segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Os Nerds Velhos Punheteiros e Seu MiMiMi Descontrolado




Enquanto eu pensava no que escrever nessa coluna, eu imaginava que eu seria taxado de ~polêmico~. Porque eu vou falar de nerds. E vou falar de saudosismo e memórias. Vou falar especificamente de um tipo de gente que não se toca que já envelheceu e, mesmo assim, parece adolescente mimado e birrento. E, ao pensar se deveria ou não escrever a coluna, eu liguei o foda-se. Afinal, se alguém ler o que escrevi e se ofender, sinceramente, o problema não é meu.

Eu nasci nos anos 80, fui adolescente nos 90 e, é claro, tenho muitas lembranças dessa época. A gente brincava na rua, a gente jogava fliperama e video-game (saudades Atari, mas eu preferia o meu Nintendo), a gente via televisão. Muita. E, se você cresceu e hoje se escandaliza com beijo gay na TV ou com um seio nu numa abertura de reprise de novela, certamente não deve se lembrar que naquela época as manhãs eram dominadas por apresentadoras infantis que passavam longe do politicamente correto e que a gente tava era bem mais interessado nos desenhos animados do que nas brincadeiras da Xuxa.

Thundercats She-Ra, na Globo. Cavaleiros do Zodíaco, na Manchete. E cito esses desenhos em especial, pois todos estão passando por atualizações e sendo (ou serão) relançados para novos públicos nos dias atuais. E o barulho que essas adaptações fazem é absurdo, principalmente a partir de um público que, saudosista, não aceita as modificações propostas, sentindo-se pessoalmente ofendidos com as novas versões que, em teoria, estragam suas memórias de infância. E eu leio isso tudo por aí (e ouço da boca de muita gente também). E o que eu penso? Não fode, né?

Vamos ser bem explícitos aqui? A porra desses desenhos não são pensados para vocês, queridos nerds punheteiros com síndrome de Peter Pan. Não é porque um desenho foi lançado nos anos 90, sob um contexto totalmente diferente, usando as técnicas daquela época e para o público de então, que ele se torna intocável. Sendo mais direto ainda, os produtores e as grandes empresas de mídia responsáveis por esses lançamentos só estão interessados no dinheiro que essas novas adaptações vão render, seja como produto ou, principalmente, como derivados, em linhas de brinquedos ou uso de imagem. Você, querido nerd que parece que não sabe que cresceu, não é nem de longe o público para qual são direcionadas essas novas versões. 

Os tempos mudaram, as crianças de hoje, apesar de serem criados por pais idiotas que muitas vezes não percebem que cresceram, conseguem entender de pluralidade, representatividade e até embarcarem em histórias mais complexas que as que acompanhávamos em nossa infância. Assim, se a She-Ra da nova versão da Netflix não é uma gostosona de minissaia, tudo bem. Se os novos Thundercats tem o traço mais exagerado que o original, ok. Se no novo Cavaleiros do Zodíaco o Shun de Andrômeda será uma cavaleira e se chamará Shaun, qual o problema? 

Vou repetir: esses desenhos não são para você. Aceite, dói menos. 

Ninguém é dono da verdade e, sinceramente, o discurso de "ah, no meu tempo era tão melhor que hoje em dia" parece coisa dita por sua avó. O mundo é dinâmico, as coisas mudam (algumas vezes, para pior) e a vida segue. Se você é um nostalgista inveterado, tudo bem também. Os desenhos da sua infância continuam disponíveis e você pode assistí-los quando quiser, sem apertar o stop nunca se preferir, deliciando-se com a qualidade duvidosa do que era exibido nos anos 80 e 90 e que hoje você trata como intocável. Você pode, veja bem que modernidade, nunca assistir ao novo She-Ra e viver bem com isso. Pode ignorar totalmente um novo Cavaleiros do Zodíaco e continuar a sua vida cotidiana como se nada tivesse acontecido. 

O que é chato não são as novas versões que são feitas para as crianças de hoje em dia. Não, nem de longe. O que é chato é gente velha reclamando por algo que não é direcionada para elas, sem se dar conta de quão desnecessário e vergonhoso é esse lamento. 

Dói, né? Mas é a verdade. E fica a dica: você sempre pode optar por... crescer!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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