terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Datas Comemorativas... Apenas Dias De Um Calendário Cíclico









"Data é o modo pelo qual se define um certo momento no tempo."

Essa definição, segundo a Wikipédia, é tão objetiva quanto o meu pensar. Hoje, primeiro dia do ano, a coluna de estreia de 2019 é minha! Vamos comemorar então esta data? 

Seria, de fato, um motivo comemorativo se eu fosse uma pessoa ligada a essas celebrações. Pode parecer estranho, mas eu não sei ao certo um dos dias mais importantes da minha vida: meu início de relacionamento com meu companheiro. Sei que é em abril, mas a data especifica não sei. 

Aniversário de nascimento, de casamento, dos filhos, dos pais. Dia dos Pais, das Mães, dos Avós, das Crianças e, agora, até dia do amigo (este último então, nunca sei ao certo, porque a cada ano se comemora numa data diferente ou não sei quantas vezes). Ainda temos Páscoa, Natal e Ano Novo, isso sem contar o Dia dos Namorados!...Haja calendário!

Antes que pensem que eu não curto datas comemorativas, quero deixar claro que eu até gosto delas. Quem não gosta de receber um abraço de feliz aniversário? Uma mensagem? Uma ligação? Uma festa surpresa? Ou aquela lembrancinha inesperada e que traduz todo o carinho daquela pessoa por você?

Quem não gosta de ver a família reunida na Páscoa, Natal e no Ano Novo. Trocar presentes, abraços e beijos? Sair para um jantar romântico no Dia dos Namorados ou no aniversário de casamento? Qual mãe não gosta de receber um abraço do filho no dia delas? Qual pai não gosta de receber um abraço dos filhos no dia que escolheram pra ser dele? Mesmo sendo datas meramente comerciais é como se a comemoração legitimasse seu amor pelo outro. 

Só que tem um fato curioso nestas datas. Existem pessoas que só se lembram das pessoas homenageadas nas respectivas, ou seja, apenas neste dia. Sei lá, eu acho isso tudo muito estranho. Não consigo me envolver com algo assim.

Um ano sem falar com a outra pessoa. No dia do aniversário liga rapidinho, ou agora com a informalidade invasiva das redes sociais, você vai lá na página da pessoa e deixa um gif padrão. Um outro fica o ano inteiro ignorando a outra e aí aparece no Natal ou na Páscoa ou em qualquer uma destas datas. Fica meses sem falar com o pai ou a mãe e no Dia das Mães ou dos Pais vai lá abraçá-los e dizer que os ama. Isso quando não dá um presente material, pra dar uma compensada. E não estou falando de distância física não. Por que, nos dias de hoje, com tanta ferramenta de comunicação disponível é praticamente impossível ficar sem falar com alguém. Eu não vejo as pessoas que amo todos os dias, mas algumas delas eu falo todos os dias. Nem que seja pra dizer: “estou muito cansado, o dia foi cheio e estou indo dormir, mas passei pra te pedir que não esqueça que te amo”.

Eu penso assim. As datas são legais. Agora, para comemorá-las são necessários alguns rituais. Algum contexto mínimo de energia, de envolvimento. Não é a mesma coisa você receber um abraço de quem está tudo bem, comparado em receber um abraço de quem até ontem te ignorava. Aquele cumprimento protocolar. Sei lá, não que eu recuse ou ignore, mas isso soa muito esquisito pra mim. 

É como se tivessem recebido anistia por sua ausência ou por algo que você tenha feito em desagrado à pessoa, causando algum afastamento ao lembrar o dia da comemoração ou dar um presente. Naquele dia, por ser uma data comemorativa vale tudo. E, para alguns, vale mesmo! Só que tem um detalhe: depois da data comemorativa, tudo volta como era antes. É uma mudança que vale por 24 horas ou pelo tempo em que ficarem juntos.

Hoje, primeiro dia do ano e primeira coluna do Barba Feita, para mim, é mais um dia. No início de novos anos, até crio situações e contextos como se fosse o reinicio de um ciclo, mas a verdade é que é apenas mais um dia primeiro depois do dia trinta e um. Esses ciclos eu crio e recrio todo o tempo: no inicio de uma novo mês, de uma nova semana, no comemorar do meu aniversário, ou mesmo ao abrir os olhos diariamente. Rever conceitos, repensar atitudes devem independer de datas. Acorde e repense. Levante e refaça. Comemore todos os dias por estar vivo. Reforce sua fé na missa, no terreiro ou no templo, independente da data. É simples: basta você ser mais atencioso com as pessoas que estão à sua volta. Seja mais atencioso com seu colega de trabalho, com sua mãe ou seu pai, sua esposa ou seu marido, com seus filhos, com seus avós, irmãos e amigos. Participe mais da vida deles e se faça presente, mesmo quando ausente fisicamente ou quando eles se ausentam de você. Não condicione a sua ausência à ausência do outro – a menos que seja alguém que não acrescente em nada na sua vida ou que você tenha um mínimo de empatia ou intimidade. Você perceberá que encontrá-los ou reencontrá-los nestas datas ficará muito mais interessante e será muito mais festivo e, principalmente, verdadeiro.

Invista mais tempo nos relacionamentos. Tudo começa e termina em você.

Datas são apenas episódios de uma série chamada vida. Feliz vida todos os dias para todos vocês.

Leia Também:
Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Nenhum comentário: