugar do outro. De respeitar as diferenças e guardar os preconceitos dentro de uma caixa que fique bem escondida em um canto esquecido qualquer.

Que tenhamos a consciência de que nosso lugar é aqui. Que pessoas não precisem partir desta terra em um rabo-de-foguete deixando Marias e Clarices chorando sob a terra.

Que tenhamos mais trezentos e sessenta e cinco dias para nos equilibrarmos sob a corda bamba. Somos esses bêbados sim, com todo orgulho. Somos a esperança. E sabemos que o show tem que continuar.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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