quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Ralph, a Internet e Uma Lição Sobre Relações Humanas




Nessa época do ano, o cinema fica cheio de opções - seja por causa das férias ou por conta da proximidade com premiações importantes, como o Oscar. E uma das mais esperadas continuações - ao menos para mim, fã de animação - chegou logo nos primeiros dias de janeiro às telonas: WiFi Ralph - Quebrando a Internet. Eu, logicamente, fui conferir no último fim de semana e tive, digamos, um misto de sentimentos quanto ao filme.

Detona Ralph é uma das minhas animações mais queridas. É daquelas que não esperam concorrer a melhor filme do ano, mas que trazem uma bela história e personagens extremamente carismáticos. Eu amo várias das animações da Disney e da Pixar, desde Toy Story (Monstros S.A., Os Incríveis - 1 e 2 - e Procurando Nemo estão entre as minhas favoritas) e acho que o caminho encontrado para agradar crianças e adultos, falando de sentimentos básicos, é uma das coisas que mais me atraem ao cinema hoje em dia.


Se o ex-vilão Ralph no primeiro filme tinha toda uma busca para se tornar herói e deixar de ser o execrado da vizinhança, agora ele resolve ir para a internet em busca de uma peça para permitir que o jogo de sua BFF Vanellope, o Corrida Doce, continue vivo. E aí o filme entra num debate importante - e até improvável - em se tratando de desenhos animados: o de uma relação abusiva. 

Importante lembrar que relação abusiva, na maior parte das vezes, pode não ser intencional - e é isso que o filme aborda. Quais os limites de uma pessoa para fazer coisas em nome da felicidade da outra? Quantas histórias a gente não sabe de filhos que vivem em agonia por não poderem abrir quem são para seus próprios pais, por medo de frustar suas expectativas para a família? Quantas esposas não se oprimem nos seus papéis pré-moldados de "mulheres exemplares", algumas vezes tendo ainda de brinde uma dominação violenta - verbal ou física?

Debater isso num filme supostamente infantil é corajoso e levanta várias sensações. Provocou choro de adultos e crianças, em momentos de maior sensibilidade dos protagonistas. Também causou decepções pontuais com os personagens e com rumos - eu mesmo, num primeiro momento, não gostei do final, mas depois repensei e achei o melhor caminho a ser tomado. 

Vale muito a pena ver WiFi Ralph, embora ele seja inferior à sua primeira parte, Detona Ralph. Ao longo do filme, entendemos o porquê do complemento Quebrando a Internet - com trocadilhos (ou não). A forma lúdica como a internet é mostrada, falando de buscadores, spams, deep web, vírus e, principalmente, a efemeridade da fama (e a crueldade que geralmente a acompanha também), é louvável - ainda mais numa semana em que uma foto de um ovo se tornou a mais curtida de toda a história. 

Fica também o ensinamento: a internet tem coisas bem ruins, mas, no geral, é muito boa e não pode ser demonizada. Afinal, se não fosse ela, você não estaria lendo esse texto aqui...

Ah! Não deixa de conferir a cena pós-crédito. Ela demora, mas vem. E é hilária.

Leia Também:
Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
FacebookInstagram


A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Nenhum comentário: